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Banco Alimentar: "Fazer deste dia, um dia especial está em cada um de nós"

Este foi o mote da última campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar (BA) que se realizou nos dias 27 e 28 de Maio, onde estiveram envolvidos mais de 40 mil voluntários.

Antes de falar-vos da minha experiência enquanto professor de EMRC, gostaria de lembrar a génese e a história desta, sendo mais correto, destas instituições. O BA nasceu com John Van Hengel, que em 1967 fundou o primeiro Food Bank, em Phoenix, no Arizona, e deu início a um movimento que existe hoje nos 5 continentes. A ideia foi trazida para a Europa em 1984, tendo sido criados Bancos Alimentares em França e na Bélgica. Em 1990, foi criado em Portugal o primeiro Banco Alimentar Contra a Fome, por iniciativa de José Vaz Pinto. Em 23 de Fevereiro de 1999 foi constituída a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome. Existem atualmente 21 (Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, S. Miguel, Viana do Castelo, Viseu, Terceira, Madeira) cuja atividade se prolonga ao longo de todo o ano.

Sou, com muita alegria, voluntário desta instituição, praticamente, desde a sua origem. Desde a organização de equipas para o supermercado, para o transporte ou ao serviço no armazém, já fiz de tudo um pouco. Trabalhei com instituições que se abastecem no BA, e já vi a alegria nas pessoas que recebem estes bens alimentares.

Muitas questões se colocam sobre estas campanhas. Como sempre se ouvem vozes: “Deem a cana e ensinem a pescar!”; “Isto é bom para as grandes superfícies comerciais. Coitado do pequeno comércio!”; “Dar comida a quem não quer trabalhar!”; “Mais IVA para o Estado!”… De uma forma geral, na minha modesta opinião, estas afirmações partem de pessoas que, ou procuram razões para não contribuírem, ou por desconhecimento do que é o BA. Quem tem que “controlar” os beneficiários são as IPSS e demais organizações que se abastecem no BA. O pequeno comércio pode aderir a estas duas recolhas anuais. A questão do IVA, teria que ser o governo a ter uma visão/decisão, de quando o como “encaminhar” este imposto para o mesmo fim. Quando ao “peixe e à cana de pesca”, a «Visão» do BA é pragmática: “Um mundo, no qual todos os Homens, tenham garantido o direito à alimentação.” É este o grande objetivo do BA.

E é sobre esta visão pragmática que, enquanto docente de EMRC, desafio os meus alunos a participarem nestas duas recolhas nacionais:

  • Valorizamos a Pessoa;
  • Colaboramos com a Comunidade;
  • Servimos o Necessitado;
  • Promovemos a Cultura da Solidariedade.

É umas das formas de colocar em ato muitos dos conteúdos da nossa disciplina e formar para as diversas competências sociais e cristãs.

Já perdi o número de alunos que levei aos armazéns da avenida de Ceuta do BA de Lisboa. Muitos repetem, mesmo depois de entrarem para a faculdade. Até os pais aparecem. É importante que percebam o que é ser solidário ou estar envolvido do espírito fraterno: "Fazer o bem sem olhar a quem!" Esta é a ideia chave que lhes coloco quando se avizinha a data das campanhas. Vamos até aos armazéns para, pelos menos durante 3 ou 5 horas, trabalhar para que muitos necessitados anónimos tenham o direito a alimentação garantido. Sabemos que há fome. Podemos não saber onde ou como ajudar pessoalmente. Aqui encontramos um meio eficaz na concretização dessa ajuda solidária. Vamos ao encontro do outro que não sabemos quem é. Foi com alegria imensa que no dia 30, ao tomar conhecimento do resultado da campanha nestes dois dias, sabermos que alguns desses quilos passaram pelas nossas mãos.

Este espírito de entreajuda já está tão impregnado no Colégio Valsassina, que a proposta chegou este ano aos mais novos. Desde a campanha de Novembro, alunos do 3º, 4º, 5º e 6º anos participam acompanhados pelos encarregados de educação na Campanha Júnior do BA.

Ser voluntário no BA é diferente. É ser verdadeiramente voluntário porque se trabalha no "duro" e não se sabe onde vai parar a nossa ajuda. É ser cristão ao jeito de Jesus Cristo: dar a vida pelo outro. O outro que nem conheço mas que sei que precisa. O outro que sei que jamais me irá retribuir diretamente. Ainda que por vezes vislumbre esse outro, como foi o caso de numa das campanhas ter encontrado um homem com os seus trinta e poucos anos que me perguntava como podia regressar a casa depois da meia-noite: "Sou beneficiário do BA através do Centro Social e Paroquial da minha freguesia. Sinto a «obrigação» de ajudar aqueles que se preocupam comigo."

Ser voluntário nos armazéns do BA é o que a Mariana Neves em 2014 dizia a uma tia também ali a fazer voluntariado, com uma alegria indescritível: "Nunca vi tanta gente a trabalhar com tanta vontade e tão feliz!”

Paulo Victória
Professor de EMRC
Cronista iMissio




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