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Taizé: Mais de 1500 fazem experiência de «descoberta de si» no silêncio da Colina

Alunos de Educação Moral e Religiosa Católica e Viseu, Santarém e Aveiro tem carnaval diferente na Comunidade Ecuménica de Taizé

Para muitos “não é a primeira nem há-de ser a última vez”. Para outros “é uma surpresa para lá do que esperavam ou que me disseram”.

De Viseu mais de 400 alunos chegaram ontem à colina de Taizé, uma pequena aldeia da Borgonha, onde durante a II guerra mundial Roger Schutz começou a acolher fugitivos e a criar uma comunidade onde todos eram bem-vindos não importava a sua denominação cristã de origem.

Ao Educris o diretor do Secretariado diocesano da Educação Cristã (SDEC), professor David Costa explicou as motivações dos alunos que leva consigo e com uma “grande equipa de professores:

“Temos feito a experiência já há alguns anos e só trazemos a Taizé alunos do ensino secundário. Percebemos, ano após ano, pelo que dizem que ficam impressionados como silêncio deste lugar e com o modo como aqui se vive a simplicidade”.

O testemunho dos alunos impressiona no meio dos sinos que tocam três vezes ao dia na colina. São eles que chamam ao recolhimento e o primeiro sinal de que é altura para “me conhecer um bocadinho melhor”, afirma um dos alunos.

A maioria pertence ao 12º ano e a escolha desta semana em Taizé significou deixar para trás a viagem de finalista, a um qualquer lugar do sul de Espanha, com calor e muita diversão, por um tempo de experiência consigo mesmo e com os outros:

“Nem hesitei em vir. O desafio dos professores e o que ouvi dos colegas dos anos anteriores foi o suficiente para perceber que precisava deste tempo para mim antes de chegar a uma universidade. Prefiro encontrar-me aqui do que noutro tipo de viagens. Já é a segunda vez e estou de volta porque preciso de respostas para quem sou”, afirma Maria João de 17 anos da secundária de Santa Comba Dão.

A experiência do silêncio e da simplicidade de vida parecem ser, neste grande grupo que junta mais de 550 alunos de Aveiro e mais de 700 de Santarém, o grande “atrativo” para tanta adesão:

“Ontem quando chegámos ainda vínhamos todos, alunos e professores, com as correrias do dia a dia e maçados pela longa viagem. Hoje estão completamente integrados na dinâmica da comunidade quer seja nos grupos de reflexão quer nos grupos de trabalho”, sustenta David Costa

O Silêncio: um luxo e uma necessidade no século XXI

Na quarta-feira o bispo de Aveiro e presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) parte para Taizé para “me encontrar com tantos alunos de EMRC e ajudá-los neste “discernimento espiritual que desejam fazer”.

O prelado sustenta que esta semana “é uma oportunidade de fazerem a experiência do encontro consigo mesmos” e “descobrir-se como pessoas na sua interioridade”.

“O silêncio hoje parece ser um luxo. Lembro-me do papa São Paulo VI ter afirmado, aos conventos de clausura, que era fundamental, para além de tudo o que faziam, guardar o silêncio para as gerações futuras. Estas palavras são necessárias para o hoje. Sem silêncio não há conhecimento de si nem lugar ao Outro. Cada um precisa do silêncio do seu coração de modo a poder encontrar-se consigo mesmo. Só assim se torna capaz de ir ao encontro dos outros”, considera.

Educris|04.03.2019

Fotografia:Arquivo




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