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Covid19: É preciso uma «educação para o bem comum», Eugénio Fonseca

Presidente da Caritas Portuguesa denunciou perigo de “desagregação social” se não se educar para o bem comum

“Hoje fala-se muito de cidadania, mas devia falar-se mais de Bem Comum. Se eu não tiver a consciência de que não terei as condições de vida que necessito, de forma legitima e justa, se não as proporcionar aos outros então corremos o risco de ser cada um por si”, denunciou à margem da conferência que reuniu hoje, via Zoom, responsáveis da Igreja Católica pelo setor social e educativo.

Para Eugénio Fonseca a “concentração da riqueza nas mãos de poucos” é injusta porque “foram precisos muitos para se criar as condições para esse crescimento”.

“Creio que começamos a ver já um grande problema social que é agravado pela inércia política. Ninguém, com responsabilidades a nível mundial, teve a coragem política para acabar com uma instância que esconde essa riqueza e que toma o nome de paraísos fiscais. Temo que quem tem capital o vá resguardar nestes locais porque estão isentos dos encargos para o bem comum”, denunciou.

O presidente da Caritas sustentou que apenas a “educação” pode “permitir uma coesão social na consciência de que não somos sozinhos, mas com os outros”.

“A solução passa pela educação. Não só pela simples instrução. Costumo dizer que os governantes não se devem apenas preocupar com a recuperação económica, devem perceber que essa recuperação deve ser inclusiva”.

“Já tivemos períodos de crescimento económico que não alteraram em nada problemas da pobreza”, exemplificou lembrando o início do milénio.

Uma situação que se agrava diariamente: A urgência de redes de vizinhança

À Caritas “vão chegando cada vez mais pedidos de ajuda” e “os indicadores dizem-nos que ainda se vão agravar mais com a diminuição dos rendimentos e da falta de trabalhos”.

“O vírus trouxe desafios às relações humanas e evidenciou a importância das redes de vizinhança. Este foi um bom testemunho de pessoas que espontaneamente se apresentaram para cobrir necessidades”.

O responsável sustenta que  futuro “lança um grande desafio às igrejas que passa pela necessidade de repensar como nos vamos organizar ao nível das ações pastorais e que contributo somos chamados a dar para que se efetive a grande opção que decorre do mandato que foi confiado à Igreja de proporcionar vida em abundância”.

Um olhar de dignidade para o trabalho informal

Numa altura em que o foco do vírus parece estar marcado pelos chamados “trabalhadores informais” e pela necessidade de utilização de transportes públicos, tantas vezes lotados, Eugénio Fonseca lembra que “o trabalho informal é vital em vários setores da sociedade”. O responsável sustenta ser necessário criar “políticas adequadas para a integração da economia informal” pois isso não só “melhoraria o PIB mas traria benéficos claros para a dignidade destes trabalhadores”.

“Por vezes a opção pela informalidade resulta de uma opção egoísta de facultar trabalho à pessoa que vem acompanhada pela diminuição de rendimentos da mesma por via desse trabalho, uma vez que havendo falta de trabalho a pessoa se ‘submete’ a tudo”.

“Precisamos de uma assunção de responsabilidades pelos que optam, nas suas empresas e setores, pelo trabalho informal e pelo seu contributo para o bem comum”, concluiu.

Educris|27.06.2020

 



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