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Uma mensagem para mães e pais, avós e avôs e catequistas

Queridas Mães, Queridos Pais, Queridas Avós e Queridos Avôs

Caras e Caros Catequistas

Escrevo-vos com “o coração nas mãos”, como diz o nosso Povo, neste Tempo de incerteza e de dificuldade. Mas é, também, o coração da Esperança e o coração da Comunhão, aquele que Nosso Senhor, no seu caminho para a Páscoa da Ressurreição, nos mostrou, em gestos e em palavras, e ao qual nós aderimos por obra e graça do batismo, por convicção e esforço das nossas pequenas vidas.

Escrevo-vos com Imaginação e Alegria, pensando em vós e nos vossos filhos, assoberbados nas dificuldades quotidianas de gerir a Vida na abundância do sacrifício e da resiliência. Escrevo-vos com orgulho e com um sorriso na cara pois sei que dareis conta do recado e todos sairemos mais fortes e mais inspirados desta grande provação. Tanto que temos falado da globalização: chegou a hora da globalização da misericórdia! Vamos lá por as mãos à obra!

Escrevo-vos com as imagens do Santo Padre a atravessar a praça de S. Pedro naquela aparente solidão, ligado a cada um de nós, nosso guia forte e delicado na fé. E recordo-vos as suas palavras mais difundidas na comunicação social: “Ninguém se salva sozinho”. De repente, esta verdade da revelação e esta reflexão teológica, nem sempre bem aceite e bem assumida, descodifica-se na experiência humana, com uma clareza luminosa, imensa e belamente pascal: “o amor é o primado da lei” e agora, somos convidados a amar com uma convicção nova, a partir das nossas casas, na modéstia e na reflexão desta reclusão forçada. Vivemos, pois, o amor, que nos salva cada dia, da impaciência, da má vontade, da revolta, da angustia e se constrói, agora mais visivelmente, naquilo que podemos fazer: a dormir e a acordar, a preparar as refeições e a partilhá-las, a fazer as compras e a poupar para o futuro, a fazer festa e a chorar, a ter birras e a oferecer um abraço. Bem-vindos à humanidade mais humana, ao mundo sem grandes distrações, à Igreja doméstica.

Escrevo-vos, também, com gratidão, pela vossa opção de acolher os vossos filhos num mundo pouco amigo das famílias, por vos esforçardes por os educar, por os ir buscar à escola e por os trazer de volta a casa, por resolverdes perseverantemente as suas necessidades quotidianas, por receberdes em casa os amigos e os vizinhos, por os ajudar a fazer os TPC e por controlardes o comando da televisão. E por os terdes batizado e trazido à Igreja para a catequese colaborar convosco na sua educação para a fé. E, AGORA, por seguirem com eles a eucaristia na televisão, por tentardes manter a normalidade possível, por os ocupardes com tarefas sem fim, por manterdes ligadas as várias gerações, pelos beijos e abraços, pela vossa fortaleza e persistência. E, claro está, pelo vosso impecável esforço cristão de cumprir as normas oficiais e a colaboração neste bem comum que é o confinamento em casa, rezando em conjunto, deixando que os mais pequenos vos falem na sua oração espontânea, lendo algumas passagens da Biblia, escrevendo cartas a Jesus e olhando o mundo nos olhos através das mensagens de SMS, da janela, do que vos for possível fazer, dando ânimo e acolhendo quem vos rodeia, mesmo que não seja possível abraçar e tocar.

Hoje, a Pais, Avós e Catequistas, venho sugerir que comuniquem entre si as oportunidades de seguir a vida da Igreja e os passos da Quaresma em todos os meios digitais que estão à nossa disposição, mas tendo em conta que há muitas famílias em Portugal que não estão “ligadas” e são precisamente as famílias que mais dificuldades enfrentam. Para essas famílias, deixem sugestões na porta do vosso prédio, e se tiverem de sair à rua para ir ao supermercado ou à farmácia, coloquem nas suas montras notícias e “cartas” que animem esses Pais e essas Mães a viver estes dias na fé e a prosseguir na educação dos seus filhos. Ajudem-nos a sentirem-se menos á margem, acompanhem-se mutuamente. Os catequistas também podem telefonar para esses lares e, assim, manterem a comunicação. O cristianismo é uma fé criativa!

Hoje, e sempre, queria sugerir aos Pais e aos Catequistas que abraçaram o projeto da Catequese Familiar para conversarem com outras famílias e os integrarem nesta modalidade de educação para a fé que tantos e tão bons frutos nos dá! Entre os adultos poder-se-á continuar a fazer a formação dos Pais/Avós, por via digital, alargando os grupos e multiplicando a mensagem através dos pais que já têm experiência e que a podem comunicar e espalhar. Depois, em cada Casa, a catequese prossegue como indicado nos materiais que os Pais, participantes habituais, tão bem conhecem. A catequese tem esta dimensão intrínseca de experiência de fé, que se cria na proximidade com modelos aos quais as crianças estão emocionalmente ligadas  e que reconhecem como modelos valiosos e, que outro lugar é melhor do que a família?

Queridas Mães, Queridos Pais, Queridas Avós e Queridos Avôs

Caras e Caros Catequistas

Penso em todos vós e rezo convosco porque isso me ensina a rezar melhor, pois no rosto e no coração de cada um encontro o Senhor e a sua mensagem de Amor, fidelidade e encorajamento. E agradeço esta oportunidade de crescer na fé que provém do vosso exemplo.

Votos de uma Santa Quaresma, feita de pequenos passos em direção a uma vida comum mais justa e mais fraterna e a esta experiência de despojamento e liberdade que resulta do momento da história que somos convidados a viver.

Nossa Senhora vos proteja e inspire: a sua vida de Mãe e Mulher foi tão rica em provações e, por isso mesmo, Ela ensina-nos a perseverar e a nunca desistir de escolher o bem e de aceitar o Senhor no nosso coração e na nossa pequena existência.

Com a minha Amizade em Cristo, Senhor Nosso: Deus do Universo.

Cristina Sá Carvalho, na Quaresma de 2020.



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