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Papa lembra papel da música no acesso ao «Mistério de Deus»

Papa Francisco recebeu os participantes no Convénio «Igreja, Música e Interpretes» e lembrou o papel dos artistas "no mostrar o indelével e o invisivel" ao mundo de hoje.

Leia, na íntegra e em português, a alocução do Santo padre.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Dou-vos as boas vindas na ocasião do III Congresso Internacional Igreja e Música, sobre o tema do intérprete e da interpretação. Agradeço à organização do Pontifício Conselho da Cultura que, em colaboração com o Pontifício Instituto de Música Sacra e com o Instituto Litúrgico do Pontifício Ateneu Santo Anselmo, tornou possível esta edição. Saúdo todos os participantes e agradeço especialmente ao Cardeal Ravasi pela sua introdução. Espero que o trabalho realizado nestes dias seja para todos um fermento do Evangelho, da vida litúrgica e do serviço à cultura e à Igreja.

Costumamos pensar no intérprete como um tradutor, ou aquele que tem a tarefa de transmitir algo que recebe de modo a que o outro possa entender. Mas o intérprete, especialmente no campo musical, é quem traduz com o seu próprio espírito o que o compositor escreveu, para que ressoe belo e perfeito artisticamente. Além disto, o trabalho musical existe enquanto é interpretado e, portanto, enquanto houver um intérprete.

O bom intérprete é animado por grande humildade diante da obra de arte, que não lhe pertence. Sabendo que ele é um servo da comunidade no seu campo, ele  tenta sempre formar-se e transformar-se interior e tecnicamente, a fim de poder oferecer a beleza da música e, na esfera litúrgica, prestar o seu serviço na performance musical (cfr Sacrosanctum Concilium 115). O intérprete é chamado a desenvolver a sua própria sensibilidade e o seu próprio génio, sempre ao serviço da arte, que restaura o espírito humano, e ao serviço da comunidade, especialmente se realiza um ministério litúrgico.

O intérprete musical tem muito em comum com o estudioso da Bíblia, com o leitor da Palavra de Deus; num sentido mais amplo com aqueles que tentam interpretar os sinais dos tempos; e ainda mais no geral com aqueles que - todos nós devemos ser – acolhemos e escutamos para um diálogo sincero. De facto, todo o cristão é um intérprete da vontade de Deus na sua própria existência, e com ele canta com alegria para Deus um hino de louvor e ação de graças. Com esta música, a Igreja interpreta o Evangelho nos sulcos da história. A Virgem Maria fez isto de maneira exemplar no seu Magnificat; e os santos interpretaram a vontade de Deus nas suas vidas e na sua missão.

O Santo Papa Paulo VI, em 1964, durante o encontro histórico com os artistas, expressou este pensamento: «Como sabeis, o Nosso ministério é pregar e tornar acessível e compreensível, ou mesmo comovente, o mundo do espírito, do invisível, do inefável, de Deus. E nesta operação, que traduz o mundo invisível em fórmulas acessíveis e inteligíveis, vós sois os mestres. É a vossa profissão, a vossa missão, e a vossa arte é precisamente a de compreender a partir do céu do espírito os seus tesouros e revesti-los de palavras, de cores, formas, de acessibilidade». (Insegnamenti II [1964], 313). Neste sentido, portanto, o intérprete, como o artista, expressa o Inefável, usa palavras e matérias que vão além dos conceitos, para fazer as pessoas entenderem aquele tipo de sacramentalidade que é próprio da representação estética.

Dá-se um diálogo. Porque seguir uma obra de arte não é algo estático, algo de matemático. Existe um diálogo entre o autor, o trabalho e o intérprete. É um diálogo a três.  E este diálogo é original em cada um dos intérpretes: um intérprete sente deste modo e apresenta-o assim, outro, um outro fará de outra maneira. Mas este diálogo é importante, porque permite o desenvolvimento na execução de uma obra artística. Lembro-me, por exemplo, de um Bach realizado por Richter ou por Gardiner: é outra coisa. O diálogo é outra coisa, e o intérprete deve entrar neste diálogo entre o autor, a obra e ele próprio. Isto nunca deve ser esquecido.

O artista, o intérprete e - no caso da música - o ouvinte têm o mesmo desejo: entender o que a beleza, a música e a arte nos permitem conhecer sobre a realidade de Deus. E no nosso tempo, homens e mulheres precisam muito disto. Interpretar esta realidade é essencial para o mundo de hoje.

Queridos irmãos e irmãs, agradeço novamente o vosso empenho no estudo da música, e especialmente da música litúrgica. Desejo a vós e a mim- cada um no seu caminho – de se tornar cada vez melhor, dia após dia, intérpretes do Evangelho, da beleza que o Pai nos revelou em Jesus Cristo, no louvor que expressa a filiação a Deus. Abençoo-vos de coração, e por favor vos peço que rezeis por mim. Obrigado.

Tradução Educris a partir do original em Italiano

Educris|09.11.2019



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