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Papa inicia catequeses sobre os «Atos dos Apóstolos»

Francisco inaugurou hoje nova série de catequeses. Desta vez o Papa vai abordar o livro dos Atos dos Apóstolos e a experiência do ressuscitado vivida pelas primeiras comunidades.

 

Catequese sobre os Atos dos Apóstolos: 1. Mostrou-se vivo a eles ... e ordenou-lhes ... que aguardassem o cumprimento da promessa do Pai "(Atos 1: 4,4).

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje iniciamos um percurso de catequeses através do livro dos Atos dos Apóstolos. Este livro bíblico, escrito por São Lucas Evangelista, fala-nos sobre a viagem - uma voagem: mas qual viagem? Da viagem do Evangelho no mundo e mostra-nos a maravilhosa união entre a Palavra de Deus e o Espírito Santo que inaugura o tempo da evangelização. Os protagonistas dos Atos são apenas um "par" vivo e eficaz: a Palavra e o Espírito.

Deus "envia a sua mensagem sobre a terra" e "a sua palavra corre veloz" - diz o Salmo (147.4). A Palavra de Deus corre, é dinâmica, irriga todo o solo onde cai. E qual é a sua força? São Lucas diz-nos que a palavra humana torna-se eficaz não graças à retórica, que é a arte de bem falar, mas graças ao Espírito Santo, que é a dinamis de Deus, a dinâmica de Deus, a sua força, que tem o poder de purificar a palavra, torná-la portadora da vida. Por exemplo, na Bíblia há histórias, palavras humanas; mas qual é a diferença entre a Bíblia e um livro de história? Que as palavras da Bíblia são tomadas pelo Espírito Santo, que dá uma força muito grande, uma força diferente e nos ajuda a fazer dessa palavra uma semente de santidade, uma semente de vida, para ser eficaz. Quando o Espírito visita a palavra humana, ela torna-se dinâmica, como "dinamite", que é capaz de iluminar corações e explodir padrões, resistências e muros de divisão, abrindo novos caminhos e expandindo as fronteiras do povo de Deus. E isto mesmo o veremos no decorrer destas catequeses, no livro dos Atos dos Apóstolos.

Aquele que dá sonoridade vibrante e incisividade à nossa frágil palavra humana, mesmo capaz de mentir e escapar das suas responsabilidades, é somente o Espírito Santo, através do qual o Filho de Deus foi gerado; o Espírito que o ungiu e sustentou na missão; o Espírito através do qual ele escolheu os seus apóstolos e que garantiu perseverança e fecundidade à sua proclamação, como também hoje o garante ao nosso anúncio.

O Evangelho termina com a ressurreição e ascensão de Jesus, e a trama narrativa dos Atos dos Apóstolos começa aqui, da superabundância da vida do Ressuscitado, transfundida na sua Igreja. São Lucas diz-nos que Jesus "mostrou-se ... vivo, depois da sua paixão, com muitas provas, durante quarenta dias, aparecendo ... e falando de coisas relativas ao reino de Deus" (Atos 1, 3). O Cristo ressuscitado, o Jesus ressuscitado, faz gestos muito humanos, como partilhar uma refeição com os seus, e convida-os a aguardar com confiança o cumprimento da promessa do Pai: "Sereis batizados no Espírito Santo" (Atos 1: 5).

O batismo no Espírito Santo, de facto, é a experiência que nos permite entrar numa comunhão pessoal com Deus e participar da sua vontade salvífica universal, adquirindo o dom do desassombro, a coragem, que é a capacidade de proferir uma palavra "de filhos de Deus ", não só dos homens, mas dos filhos de Deus: uma palavra clara, livre, eficaz, cheia de amor por Cristo e pelos irmãos.

Portanto não há luta para ganhar ou merecer o dom de Deus, tudo é dado de graça e no devido tempo. O Senhor dá tudo de graça. A salvação não pode ser comprada, não é paga: é um presente gratuito. Diante da ansiedade de conhecer antecipadamente o tempo em que os eventos anunciados por Ele acontecerão, Jesus responde a si mesmo: «Não vos cabe conhecer os momentos e os tempos que o Pai reservou para o seu poder, mas recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós e sereis testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra» (At 1,7-8).

O Ressuscitado convida o seu próprio povo a não viver o presente com ansiedade, mas a fazer uma aliança com o tempo, para saber esperar pelo desenrolar de uma história sagrada que não foi interrompida, mas que avança, prossegue sempre; saber esperar pelos "passos" de Deus, o Senhor do tempo e do espaço. O Ressuscitado convida o seu povo a não "fabricar" a missão por si mesmo, mas a esperar que o Pai energize o seu coração com o seu Espírito, para poder envolver-se num testemunho missionário capaz de irradiar de Jerusalém à Samaria e ir além-fronteiras de Israel para chegar às periferias do mundo.

Espera-se que os apóstolos a vivam juntos, vivam como a família do Senhor, na sala de cima ou no cenáculo, cujas paredes ainda são testemunhas do dom com que Jesus se entregou aos seus na Eucaristia. E como aguardar a força, os dínamos de Deus? Orando com perseverança, como se não houvesse tantos, mas um. Orando em unidade e com perseverança. De facto, é através da oração que se supera a solidão, a tentação, a desconfiança e se abre o coração à comunhão. A presença das mulheres e de Maria, mãe de Jesus, intensifica esta experiência: primeiro aprenderam com o Mestre para testemunhar a fidelidade do amor e a força da comunhão que supera todo o medo.

Pedimos também ao Senhor a paciência em aguardar os seus passos, em não querer "fabricar-nos" o seu trabalho e permanecer dóceis, orando, invocando o Espírito e cultivando a arte da comunhão eclesial.

Tradução Educris a partir do original em italiano



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