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Moçambique: Religiosa descreve «cenário de terror» e recusa «calar grito de dor»

Condições sanitárias na região norte de Moçambique têm vindo a deteriorar-se nas últimas semanas. Igreja denuncia “clima de medo” e pede “liberdade para o povo”

A irmã Blanca Nubia Zapata Castaño, religiosa a Congregação das Carmelitas Teresas de São José denunciou hoje o agravamento dos ataques terroristas na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, e traça um retrato dramático da situação humanitária na região.

“Não posso calar mais este grito de dor e indignação. Com a forma vil e cruel com que os nossos irmãos desta região estão a ser despejados das suas próprias terras, despojados de tudo mesmo do dom mais precioso que é a vida”, lamentou.

Numa longa mensagem, divulgada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), a religiosa denuncia a brutalidade, “cada vez maior” dos “ataques de grupos armados reivindicados pelo Daesh” e que levam as populações “a fugirem para o mato” e a serem obrigadas a “dormir ao relento vendo as suas precárias casas a serem queimadas, sofrendo de fome e sede”.

Perante a inação, “passividade e indiferença daqueles que têm a obrigação de salvaguardar e proteger o povo” a religiosa sustenta que “a situação é gravíssima e, se deteriora de dia para dia”.

“Hoje toda a região norte da província está praticamente tomada pelos terroristas, que regam a seca terra com o sangue inocente de um povo que só pede uma coisa: queremos viver em paz! Pobres, mas livres”, apela.

Para além “dos inúmeros desaparecidos” a irmã Blanca Castaño fala de uma “densa sombra de morte” que se espalhou por toda a região de Cabo Delgado, “deixando à sua passagem milhares de mortos, assassinados selvaticamente sem que entendamos porquê”.

“São incontáveis os “incontáveis desaparecidos e sequestrados”, e estima para cima de “400 mil” os “deslocados na cidade de Pemba e nos distritos e províncias vizinhas”, lamenta.

“Onde estão os defensores dos direitos humanos, onde estão os organismos internacionais que têm por missão zelar pelo respeito e dignidade dos povos?”, interroga impotente.

Educris|16.11.2020



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