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Covid-19: «6 conselhos para catequistas», padre Jacob Vasconcelos

Desde o "grande azul" dos Açores, o padre Jacob Vasconcelos, diretor do Serviço Diocesano para a Evangelização, Catequese e Missões, da Diocese de Angra, apresenta 6 conselhos para os catequistas viverem "este tempo" em que é preciso "recriar-se".

 

A época que estamos a viver, tão densa em incertezas mas também repleta de esperanças não deixa ninguém indiferente. Afinal de contas, como ainda ontem nos dizia o Papa Francisco, “estamos todos no mesmo barco.” O coração de um padre partilha das preocupações do seu povo mas, ele próprio, sente também as inquietudes e medos próprios da natureza humana, mesmo estando no “grande azul”, nestas ilhas abençoadas nos Açores onde temos especiais motivos para sermos felizes.

Para terem noção da “reviravolta” que a minha própria vida – tal como a de todos nós – levou, preciso de vos elencar as missões que habitualmente me ocupam: Além de diretor do Serviço Diocesano para a Catequese, sou secretário particular do meu bispo, capelão de uma comunidade religiosa à qual está afeto um colégio com centenas de crianças e colaboro pastoralmente numa paróquia nas imediações da minha cidade. Com este quadro, já devem estar a imaginar a minha vida que diariamente se costuma debater com um esforço hercúleo para não sofrer do “martismo”: A tentação de muito fazer e de, sob o pretexto do zelo pastoral, dedicar pouco tempo ao encontro pessoal com o Senhor. Para além desta batalha, tenho uma vida que posso considerar feliz, com muitas oportunidades de aproximação às pessoas, algo que muito me entusiasma. Não me consigo imaginar sem os vínculos que me ligam aos outros.

Com este quadro de uma vida activa e de uma agenda preenchida, as orientações da Conferência Episcopal e da nossa Diocese relativas à suspensão do culto público e das actividades pastorais geraram, em mim, uma primeira sensação de desolação e tristeza, embora muito ciente de que este sacrifício é por um bem maior. Foi muito duro, no último dia das celebrações públicas, dar a bênção e dizer “Ide em paz” sem saber quando nos voltaríamos a reunir. Um autêntico murro no estômago. O povo chorava. Acabei por chorar com eles. Ao falar com vários colegas, percebi que estávamos todos unidos nestes sentimentos. Ninguém esperava nada assim, sobretudo num tempo tão forte como o da Quaresma.

Levei uns dias a reorganizar-me interiormente. Passar o corrector na agenda e em tudo o que estava programado gerava um mim um silêncio que parecia não habitado. No entanto, depois de alguns dias, disse a mim mesmo: “Recria-te! Agora tens tempo para fazer tanto que não tens feito e que é preciso fazer.” É isso que tenho procurar valorizar: Tenho tido mais tempo para rezar, para parar, para me reorganizar interior e exteriormente, para discernir e para criar espaços de escuta. Até a Eucaristia, sem a pressa do relógio, tem sido mais saboreada em cada palavra e em cada gesto, ainda que paire sempre no ar a tristeza por não termos o nosso povo diante de nós…Mas que, apesar de tudo, está todo ali. Tem sido belo redescobrir o silêncio que afinal é habitado pela Palavra e pela voz daqueles com quem vou dialogando para que não se sintam sós. Esta “paragem forçada” torna-se uma verdadeira Quaresma, fecunda, proveitosa. Desde que entrei para o Seminário, talvez nunca tinha tido nenhuma com tanto tempo para parar. E, talvez, isso nunca foi tão necessário como hoje.

Desafio-vos vivamente a viverem este tempo com algumas atitudes práticas que nos podem ajudar à conversão que há-de estar sempre na ordem do dia:

Tiremos mais tempo para Deus, para descobrir a beleza do encontro com Jesus, a sós ou com os nossos;

Aproveitemos melhor o tempo em que estamos juntos em família. Às vezes, no ritmo frenético a que nos habituamos, mesmo que vivamos juntos, corremos o risco de sermos desconhecidos uns para com os outros…

Liguemos a alguém que precise da nossa palavra, de ternura, de proximidade;

Sejamos criativos e aproximemo-nos dos nossos catequizandos que o Senhor nos confiou…

Se estamos de saúde, porque não oferecer os nossos préstimos a alguém que deles precisa? Nestes dias, até o simples acto de levar o pão a um idoso que não pode sair adquire um caráter quase sacramental…

Muito mais haveria a sugerir. Se nos deixarmos iluminar pelo Espírito, não nos hão-de faltar boas moções interiores. Desde o “grande azul” vai um abraço sentido de quem está a viver estes dias em espírito de vigilância e responsabilidade mas também com muita confiança no Senhor. Afinal de contas, foi Ele quem no-lo disse: “No mundo tereis tribulações. Mas tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33)

 

P. Jacob Vasconcelos

             

             

 



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