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Aveiro: Bispo apela à inscrição na disciplina

D. António Moiteiro afirma lugar da disciplina no curriculo nacional e a sua importância como lugar de "reflexão dos valores sociais, éticos e morais" para "crentes e não crentes"

Leia, na íntegra, a nota do Bispo de Aveiro por ocasião da renovação de matrículas nas escolas de todo o país.

Educação Moral e Religiosa Católica, um espaço de descoberta e interpelação

 

  1. Chamados a construir um conhecimento global

No dia-a-dia, todos nos vamos dando conta de que a sociedade exige cada vez mais um conhecimento global. Chegados à altura de nas escolas se fazerem as matrículas para um novo ano de estudos, com opções, e de decidir por escolher ou não a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), é o momento de, mais do que ficar indiferentes, nos envolvermos numa tomada de decisão que favorece a identidade de pessoas capazes de colaborar na construção de uma sociedade que dignifique e valorize uma autêntica educação integral.

A Educação Moral e Religiosa Católica, na fidelidade à sua missão específica, procura proporcionar à pessoa a visão cristã do mundo, do homem e de Deus, e não se demitirá de continuar a oferecer, com total liberdade, propostas educativas. É um espaço de reflexão, para crentes e não crentes, acerca dos valores sociais, éticos e morais, com propostas sempre atuais, propondo aos alunos uma perspetiva de análise da nossa existência, da nossa sociedade, da nossa cultura e da nossa religiosidade: dimensões que as atividades da escola e o próprio projeto educativo são chamados, também, a contemplar.

  1. Movidos pela interpelação e ensino da EMRC

O empenho no desenvolvimento e na implantação da EMRC requer as condições necessárias para a sua efetivação e o esforço consentâneo de todos. Aos que estão comprometidos com a disciplina: professores; pais/encarregados de educação; alunos; responsáveis dos órgãos de gestão das escolas e dos agrupamentos; párocos e comunidades cristãs, apelo a que, em harmonia com a legislação em vigor, aspirem e promovam este bem para os alunos, para os professores, para a escola, para as famílias e para a comunidade.

A vós pais, primeiros e mais responsáveis educadores, compete conscientemente decidir o percurso formativo que quereis e tendes o direito de escolher para os vossos filhos/ educandos. Está à vossa disposição a possibilidade de inscrever os vossos filhos na disciplina de Educação de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), desde o primeiro ano do primeiro ciclo até ao final do ensino secundário. Assumi a vossa missão com alegria e sentido de responsabilidade.

O ensino nas escolas deve exprimir o sentir e querer da comunidade, e tem que retratar a alma da comunidade, nomeadamente da comunidade paroquial, pelo que é premente o diálogo e a interação entre os agentes educativos, sem esquecer que a relação entre o ensino religioso escolar e a catequese não são atividades em alternativa, mas uma relação de distinção e complementaridade. A este esforço há de corresponder o empenho e a dedicação dos respetivos professores, assegurando a qualidade da EMRC com a coerência do testemunho cristão e fidelidade à Igreja.

Para vós, estimadas crianças, adolescentes e jovens, não me canso de vos dizer que a vossa felicidade e a felicidade de todos os que vos rodeiam dependerá das escolhas que fizerdes ao longo do itinerário das vossas vidas. Manifesto o meu reconhecimento e solicitude junto de quantos constituem esta “grande família” da EMRC. É neste compromisso comum que todos nos devemos sentir implicados e envolvidos. Com a vossa adesão e vontade, compete colaborar neste compromisso que se quer seja de todos. Com a jovialidade, experiência e criatividade que vos é reconhecida, é possível superar as dificuldades que se vão deparando. Ainda que por vezes tenhais de ir para a escola uma hora mais cedo ou para casa uma hora mais tarde, para terdes EMRC, não esqueçais que vós sois os primeiros beneficiados ao frequentar estas aulas. Fazei escolhas conscientes e deixai-vos imbuir dos valores que ajudam a construir um projeto pessoal de vida, ou, pelo menos, um significado e um sentido para a vida.

O futuro das pessoas e o rumo das sociedades decidem-se nas opções que se fazem. Que no ato das matrículas, haja o necessário acolhimento, responsabilização e colaboração mútua, pela opção da EMRC, em ordem a deixar-se pautar por valores que alicercem e consolidem o caminhar rumo ao futuro.

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Aveiro, 3 de junho de 2018

† António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.



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