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Audiência-geral: Da hospitalidade ao acolhimento

Na sua "viagem" pelo livro dos Atos dos Apóstolos o Papa dedicou hoje nova catequese à figura de Paulo na ilha de Malta. Francisco convidou os cristãos a refletirem sobre o papel do Apostólo que mesmo preso "continua a anunciar o evangelho" e a observarem a "hospitalidade dos habitante de Malta", desafiando os crentes a estarem atentos e atuantes "perante os naufragados da história, hoje".

Leia, na íntegra, a catequese do Santo Padre

Catequese sobre os Atos dos Apóstolos - 19. «pois ninguém perderá a vida aqui» (At 27,22). A prova do naufrágio: entre a salvação de Deus e a hospitalidade dos malteses.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O livro dos Atos dos Apóstolos, na parte final, conta que o Evangelho continua o seu curso não apenas em terra, mas por mar, num navio que leva Paulo prisioneiro de Cesareia a Roma (cf. Atos 27,1–28,16), no coração do Império, para que a palavra do Ressuscitado se cumpra: «Sereis minhas testemunhas ... até aos confins da terra» (Atos 1, 8). Lede o Livro dos Atos dos Apóstolos e vereis como o Evangelho, com o poder do Espírito Santo, alcança todos os povos, e se torna universal. Levai-o e lede-o.

A navegação encontra condições desfavoráveis ??desde o início. A jornada torna-se perigosa. Paulo aconselha a não prosseguir a viagem, mas o centurião não lhe dá crédito e faz depender a decisão do piloto e do proprietário. A viagem continua com um vento tão furioso que a tripulação perde o controle e deixa o navio à deriva.

Quando a morte parece estar próxima e o desespero permeia a todos, Paulo intervém e tranquiliza os seus companheiros, dizendo o que ouvimos: «Esta noite, apareceu-me um Anjo de Deus, a quem pertenço e a quem sirvo, e disse-me: ‘Nada receies, Paulo. É necessário que compareças diante de César e, por isso, Deus concedeu-te a vida de todos quantos navegam contigo.’» (At 27,23-24). Mesmo na provação, Paulo não deixa de ser o guardião da vida dos outros e o animador da sua esperança.

Lucas mostra-nos, assim, que o desígnio que guia Paulo a Roma salva não apenas o apóstolo, mas também os seus companheiros de viagem e o naufrágio, de uma situação de infortúnio, transforma-se numa oportunidade providencial para o anúncio do Evangelho.

O naufrágio é seguido pelo desembarque na ilha de Malta, cujos habitantes oferecem uma receção calorosa. Os malteses são bons, são mansos, são acolhedores desde aquela época. Chove e faz frio e eles acendem uma fogueira para fornecer aos náufragos um pouco de calor e alívio. Aqui também, Paulo, como um verdadeiro discípulo de Cristo, coloca-se ao serviço alimentando o fogo com alguns ramos. Durante esta tarefa é mordido por uma víbora, mas não sofre danos: as pessoas, olhando para isto, dizem: «Com certeza, esse homem é assassino, pois conseguiu salvar-se do mar, mas a justiça divina não o deixa viver». Esperavam o momento em que caísse morto, mas ao verem que não sofre nenhum dano mudam de opinião - em vez de o tratarem como um malfeitor – consideram-no uma divindade. Na realidade, este benefício vem do Senhor ressuscitado, que o assiste, de acordo com a promessa feita antes de subir ao céu e dirigida aos crentes: « apanharão serpentes com as mãos e, se beberem algum veneno mortal, não sofrerão nenhum mal; hão-de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados.» (Mc 16,18). A história diz-nos que, a partir daquele momento, não existem víboras em Malta: esta é a bênção de Deus pelo acolhimento dado por este povo tão bom.

Com efeito, a permanência em Malta torna-se uma oportunidade favorável para Paulo dar "carne" à palavra que anuncia e, assim, exercer um ministério de compaixão na cura dos enfermos. E esta é uma lei do Evangelho: quando um crente experimenta a salvação, ele não a guarda para si, mas coloca-o a circular. «O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros». (Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 9). Um cristão "provado" pode certamente aproximar-se daqueles que sofrem porque sabe o que é sofrimento e torna o  seu coração aberto e sensível à solidariedade para com os outros.

Paulo ensina-nos a viver as provações abraçando-nos fortemente a Cristo, «certos de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos», e a «certeza de que toda a pessoa que se entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda». (Ibidem, 279). O amor é sempre frutífero, o amor a Deus é sempre frutífero, e se te deixares deixar levar pelo Senhor e receber os dons do Senhor, isso permitirá que os dês a outros. O amor a Deus transparece sempre no amor aos outros.

Peçamos hoje ao Senhor que nos ajude a viver todas as provações sustentadas pela energia da fé; e a sermos sensíveis às muitas pessoas naufragadas da história que chegam exaustos às nossas costas, para que também saibamos  recebe-las s com este amor fraternal que vem do encontro com Jesus, e é isto que salva do frio da indiferença e da desumanidade.

Tradução Educris a partir do original em italiano |08.01.2019



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