Audiência-geral: Novo ciclo de catequeses reflete sobre a centralidade da Eucaristia

Na manhã desta quarta-feira o Papa Francisco encontrou-se na praça de São pedro com milhares de peregrinos para a tradicional audiência-geral das quartas-feiras.

Após ter terminado um ciclo de catequeses onde refletiu sobre a «esperança cristã» Francisco propôs-se iniciar novo ciclo agora dedicado à Eucaristia.

 

Leia, na íntegra, a catequese do Papa Francisco.

 

A Santa Misa - 1. Introdução

Caros Irmãos e Irmãs, Bom dia!

Começamos hoje um novo conjunto de catequeses, que apontará o seu horizonte para o "coração" da Igreja, isto é, a Eucaristia. É fundamental para nós, os cristãos, entender bem o valor e o significado da Santa Missa para viver cada vez mais a nossa relação com Deus.

Não podemos esquecer o grande número de cristãos que, em todo o mundo, nos dois mil anos de história, sofreram até a morte para defender a Eucaristia; e aqueles que, mesmo hoje, arriscam a vida para participar da missa dominical. No ano 304, durante a perseguição a Diocleciano, um grupo de cristãos do norte da África foi surpreendido durante a celebração da Missa numa casa e aí permaneceu preso. O procônsul romano, no interrogatório, perguntou-lhes por que tinham feito isto, sabendo que era absolutamente proibido. E eles responderam: "Sem o Domingo não podemos viver", o que corresponde a dizer: se não podemos celebrar a Eucaristia, não podemos viver, a nossa vida cristã morrerá.

De facto, Jesus disse aos seus discípulos: «se não comerdes a carne do Filhos do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Aquele que come a minha carne e bebe do meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia» (Jo 6, 53-54).

Aqueles cristãos do norte da África foram mortos porque celebravam a Eucaristia. Deixaram-nos o testemunho de que podemos renunciar à vida terrena pela Eucaristia, pois ela dá-nos a vida eterna, fazendo-nos participantes da vitória de Cristo sobre a morte. Um testemunho que interpela a todos e exige uma resposta sobre o que significa, para cada um de nós participar do Sacrifício da Missa e aproximar-se da Mesa do Senhor. Estamos à procura daquela fonte que "jorra água viva" para a vida eterna? Que faz da nossa vida um sacrifício espiritual de louvor e ação de graças e nos torna um só corpo com Cristo? Este é o sentido mais profundo da Sagrada Eucaristia, que significa "ação de graças": ação de graças a Deus Pai, Filho e Espírito Santo que nos envolve e transforma na sua comunhão de amor.

Na próxima catequese, gostaria de responder a algumas questões importantes sobre a Eucaristia e a Missa, para redescobrir, ou descobrir como através deste mistério da fé resplandece o amor de Deus.

O Concilio Vaticano II esteve fortemente animado pelo desígnio de levar os cristãos a compreender a grandeza da fé e a beleza do encontro com Cristo. Por este motivo foi necessário atuar em primeiro lugar, com a orientação do Espirito Santo, num adequado renovamento da Liturgia, para que a Igreja continuamente dela viva e se renove graças a ela.

Um tema central que os Padres conciliares enfatizaram é o da formação litúrgica dos fiéis, indispensável para um verdadeiro renovamento. E este é também o propósito deste ciclo de catequeses que começamos hoje: crescer no conhecimento do grande presente que Deus nos deu na Eucaristia.

A Eucaristia é um acontecimento maravilhoso no qual Jesus Cristo, nossa vida, se faz presente. Participar na Missa "é viver uma vez mais a paixão e a morte redentora do Senhor. É uma teofania: o Senhor está presente no altar para ser oferecido ao Pai pela salvação do mundo” (Homilia na Missa, Casa de Santa Marta, 10 de fevereiro de 2014). O Senhor está aqui connosco, presente. Muitas vezes andamos por ali, prestamos atenção às coisas, conversamos connosco mesmos enquanto o sacerdote celebra a Eucaristia... e não celebramos próximo Dele. Mas é o Senhor! Se hoje o Presidente da República ou alguma pessoa muito importante do mundo viesse aqui, é certo que todos estaríamos perto dele, que gostaríamos de o cumprimentar. Mas pensai: quando tu vais à missa, ali está o Senhor! E tu estás distraído. É o Senhor! Temos que pensar sobre isto. "Padre, é que as missas são aborrecidas” - "Mas o que dizes, o Senhor é aborrecido?" - "Não, não, a missa não, os sacerdotes" - "Ah, então convertamos os padres, mas é o Senhor quem está lá! ". Perceberam? Não se esqueçam disto. "Participar na Missa é viver, uma vez mais, a paixão e redenção do Senhor".

Vamos tentar fazer algumas perguntas simples. Por exemplo, porque se faz o sinal da cruz e o ato penitencial no início da Missa? E aqui gostaria de fazer outro parentese. Vocês veem como as crianças fazem o sinal da cruz? Vós não sabeis o que eles estão a afazer, se é um sinal da cruz ou um desenho. Eles fazem assim [NDR: Francisco faz um gesto confuso na fronte]. É preciso ensinar as crianças a fazer bem o sinal da cruz. Então começa a Missa, então a vida começa, então o dia começa. Isto significa que somos redimidos com a cruz do Senhor. Olhemos para as crianças e ensinemos-lhe a fazer bem o sinal da cruz. E aquelas leituras, na missa, porque estão elas ali? Porque se leem no Domingo três Leituras e nos outros dias duas? Porque estão ali, o que significa a Leitura da Missa? Ou, ainda, porque é que a certo ponto o sacerdote que preside à celebração diz: “Corações ao alto?”. Não diz:” Telemóveis ao alto para fazer uma fotografia? fotografia!" Não, que coisa bruta! E eu digo-vos que isto causa-me tanta tristeza quando celebro aqui na praça ou na Basílica e vejo tantos telemóveis ao alto, não apenas dos fiéis, mas também de alguns padres e mesmo de bispos. Por favor! A missa não é um espetáculo: é caminho para se encontrar com a paixão e a ressurreição do Senhor. Por este motivo, o sacerdote diz: "Corações ao alto". O que significa isto? Recordai-vos: Nada de Telemóveis.

É muito importante voltar aos fundamentos, redescobrir o que é essencial, através do que é tocado e visto na celebração dos sacramentos. A questão do apóstolo São Tomé (cf Jn 20, 25), de poder ver e tocar as feridas dos pregos no corpo de Jesus, é o desejo de "tocar" Deus para acreditar. O que São Tomé pede ao Senhor é o que todos nós precisamos: vê-lo. Tocá-lo para poder reconhecê-lo. Os sacramentos vem ao encontro desta exigência humana. Os sacramentos e a celebração eucarística, em particular, são os sinais do amor de Deus, os caminhos privilegiados para se encontrar com Ele.

Assim, através destas catequeses que hoje começamos, gostaria de redescobrir convosco a beleza que está escondida na celebração eucarística e que, quando revelada, dá um significado pleno à vida de cada um. A Senhora nos acompanhe neste novo troço do caminho. Obrigado.

Tradução Educris a partir do original em Italiano

Educris|08.11.2017






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