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Audiência-Geral: «Os mandamentos querem tocar o coração humano»

Papa Francisco terrminou, na quarta-feira, as catequeses sobre o Decálogo, afirmando que a lei só tem utilidade quando "toca o coração humano" e lembrando que a conversão só acontece "com a ação do Espírito Santo", o verdadeiro "professor" do crente.

Leia, na íntegra, a catequese do Papa.

Catequese sobre os Mandamentos, 14-A: Não desejar o cônjuge dos outros; não querer os bens dos outros.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Os nossos encontros sobre o Decálogo levam-nos hoje ao último mandamento. Escutámo-lo na abertura deste encontro. Estas não são apenas as últimas palavras do texto, mas são muito mais: elas são o cumprimento da viagem empreendida através do Decálogo, tocando o coração de tudo o que nele está consignado. Na verdade, e em retrospetiva, não adiciona novos conteúdos: as indicações «não cobiçarás a mulher [...], nem coisa alguma do teu próximo» estão, ao menos, latentes nos mandamentos sobre o adultério e sobre o roubo; Qual é então a função destas palavras? Serão elas um resumo? Ou algo mais?

Tenhamos bem presente que todos os mandamentos têm a tarefa de indicar o limite da vida, o limite além do qual o homem se destrói a si mesmo e aos outros, estragando a sua relação com Deus. Se vais além de, destróis-te a ti mesmo, destróis também o relacionamento com Deus e o relacionamento com os outros. Os mandamentos assinalam isso. Através desta última palavra enfatiza-se o facto de que todas as transgressões surgem de uma raiz interna comum: os maus desejos. Todos os pecados nascem de um desejo maligno. Tudo. Ali se começa a mover o coração, e entrando nesta onda termina numa transgressão. Mas não uma transgressão formal, legalista: numa transgressão que fere a si mesmo e aos outros.

No Evangelho o Senhor Jesus di-lo explicitamente: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. Todas estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro.» (Mc 7,21-23).

Entendamos, portanto, que todo o percurso realizado pelo Decálogo não teria utilidade se não atingisse este nível, o do coração do homem. De onde vêm todas estas coisas más? O Decálogo mostra-se lucido e profundo neste aspeto: o ponto de chegada - o último mandamento - desta viagem é o coração, e se este, se o coração não está livre, o resto é serve de pouco. Este é o desafio: libertar o coração de todas estas coisas más e feias. Os preceitos de Deus podem ser reduzidos a apenas uma bela fachada de uma vida que ainda é uma existência de escravos e não de filhos. Muitas vezes, por detrás da máscara farisaica de correção sufocante, escode-se algo feio e não resolvido.

Devemos, em vez disso, deixemo-nos desmascarar por estes mandamentos, porque nos mostram a nossa própria pobreza, e nos conduzem a uma santa humilhação. Cada um de nós pode perguntar-se a si mesmo: mas quais são os desejos maus que me ocorrem sempre? Inveja, ganância, coscuvilhice? Todas estas coisas que vêm de dentro de mim. Todos se podem perguntar e isso fará bem a todos. O homem precisa desta humilhação abençoada, pela qual descobre que não pode libertar-se sozinho, causa pela qual grita a Deus para ser salvo. São Paulo explica iso de uma maneira insuperável, referindo-se ao mandamento de não desejar (cf. Rm 7: 7-24).

É inútil pensar que se consegue corrigir a si mesmo sem o dom do Espírito Santo. É inútil pensar em purificar o nosso coração num esforço titânico da nossa vontade: isso não é possível. Devemos abrir-nos ao relacionamento com Deus, em verdade e em liberdade: só assim os nossos esforços podem ser frutíferos, porque é o Espírito Santo que nos leva adiante.

A tarefa da Lei Bíblica não é a de iludir o homem a uma obediência literal que o leva a uma salvação artificial e, além disso, inatingível. A tarefa da Lei é levar o homem à sua verdade, isto é, à sua pobreza, que se torna uma autêntica abertura, uma abertura pessoal à misericórdia de Deus, que nos transforma e renova. Deus é o único capaz de renovar o nosso coração, desde que abramos os nossos corações a Ele: é a única condição; Ele faz tudo, mas temos de Lhe abrir o coração.

As últimas palavras do decálogo educam-nos a nos reconheceremos como mendigos; ajudam-nos a nos colocarmos em frente da confusão dos nossos corações, para parar de viver de forma egoísta e a tornar-se pobres em espírito, autêntica diante do Pai, deixando-nos resgatar pelo filho e ensinados pelo Espírito Santo. O Espírito Santo é o professor que nos guia: deixemo-nos ajudar. Nós somos pedintes, peçamos esta graça.

«Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus» (Mt 5,3). Sim, bem-aventurados aqueles que pararam de se iludir acreditando que podem salvar-se da sua fraqueza sem a misericórdia de Deus, o único que pode curar. Somente a misericórdia de Deus cura o coração. Bem-aventurados aqueles que reconhecem os seus maus desejos e com um coração arrependido e humilde não se colocam diante de Deus e de outros homens como justos, mas como pecadores. É lindo que Pedro disse ao Senhor: "Afasta-te de mim, Senhor, que sou um pecador". Bela oração esta: “Afasta-te de mim, Senhor, por sou pecador”. Estes são aqueles que sabem como ter compaixão, que sabem como ter misericórdia dos outros, porque eles experimentam isso em si mesmos.

Tradução Educris a partir do original em Italiano



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