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Viena: Simpósio reflete sobre «lugar e papel» das Escolas católicas na atualidade

Iniciativa decorre até amanhã, dia 28 de abril, e conta com uma representação portuguesa

Teve hoje início, em Viena, na Áustria, o Simpósio «Comprometidos com uma visão. A importância das escolas católicas à luz dos desafios contemporâneos”.

Na conferência inicial Jakob Deibl analisou o tema «Igreja, Escola e Sociedade» e sustentou a ideia de que “para se repensar o papel e o lugar das instituições de ensino católico, se deve refletir e apropriar a rica tradição da Igreja”.

“Trata-se de trazer à mente, por exemplo, a abadia de Monte Casino, e a ideia que está na origem das universidades. Penso mesmo que devemos reler a tradição beneditina”, avançou.

Para o professor de filosofia e teologia em Viena “não se pode pensar hoje as escolas, sob a égide da Igreja, sem assumir esta herança e continuar adiante”.

Num olhar sobre a educação que parte da ideia de que esta “trata de fazer ‘justiça’ ao ser humano e contribuir, decisivamente, para o seu desenvolvimento nas suas diversas dimensões”, o especialista considerou que “num projeto desta magnitude se torna necessário envolver toda a sociedade, e aí a religião está naturalmente, implicada”, completou.

Gemma Serrano, que já esteve em Portugal na iniciativa «Do Clique ao Toque», apresentou o tema «A Escola Católica num mundo numérico».

Focando a sua reflexão naquilo que apelidou de “era numérica”, a especialista deu conta que tal pressuposto levou o “a sistema escolar gerar um sem número de relatórios, estudos, e discursos” sobre o “desfasamento entre a escola e a sociedade” sempre numa “lógica numérica” que privilegia os números.

“Precisamos de conceber a educação como um movimento de equipa, com preocupações ecológicas, inclusiva e espaço capaz d gerar diálogo, testemunho e reconhecimento”, apontou.

Para isso “é preciso desenvolver a interdisciplinariedade, a centralidade do aprender a colocar questões, a analisar a presença do outro na relação educativa, e de uma ligação entre pesquisa e pedagogia. São maneiras que exprimem uma hospitalidade e uma busca profundamente cristãs”, completou.

Na terceira intervenção do dia, subordinada ao tema «Qual é o objetivo da educação nas escolas católicas», Theo Van Der Zee afirmou que “tal como noutras instituições, as escolas da Igreja devem abordar temas como a diversidade e a individualização, ou as alterações climáticas”, mas lembrou a necessidade de “ler os sinais dos tempos”.

“Estas instituições são convidadas a ler e interpretar os sinais dos tempos a partir do prisma da história e da tradição católicas e a reinventar o valor último da dignidade humana”.

Para o historiador dos Países Baixos, este “modelo de ação” pressupõe o “encorajamento aos alunos e a todos os envolvidos na dinâmica escolar, de práticas de escuta e atenção à realidade, capaz de responder com sucesso aos desafios contemporâneos e a contribuir, de maneira significativa, para a construção social”.

Organizado pelo Comité Europeu da Educação Católica (CEEC) a iniciativa conta com Fernando Moita, diretor do Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), Fernando Magalhães, e Jorge Cotovio, da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), a irmã Maria da Glória e três professores do Colégio Rainha Santa Isabel, em Coimbra.

Atualmente o CEEC representa 35 mil escolas e mais de 8 milhões de estudantes em toda a Europa.

Educris|27.04.2022



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