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Leiria-Fátima: A «Utopia do Neutro» remove a «dignidade humana»

Diretor do Departamento de Pastoral Familiar na Diocese de Leiria-Fátima apresentou desafios perante as «questões de género» e alertou para o perigo da «Utopia do neutro».

«Ideologia de género – Questões e Desafios para a Dignidade Humana» foi o tema que reuniu, neste sábado, em Leiria, cerca de 38 professores de educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

O tema, que tem merecido da parte da Igreja e da sociedade civil, uma reflexão aprofundada, foi trazida aos docentes pelo padre José Augusto Rodrigues, diretor do departamento de Pastoral Familiar na Diocese de Leiria-Fátima que apresentou aos docentes a Carta Pastoral da Conferencia Episcopal Portuguesa sobre o tema e a Carta da Congregação para a Educação Católica sobre a questão do gender.

Aos professores o sacerdote explicou que o modo como se construiu o “ser pessoa” nos últimos dois mil anos teve em conta “a relação intrínseca que parece haver entre o homem e a mulher”:

“Na antropologia cristã a pessoa é, antes demais, um corpo. A sua dignidade é corolário da dignidade da pessoa humana. O Corpo ´tem´ um corpo, este não é acessório pois a feminilidade e a masculinidade não é gerada somente pela biologia. A ele aportam fatores como a família, a formação recebida e as experiências vividas”.

Para o padre José Augusto Rodrigues esta ideia fez com que as sociedades se desenvolvessem com a consciência de que “o ‘eu’ só se forma a partir do tu e do nós”. No fundo trata-se de “reconhecer a diferença e a complementaridade do outro descubro-me a mim mesmo pois a pessoa exprime-se pela sua sexualidade. Esta é constitutiva da pessoa”.

Perante um “movimento cultural com reflexos na compreensão da família, na esfera política e legislativa, no ensino, na comunicação social e a própria linguagem corrente” o sacerdote explicou que a chamada Ideologia de Género segue uma linha de estudos que “acentua o condicionamento externo como fator e influência decisiva sobre a determinação da personalidade”.

“Aplicados à sexualidade tais estudos quiseram demonstrar que a identidade sexual deriva mais de uma construção social do que do dado natural e biológico”, apontou.

Clarificando que esta questão “não é de agora” e reconhecendo-lhe “raízes nos anos 90 do século passado”, o padre José Augusto Rodrigues apontou o ideal “da ‘autodeterminação de si’” como “princípio da radicalização do pensamento que conduz à separação entre o sexo e o gender com prioridade para o gender. Considerou-se que tal avanço é fundamental para a eliminação das diferenças sexuais”.

“Esta teoria parte da distinção entre sexo e género procurando opor natureza e cultura. O sexo assinala a condição natural biológica e o género baliza a construção histórico-cultural da identidade masculina e feminina”, sustentou.

Considerando que “a questão não é fácil” o responsável católico sustentou que tal “aporte” pode conter em si a “Utopia do neutro” e invalidar o dado “biológico e da sexualidade na construção pessoal”.

Consequências e desafios educativos

Na parte final da conferencia o sacerdote considerou que “os projetos educativos devem ter em si uma preocupação explicita de denunciar as discriminações e as injustas subordinações”.

Neste sentido, apontou, “a ideologia de género ajudou a desconstruir estas discriminações e levou-nos, de novo, ao contacto com a base antropológica de onde procedemos”.

“Basta lembrarmo-nos como nem sempre se atribuiu aos dois âmbitos do humano o mesmo valor e semelhante protagonismo social. A mulher, em particular, foi a maior vítima de uma sujeição preconizada pelo homem e que a levou a uma menorização na sociedade e na cultura”, denunciou.

Considerando que a “educação a sexualidade é dever e direito das famílias” o sacerdote desafiou os educadores a ajudarem cada aluno a “perceber qual é o significado do corpo” e a “aceitarem-se, antes de mais, na sua dimensão biológica”.

“A grande oposição entre a teoria de género passa pela base. Uma fala sempre de construção da pessoa ao passo que a antropologia cristã fala de aceitação de si”.

Deste modo, e dentro do espaço escolar, a “ideologia de género pode fazer-se presente” através “do conceito genérico de não discriminação, com a qual todos concordamos”, mas isto “esconde uma ideologia que nega a diferença e a reciprocidade natural entre o homem e a mulher.  Deseja-se anular essa diferença”.

A questão passa por perceber que com a “utopia do neutro se remove tanto a dignidade humana como, ao mesmo tempo, a qualidade pessoal generativa da vida”.

Nesta perspetiva “a identidade humana é entregue a uma opção individualista, mutável no tempo, expressão do modo de pensar e agir. Tudo que é possível é permitido, como se não existissem verdades, valores, que nos guiam”.

Um diálogo continuado e verdadeiro

No final da sessão formativa o padre Gonçalo Diniz, do Serviço para o Ensino da Igreja nas Escolas, sustentou a necessidade de “reconhecer o que há de positivo em cada proposta numa atitude de diálogo constante e sem criar «anátemas» pois a chamada ideologia de género também permite a possibilidade de uma séria e sistemática reflexão sobre o lugar e o papel do ser homem e mulher em cada sociedade”.

Este responsável considerou que “a questão é pertinente” e deve levar “ao diálogo aberto e franco em contexto escolar com “aportes da medicina, biologia, sociologia, moral e ética” para que “se possa ajudar os mais novos a crescer inteiros e capazes de se reconhecerem como pessoas na sociedade”.

“Os docentes de EMRC, como outros, precisam de formação especializada de modo a que possam ser contributo, na escola, do ensino de uma dignidade humana que não se perde em ideologias de nenhuma índole”.

Educris|01.02.2020

 




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