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ENC17: «O catequista é um 'passador' da existência»

“A primeira missão do catequista é a de se encontrar com Jesus na sua própria existência e que se predispor para o caminho com aquele a quem é enviado”, sustentou esta manhã o padre Tiago Neto, diretor do Setor da Catequese de lisboa.

Na conferência “Catequista – o discípulo que acompanha” o sacerdote apontou a “confiança absoluta” como “resultado do encontro com Jesus ressuscitado”:

“O catequista é, antes demais, aquele que se encontrou com o mestre e que dele dá testemunho de maneira bondosa, misericordiosa e que transporta a confiança”.

Consciente que a adesão a Jesus “é um processo dinâmico daquele que segue o mestre e que implica a consciência das luzes e sombras do processo como se vê nos evangelhos” o padre Tiago Neto convidou a um percurso bíblico de reconhecimento do que é “ser discipulo” e afirmou que este “implica um processo de desconstrução do eu para se colocar ‘atrás do mestre’ imitando os seus gestos e a sua forma de ser e pensar”:

“Não existe um modelo único do ser discípulo, mas os evangelhos mostram-nos várias figuras que se podem constituir como modelos daqueles que se abrem à fé, pouco a pouco, até às aparições do ressuscitado”, apontou.

Kerigma, sustento do discipulado

“A vida de fé nasce do encontro com a pessoa de Jesus. Este encontro dá um novo horizonte. Existe uma relação intima entre fé e discipulado. A fé é um encontro com Jesus e tornar-se seu discípulo faz parte da graça”, disse.

O diretor do setor da Catequese de Lisboa sustentou que o “Kerigma é fundamental em todo o processo” porque este se constitui como parte “integrante do ser discipulo”:

“A primeira missão do catequista é ser discípulo e viver como tal. É fundamental percecionar para si as palavras do Kerigma: Jesus interessa-se por mim todos os dias”.

Deste modo “o encontro torna-se o motor da ação do catequista. Não se pode ser pedagogo na fé se não se é discípulo de Jesus. Pensar, viver e relacionar-se como ele”, apontou.

Olhando para a pós-modernidade e para a “encruzilhada em que se encontra a vida humana e o próprio acreditar” o padre Tiago Neto convidou os responsáveis de catequese a partilharem uma certeza:

“A fé vive hoje uma situação de transição. Existe uma oportunidade para descobrir a fé, despida dos apoios e seguranças socioculturais”. Por isso “o educador de hoje tem uma certeza: a incerteza da noite e do caminho a seguir. Deixámos para trás as nossas rotas e nas nossas formulas e buscamos candeias artesanais para irmos, lentamente, avançando na educação das novas gerações”.

Para que o catequista se torne o ‘discipulo que acompanha’ é então necessário “construir candeias que transportem o fogo que trazemos connosco tal como os pais e as mães acompanham individualmente cada um dos seus filhos personalizando caminhos e gestos para chegar a cada um”, apontou.

Uma Igreja Missionária formada por discípulos

Na parte final da sua reflexão o diretor do setor da Catequese de lisboa pediu uma atitude sincera de “conversão missionária de toda a comunidade eclesial para que a Igreja se torne verdadeiramente missionária porque formada por discípulos que fizeram e fazem a experiencia de ser discípulos”:

“Deixo-vos três ideias para que o catequista se possa tornar um ‘discípulo que acompanha’. Em primeiro lugar a consciência de que se é discípulo e que toda a missão brota da missão com Jesus. Saber-se acompanhado por Deus, pelos outros e pela Igreja ajuda o catequista a ser companheiro de todos”.



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