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Coimbra: Docentes apresentaram «experiências significativas»

O auditório do Instituto Justiça e Paz em Coimbra encheu para a tarde da formação dos docentes de Educação Moral e Religiosa Católica das dioceses do centro de Portugal.

Mais de uma centena marcou presença para escutar outros professores partilharem as suas próprias experiências na lecionação da disciplina no 1º ciclo e no ensino secundário.

1º ciclo exige criatividade, proximidade e muita preparação

Franca Santos, docente na diocese de Leiria-Fátima foi a primeira da dar o seu testemunho:

"Quando iniciei a lecionação do 1º ciclo não estava preparada para o que ia encontrar", começou por afirmar a docente para confirmar "o choque que senti durante os primeiros tempos". Nesta altura, confidenciou, "usei todas as estratégias que tinha aprendido na minha formação e pedi "ajuda a outros colegas para poder trazer os alunos ao objeto da própria disciplina", apontou.

Luís Gonçalves leciona na diocese de Coimbra e apresentou algumas das inovações que lhe permitem "estar mais próximos dos alunos e das famílias" tendo em atenção "a carga letiva relativamente pequena que temos no 1º ciclo":

"Com os meus alunos, e sendo eles uma geração de nativos digitais, utilizo o Classdojo com o qual chego também aos pais que passam a poder estar numa rede fechada e apercebem-se e interagem com o que vamos fazendo nas aulas".

Para este professor a presença da disciplina no 1º ciclo "é muito importante" porque desperta os alunos para "as muitas dimensões do humano" e permite "um espaço de aprendizagem cooperativa e interativa":

"A interação com os pais torna a disciplina mais sentida pelos mais novos que gostam de usar «plickers» que é "uma espécie de Kahoot para o 1º ciclo", explicou.

Secundário: Ser espaço de diálogo e de busca de sentido para fazer a diferença no mundo

Manuela Miranda leciona na diocese de Coimbra. No início da sua partilha explicou que veio do grupo disciplinar de "filosofia" e pensava, em 1985, "que a EMRC seria apenas uma experiência e que voltaria a lecionar Filosofia":

“Nunca mais voltei à Filosofia porque apercebi-me que a EMRC permite dar chaves de leitura que mudam a vida dos nossos alunos para que percebam que lugar ocupar no mundo e fazer dele um lugar melhor para todos”, sustentou.

Explicando que no início do ano todas as turmas “tem uma dinâmica comum” a docente, integrada num Agrupamento vertical “explicou que o trabalho dos restantes ciclos é fundamental para a disciplina no secundário” numa altura “de grande stress para os alunos pela pressão das médias e do modo como muitas vezes a disciplina é colocada nos horários deles”.

Didácio Frei, professor desde 1999, recordou os tempos iniciais da lecionação passados entre “uma escola de ideário militar e o Vale da Amoreira”:

“Tenho aprendido mais com os meus alunos do que aquilo que lhes tenho ensinado”.

Para este docente “se a EMRC se tornar uma aula como as outras, teórica ao ponto dos alunos não poderem fazer dele a sua vida, vão-se embora”:

“É fundamental que os alunos, dentro do programa da disciplina tenham lugar para que os conteúdos façam vida neles! Estão sedentos de orientações para a sua própria vida e querem exemplos concretos de humanidade através da descoberta do outro” explicou.

Para isso torna-se fundamental proporcionar momentos de “contacto com a realidade e acolher os alunos na sua circunstância histórica de modo a podermos, a partir da mundividência cristã, ajudá-los a situarem-se num mundo confuso e que necessita de cidadãos atentos e empenhados".

Na última apresentação Lurdes Gameiro, que leciona na diocese de Santarém, apresentou “algumas estratégias de sala de aula para os 90’ minutos semanais da disciplina”.

Para esta docente o uso de “técnicas variadas de educação não formal são sustentáculo de uma disciplina” que tende a “extravasar o pouco tempo em currículo”:

“Na escola, e para além dos 90’ minutos que temos, organizamos, com os nossos alunos, galas de solidariedade, jogos vários para a comunidade de modo a que todos possam experimentar situações e acontecimento que os ajudem a construir uma chave de leitura da sua vida”, considerou apontando a “experiência de Taizé” como importante.

As Formações (inter) diocesanas chegam, já no próximo dia 3 de março, a Braga para acolher docentes do norte do país. Organizadas em parceria entre o SNEC e os Departamentos diocesanos da EMRC, as iniciativas já reuniram mais de 700 docentes.

Educris|25.02.2018

 




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