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Audiência-geral: «A Igreja testemunha o Ressuscitado»

Francisco refletiu, na segunda catequese sobre o livro dos Atos dos Apóstolos, sobre o modo como a Igreja nascente viveu a "eclesialidade" e procedeu à "escolha de Matias". Para o Papa a "união e a comunhão" nascem do "discernimento da comunidade" que não teme a "diversidade" mas sabe que deve "viver e anunciar o Ressuscitado".

Leia, na íntegra, a catequese do Papa na audiência-geral desta quarta-feira.

 

Catequese sobre os Atos dos Apóstolos: 2. «Foi incluído entre os onze apóstolos» (Atos 1, 26).

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Iniciámos um percurso de catequese que hoje segue “viagem”: o caminho do Evangelho narrado pelo livro dos Atos dos Apóstolos, porque este livro mostra-nos certamente o caminho do Evangelho, como o Evangelho se foi espalhando cada vez mais longe, e longe... Tudo começa com a ressurreição de Cristo. Isto, na verdade, não é um acontecimento entre outros, mas é a fonte de uma nova vida. Os discípulos sabem disto e - obedientes ao mandamento de Jesus - permanecem unidos, unidos e perseverantes na oração. Juntam-se a Maria, a Mãe, e preparam-se para receber o poder de Deus não de maneira passiva, mas consolidando a comunhão entre eles.

Esta primeira comunidade foi formada por 120 irmãos e irmãs mais ou menos: um número que traz em si o 12, emblemático para Israel, porque representa as doze tribos e emblemático para a Igreja, por causa dos doze apóstolos escolhidos por Jesus. agora, depois dos dolorosos acontecimentos da Paixão, os apóstolos do Senhor não são doze, mas onze. Um deles, Judas, não está mais lá: ele tirou a si a sua vida esmagada pelo remorso.

Ele já havia começado a separar-se da comunhão com o Senhor e com os outros, estando só, isolando-se, agarrando-se ao dinheiro a ponto de explorar os pobres, perder de vista o horizonte da gratuidade e da doação, até permitir que o vírus do orgulho infetasse a sua mente e coração, transformando-o de um «amigo» (Mt 26,50) num inimigo e num «líder daqueles que prenderam a Jesus» (Atos 1, 16). Judas havia recebido a grande graça de fazer parte do grupo de pessoas íntimas de Jesus e de participar do seu ministério, mas a certa altura fingiu “salvar” a sua própria vida e como resultado perdeu-a (cfr Lc 9,24). Ele deixou de pertencer a Jesus com o coração e colocou-se fora da comunhão com ele e com os seus. Ele deixou de ser um discípulo e colocou-se acima do Mestre. Ele vendeu-o e com o «preço do seu crime» comprou terras, que não produziam frutos, mas estavam imbuídas do seu próprio sangue (cfr Atos 1, 18-19).

Se Judas preferiu a morte à vida (cfr Dt 30,19; Sir 15,17) e seguiu o exemplo dos ímpios, cujo caminho é como a escuridão e vai à ruína (cfr Pr 4,19; Ps 1, 6), os Onze preferiram a vida, a bênção, tornam-se responsáveis ??em fazê-la fluir por sua vez na história, de geração em geração, do povo de Israel para a Igreja.

O evangelista Lucas mostra-nos que, diante do abandono de um dos Doze, que criou uma ferida no corpo da comunidade, é necessário que a sua designação passe para outro. E quem poderia assumi-lo? Pedro indica o requisito: o novo membro deve ter sido um discípulo de Jesus desde o princípio, isto é, desde o batismo no Jordão, até ao fim, isto é, a ascensão ao Céu (cfr Atos 1, 21-22). O grupo dos Doze precisa de ser reconstituído. Neste ponto, inaugura-se a prática do discernimento comunitário, que consiste em ver a realidade com os olhos de Deus, na perspetiva da unidade e da comunhão.

Existem dois candidatos: José Barsabás e Matias. Então toda a comunidade ora da seguinte maneira: «Senhor, tu que conheces o coração de todos, indica-nos qual destes dois escolheste 25para ocupar, no ministério apostólico, o lugar abandonado por Judas» (Atos 1, 24-25). E, pelo destino, o Senhor indica Matias, que fica associado aos Onze. Assim, o corpo dos Doze é restabelecido, um sinal de comunhão, e a comunhão ganha sobre as divisões, o isolamento, a mentalidade que absolutiza o espaço privado, sinal de que a comunhão é a primeira testemunha que os apóstolos oferecem. Jesus havia dito: «Todos saberão que são meus discípulos e se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35).

Os Doze manifestam o estilo do Senhor nos Atos dos Apóstolos. Eles são as testemunhas acreditadas da obra de salvação de Cristo e não manifestam a sua presumível perfeição ao mundo, mas, através da graça da unidade, eles trazem um Outro que agora vive de uma nova maneira entre o seu povo. E quem é esse? É o Senhor Jesus. Os apóstolos escolhem viver sob o senhorio do Ressuscitado na unidade entre os irmãos, que se torna a única atmosfera possível do autêntico dom de si.

Também nós precisamos de redescobrir a beleza de testemunhar o Ressuscitado, emergindo de atitudes autorreferenciais, renunciando a reter os dons de Deus e não cedendo à mediocridade. A reunificação do colégio apostólico mostra como no DNA da comunidade cristã há unidade e liberdade de si mesmo, que permitem não temer a diversidade, não se agarrar às coisas e aos dons e ser em mártires, isto é, testemunhas luminosas de Deus. vivo e atuante na história.

Tradução Educris a partir do original em italiano

Educris!12.06.2019



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