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Nigéria: «Número de mortos é enorme» no norte do país, denuncia Bispo local

D. Matthew Kukah, bispo de Sokoto, no norte da Nigéria, denúncia "agravamento da situação no país" e pede intervenção da comunidade internacional

Agrava-se a onda de violência na província de Sokoto, situada na região norte da Nigéria. Segundo D. Matthew Kukah, “a situação está a piorar e o número de mortos é enorme” nesta zona, denunciando, em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), “a hipocrisia e pouca vontade” reveladas até agora pela comunidade internacional para ajudar a resolver este problema.

O bispo de Sokoto apontou também o dedo ao governo nigeriano que se tem revelado incapaz de fazer frente aos bandos armados que pululam na região, nomeadamente do Boko Haram, um temível grupo jihadista que pretende instaurar um ‘califado’ na região norte do país.

Para o prelado, o Governo da Nigéria é “fraco e corrupto” e é por isso “responsável pela degeneração do conflito” no país. Por seu lado, considera que a comunidade internacional “deve contribuir para o restabelecimento da ordem pública”.

De facto, nas últimas semanas têm ocorrido diversos ataques, inclusivamente na Diocese de Sokoto, perto da fronteira com o Níger, havendo notícias de mais de sete dezenas de pessoas massacradas.

As palavras deste Bispo à Fundação AIS vêm sublinhar o alerta, no final de Maio, da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia [Comece] sobre a situação de perseguição às comunidades cristãs na Nigéria.

A entidade, que congrega representantes das conferências episcopais católicas dos 27 Estados membros da União Europeia, pediu “a toda a comunidade internacional” para “impedir a violência” neste país africano “e levar os criminosos à justiça”, apoiando ainda “as vítimas e promovendo o diálogo e a paz”.

O apelo, surgido na sequência de um número crescente de casos de violência contra os cristãos, te por base estatísticas que mostram elevadas taxas de violência sobre os cristãos da região.

“Segundo estatísticas recentes – disseram os responsáveis da Comece –, cerca de 6 mil cristãos nigerianos foram mortos desde 2015”. O que significa mais de mil por ano. De facto, o que se está a passar na Nigéria é de extrema gravidade e a denúncia dos graves atropelos aos direitos humanos, nomeadamente em relação aos cristãos, já mereceu, inclusivamente, tomadas de posição no Parlamento Europeu.

Já em 2020 o Parlamento Europeu também condenou “a discriminação constante sofrida pelos cristãos nas regiões nigerianas onde a ‘sharia’ é aplicada”.

A Nigéria é um país prioritário para a Fundação AIS e no ano passado foram promovidos 121 projectos no valor global de quase 1,5 milhões de euros.

Educris|24.06.2020




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