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Opinião: Educação cristã; amor, presença, afeto (parte 2)

Todos os pais gostariam de gerar melhores seres humanos do que eles foram e são: pessoas mais interessantes, mais saudáveis, mais solidárias e fraternas, mais dotadas de consciência cívica e crítica, mas, de facto, isso nem sempre acontece. Muitas vezes não é assim! Eu não sei nada, mas parece-me que de cada vez que uma criança nasce, voltamos ao princípio da criação. A Deus. Ao amor. Ao barro. Ao caminho. Todos nascemos nesse primeiro dia, hora e instante por vontade amorosa de Deus. Todos com a mesma necessidade de passar pelas mesmas experiências, transformações e fragilidades. Alguém nos diz: “Não toques no lume que queima”, mas nós, mal vemos uma oportunidade, colocamos lá o dedo para saber como é. Graças a Deus, não vivemos em nenhuma ilha onde tudo já está estudado, construído e consumado. Vivemos no mundo de todas as imperfeições onde está tudo por fazer: eu, tu, ele, nós. Educadores e educandos! E Deus vem todas as tardes passear nesse jardim, chamando-nos pelo nosso nome. Educar e educar-se será aprender a reconhecer Deus chamando pelo nosso nome, todos os dias, durante essa longa (e eterna) viagem pelos séculos e milénios de milénios. Aqui e depois.

Neste tempo que estamos a viver: no meio de uma pandemia inesperada e tão limitadora, precisamos mais do que nunca de fazer companhia uns aos outros. Sã companhia! Para proteção de todos, precisamos de viver mais afastados uns dos outros, mas isso não quer dizer solidão, tristeza e ausência de esperança. O amor existe, não conhece barreiras, atravessa as paredes, não é infetado por nenhum vírus. Cada um, com os seus dons, faça-se presente na vida de todos rezando, usando as novas tecnologias, criando novas formas de presença, criando e alimentando elos duráveis.

Existiu um Deus que resistiu à tentação de fazer-nos, no princípio, sem margem de progressão nenhuma: bonecos de corda ou marionetas de barro e osso! Esse Deus quis e fez-nos à sua imagem e semelhança: com capacidade de pensar, de amar, de rir, de chorar, de perguntar e até de fazer o mal, muito embora Ele pretenda que as nossas opções sejam sempre pelo bem. Esse Deus, fazendo-nos assim, disse: “Agora continua por ti mesmo a fazer-te cada vez mais homem e mulher com esse barro, com esse osso, com o amor que te dou.” Deus não quis terminar, a sua obra. Começou-a! Obra magnífica: «O nosso corpo é uma das mais belas e perfeitas peças de design orgânico.»; «As nossas articulações são, por si só, um tema fascinante e de profícua inspiração.»[i]

Cada pessoa é um mundo novo que nos surpreende e interpela. O amor, a presença diária, o afeto nunca são demais. Desafio: continuar a deitar abaixo preconceitos, os muros da separação e da indiferença, as ideologias que nos cegam.

Professor José Manuel Leite Teixeira, SDEIE Setúbal

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[1] (Guta Moura Guedes, Vícios Design, Revista do Expresso,19.9.2020, pág.86).

Leia, também a parte 1 

Educris|22.10.2020



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