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Covid-19: Em Itália já morreram mais padres do que médicos

Pelo menos 50 sacerdotes morreram até hoje na Itália devido à pandemia Covid-19

No país com maior número de mortes provocadas pelo Covid-19, só ontem faleceram mais de seis centenas de pessoas, a Igreja regista um número invulgarmente alto de mortes entre o seu clero.

De acordo com o Vaticano pelo menos 50 sacerdotes morreram nas últimas semanas por complicações provocadas pelo vírus.

No passado dia 15 de março, no final da oração do Ângelus, o Papa agradeceu “o modo criativo como os padres da Lombardia estavam perto do povo”.

“Gostaria também de agradecer a todos os padres, à criatividade dos padres. Sacerdotes que pensam mil maneiras de estar perto do povo, para que o povo não se sinta abandonado; sacerdotes com zelo apostólico, que entenderam bem que em tempos de pandemia não poderiam ser "Don Abbondio". Muito obrigado a vós, padres”, disse Francisco.

O caso de Bérgamo: Uma Igreja para os “últimos e abandonados”

No Norte da Itália a cidade de Bergamo regista já a perda de, pelo menos, 16 sacerdotes.

Durante o dia de ontem mais de 113 pessoas morreram numa cidade já martirizada pela pandemia. Entre eles o padre Fausto Resmini, apelidado pelo diretor do jornal ‘L'eco di Bergamo’, Alberto Ceresoli, como “o Pai dos mais pobres”.

“Durante anos este sacerdote trabalhou nas cadeias, nas ruas com os sem abrigo tendo mesmo criado um asilo às portas da cidade. No início desta pandemia continuou o seu trabalho com os desfavorecidos. Morreu passado uns dias de internamento em Como”, afirmou, citado, pela agência noticiosa ADNKRONOS.

Na cidade, e de acordo com a Cúria diocesana, os diretores dos hospitais locais tem dado instruções aos médicos e pessoal de saúde para que “abençoem os doentes com um sinal da cruz na testa e uma pequena oração” sempre que tal seja requerido e para que não fiquem sem apoio espiritual, assinala a mesma fonte.

Padres ao lado dos que sofrem

No início do seu pontificado, e numa reunião com jovens sacerdotes o Papa tinha pedido “pastores com cheiro de ovelha”. Este mesmo pedido foi renovado em 2016, durante a 69ª reunião geral da Conferência Episcopal Italiana.

“Qual o perfil do sacerdote hoje? Diria, antes de tudo, uma vida simples e essencial, disponível para servir a todos. Isto tornará a sua vida credível aos olhos das pessoas e aproxima-o dos humildes, numa caridade pastoral que o torna livre e solidário. Servo da vida, caminha com o coração e o ritmo dos pobres", apontou na ocasião.

Os relatos que chegam de Itália parecem apontar para a existência de muitos sacerdotes que “trabalham lado a lado com técnicos de saúde” andando “como autênticos zombies em zonas reservadas dos hospitais, escutando, apoiando, e acompanhando os doentes nas suas últimas horas, dando esperança aos médicos e aos técnicos de saúde”, revelou D. Enrico Salmi, bispo de Parma, ao Avvenire.

Giuseppe Berardelli, um 'mártir' do covid-19

Durante o dia de ontem foi conhecida a história deste padre Giuseppe Berardelli, de 72 anos. O sacerdote, pároco de Casnigo, morreu na semana passada no hospital de Lovere após ter abdicou do seu ventilador, oferecido pela paróquia, para o ceder a um doente mais jovem.

No seu enterro, que decorreu sem direito a cerimónia religiosa, e quando o caixão passava à frente das casas os habitantes locais aplaudiram o sacerdote falecido.

Educris|24.03.2020

Imagem: Avvenire



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