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CAuSA Comum: «Crescer bem, um desafio para todos!»

Crescer é talvez dos verbos mais difíceis de conjugar e de corrigir, quando enfrentamos o enorme desafio de cuidar da nossa casa comum. Porque não importa apenas crescer, mas crescer bem. E isso só é possível se o crescimento desejado for animado por convicções e balizado por valores sólidos, que o orientem na perspetiva de um crescimento humano autêntico e na direção do bem comum.

O Papa Francisco desafia-nos a crescer na consciência do cuidado da casa comum.  Crescer não quer dizer partir do “nada”, porque há já algum caminho percorrido. Cresceu a sensibilidade ecológica das populações, mas é ainda insuficiente para mudar os hábitos nocivos de consumo, que não parecem diminuir; antes, expandem-se e desenvolvem-se. As mais novas gerações têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e muitos jovens até lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação doutros hábitos.

Por isso, estamos perante um desafio educativo, que pede educadores capazes de reordenar os itinerários pedagógicos de uma ética ecológica, de modo que ajudem efetivamente a crescer na sobriedade, na simplicidade, na solidariedade, na gratidão, na contemplação e na responsabilidade por todas as criaturas, através de um cuidado assente na compaixão. Nós educadores, não podemos evitar uma pergunta que atravessa a nossa alma como uma espada: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer? Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária. Quando nos interrogamos acerca do mundo que queremos deixar, referimo-nos sobretudo à sua orientação geral, ao seu sentido, aos seus valores. Se não pulsa nelas esta pergunta de fundo, não creio que as nossas preocupações ecológicas possam alcançar efeitos importantes” (Laudato Sí, n.º 60).

O que desejamos, portanto, não é um crescimento qualquer, mas um crescimento humano autêntico e integral, relacional e solidário. Precisamos, portanto, de crescer e de fazer crescer ainda mais na escola, na família, na Igreja e na sociedade civil aqueles espaços de consciência e de conversão ecológicas, aqueles sinais esperançosos de notável compromisso e de generosa dedicação à causa da nossa casa comum. O Tempo da Criação que estamos a viver é um bom ponto de partida, um estimulante deste crescimento reto e ordenado na consciência do cuidado da Casa Comum.

Toca a crescer. A crescer bem. Temos a confiança de que a partir dos mais pequenos e a partir das coisas mais pequeninas é possível fazer florir e frutificar a árvore da Vida, como ícone de uma Casa Comum, com raízes de futuro. Quem não lembra a lei evangélica do crescimento do Reino: “é semelhante a um grão de mostarda a menor de todas as sementes, que um homem tomou e semeou no seu campo, mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore» (Mt 13, 31-32).

 
António Madureira
SDEIE | Porto



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