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Audência-geral: «Dar a vida é o verdadeiro poder», Papa Francisco

Na manhã desta quarta-feira o Papa Francisco deu continuidade às catequeses sobre «As bem-Aventuranças». Francisco apresentou a questão da "Pobreza de Espírito" e lembrou a necessidade de "não nos sentirmos auto-suficientes" perante os outros pois o verdadeiro poder "está em dar a vida pelos homens", à imagem de Cristo.

Leia, na íntegra e em português a reflexão do Santo Padre.

 

Catequese sobre as bem-aventuranças: 2. Bem-aventurados os pobres de espírito

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje somos confrontados com a primeira das oito bem-aventuranças do evangelho de Mateus. Jesus começa a proclamar o caminho da felicidade com um anúncio paradoxal: «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus» (5,3). Uma estrada surpreendente e um objeto estranho de felicidade, a pobreza.

Devemos perguntar-nos: o que se entende aqui por "pobres"? Se Mateus usasse apenas esta palavra, o significado seria simplesmente económico, isto é, indicaria pessoas que têm pouco ou mesmo nenhum meio de apoio e precisam da ajuda de outras pessoas.

Mas o Evangelho de Mateus, diferente do de Lucas, fala de «pobres de espírito». O que é que isto significa? O espírito, de acordo com a Bíblia, é o sopro da vida que Deus comunicou a Adão; é a nossa dimensão mais íntima, digamos a dimensão espiritual, a mais íntima, aquela que nos torna pessoas humanas, o núcleo profundo do nosso ser. Então, os "pobres de espírito" são aqueles que são e se sentem pobres, mendigos, nas profundezas do seu ser. Jesus proclama-os abençoados, porque o Reino dos céus pertence-lhes.

Quantas vezes nos disseram o contrário! É preciso ser alguma coisa na vida, ser alguém ... é preciso criar um nome… É daqui que vêm a solidão e a infelicidade: se eu tenho que ser "alguém", eu concordo com os outros e vivo com uma preocupação obsessiva pelo meu ego. Se não aceito ser pobre, odeio tudo o que me lembra a minha fragilidade. Porque esta fragilidade me impede de me tornar uma pessoa importante, rica não apenas em dinheiro, mas em fama, em tudo.

Toda a gente, diante de si mesmo, sabe bem que, por mais que tente, permanecerá sempre radicalmente incompleto e vulnerável. Não há truques que cubram esta vulnerabilidade. Cada um de nós é vulnerável por dentro. Deve ver onde. Mas quão mal se vise vive ao recusar-se os seus próprios limites! Vive-se mal. O limite não é assimilado, está lá. Pessoas orgulhosas não que pedem ajuda, não podem pedir ajuda, não pedem ajuda porque precisam provar que são autossuficientes. E quantos deles precisam de ajuda, mas o orgulho impede-os de pedir ajuda. E quão difícil é admitir um erro e pedir perdão! Quando dou alguns conselhos aos noivos, que me dizem como realizar bem o casamento, digo-lhes: "Há três palavras mágicas: com licença, obrigado, desculpa". Estas são palavras que vêm da pobreza de espírito. Não é necessário ser intrusivo, mas pedir permissão: "Parece-te bem fazer isto assim»", assim é o diálogo na família, noiva e o noivo dialogam. "Fizeste isto por mim, obrigado não era preciso”. Depois existem sempre erros, escorrega-se. “Desculpa-me”.  E, geralmente, os casais, os recém-casados, aqueles que estão aqui e muitos, dizem-me: "À terceira é mais difícil", pedir desculpas, pedir perdão. Porque o orgulhoso não pode fazer isto. Não pode desculpar-se: Está sempre certo. Não é pobre em espírito. De contrário o Senhor nunca se cansa de perdoar; infelizmente somos nós que nos cansamos de pedir perdão (cfr. Ângelus, 17 de março de 2013). O cansaço de pedir perdão: esta é uma doença má!

Porque é que difícil pedir perdão? Porque humilha a nossa imagem hipócrita. Ainda assim, viver a tentar esconder as deficiências é cansativo e angustiante. Jesus Cristo diz-nos: ser pobre é uma oportunidade para a graça; e mostra-nos a saída para esta fadiga. Temos o direito de ser pobres de espírito, porque este é o caminho do Reino de Deus.

Mas há uma coisa fundamental a reiterar: não devemos transformar-nos para ficar pobres de espírito, não devemos fazer nenhuma transformação porque já somos! Somos pobres ... ou mais claramente: somos "pobres" em espírito! Nós precisamos de tudo. Todos somos pobres em espírito, somos pedintes. É a condição humana.

O Reino de Deus pertence aos pobres em espírito. Existem aqueles que têm os reinos deste mundo: esses têm bens e comodidade. Mas são reinos que terminam. O poder dos homens, mesmo os maiores impérios, passa e desaparece. Muitas vezes vemos nas notícias ou nos jornais que aquele governante forte e poderoso ou aquele governo que estava lá ontem e hoje não existe mais, caiu. As riquezas deste mundo foram-se, e o dinheiro também. Os velhos ensinaram-nos que a mortalha não tinha bolsos. É verdade. Nunca vi um camião em movimento atrás de uma procissão fúnebre: ninguém leva nada. Estas riquezas permanecem aqui.

O Reino de Deus pertence aos pobres em espírito. Existem aqueles que têm os reinos deste mundo, têm bens e confortos. Mas sabemos como terminam. Aqueles que sabem amar o bem verdadeiro mais do que eles reinam verdadeiramente. E esse é o poder de Deus.

Em que é que Cristo mostrou poder? Porque ele foi capaz de fazer o que os reis da terra não fazem: dar vida aos homens. E este é o verdadeiro poder. Poder da irmandade, poder da caridade, poder do amor, poder da humildade. Isto foi o que Cristo fez.

Esta é a verdadeira liberdade: quem tem este poder de humildade, serviço e fraternidade é livre. Ao serviço desta liberdade está a pobreza elogiada pelas bem-aventuranças.

Porque existe uma pobreza que devemos aceitar, a do nosso ser, e uma pobreza que devemos procurar, a concreta, das coisas deste mundo, para ser livre e poder amar. Devemos sempre buscar a liberdade do coração, que tem as suas raízes na pobreza de nós mesmos.

Tradução Educris a partir do original em italiano

05.02.2020



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