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Viana do Castelo: «Humanidade e Natureza fazem parte do plano de Deus», padre Pablo Lima

Formação online reuniu cinco dezenas de docentes de todo o país

As raízes bíblicas da Ecologia. Propostas pedagógicas em EMRC» foi o tema da formação que o Secretariado Diocesano da EMRC organizou no passado dia 5 de fevereiro, através de plataforma digital.

“Quisemos, com esta formação, dar resposta ao grande interesse que o tema levanta nas novas gerações e o contributo que o judaico-cristianismo traz à temática da criação. Queremos ajudar os nossos professores a uma abordagem correta do tema onde seja possível gerar uma hierarquização onde o ser humano ocupe uma centralidade”, explicou Lígia Pereira, diretora do Secretariado da EMRC em Viana do Castelo.

Para a responsável este tipo de formação permite “priorizar o discurso construtivo e pedagógico perante os alunos numa sociedade em desgaste valorativo”.

“Mais do que grandes recursos digitais a EMRC deve apresentar com uma proposta coesa, cientificamente correta, para que a humanização integral dos alunos seja lugar de criação de agentes de mudança para o amanhã”, concluiu.

A formação foi orientada pelo padre Pablo Lima, da Universidade de Cambridge, que chamou a atenção aos docentes para o modo como o tema da formação ganha hoje destaque no “contexto da pandemia e da emergência climática”.

“Este tema é hoje central para todos, em particular para os mais jovens muito sensíveis para esta catástrofe”, sustenta o docente.

Na sessão o padre Pablo Lima apresentou algumas “das críticas que tem disso levantadas ao cristianismo e que o acusam de ser condescendente com a destruição do planeta”.

“Existem autores que consideram que o modo como o judaico-cristianismo dessacralizou a natureza ajudou a provocar o descalabro ecológico”.

Para o padre Pablo Lima “esta critica prende-se com uma má interpretação do ‘dominar a terra’ de Génesis 1”.

“O significado de ‘dominar’ em hebraico diz-nos do cuidado que devemos ter com a terra. O dominar é como que pegar num terreno baldio torná-lo num pomar, num lugar humanizado no respeito pela natureza e permitindo a biodiversidade”, explicitou.

O sacerdote, especialista em Sagrada Escritura, apresentou aos docentes alguns exemplos da escritura “sobre a vida animal, vegetal e a restauração escatológica” bem como os “contributos da tradição espiritual cristã para o tema”.

“Os animais, na Biblia, são sempre entendidos como parte do projeto de Deus e, por isso, Deus abençoa o ser humano e os animais, permitindo que os primeiros usem os segundos para alimento, mas segundo algumas regras de preservação clara”, apontou.

Hoje a Laudato Si’ apresenta a necessidade de estar “interligados” e isso implica uma “conversão ecológica” que brota de uma “espiritualidade ecológica” na consciência de que “não somos Deus e fazemos parte da natureza”.

Como desafios educativos o padre Pablo Lima chamou a atenção para uma geração “que nasce no meio de um grande consumismo” e que “precisa de consumir para viver”.

“Temos que ajudar os nossos jovens a refletir que o plástico, e o seu uso, é mau, mas a troca anual do telemóvel é ainda pior para o ambiente”, apontou.

Por outro lado, o especialista, citando o Papa, considerou que é fundamental “recuperar o equilíbrio ecológico, consigo mesmo, com os outros e com Deus”.

Aos docentes desafiou-os a apresentarem aos alunos “exames de consciência ecológicos” propondo uma “reflexão sobre os hábitos pessoais de consumo” e várias “iniciativas práticas de espaços naturais”.

Educris|09.02.2021



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