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Ângelus: «Cristianismo cresce por atração, não por proselitismo»

Francisco convidou os crentes a ultrapassarem a dicotomia "amigo/inimigo" a fim de abrir o coração para "reconhecer a presença e ação de Deus mesmo em âmbitos incomuns e imprevisíveis e em pessoas que não fazem parte do nosso círculo".

leia, na íntegra, a alocução do papa Francisco.

O Evangelho deste domingo (cf. Mc 9,38-43,45.47-48) apresenta-nos um destes detalhes muito instrutivos da vida de Jesus para com os seus discípulos. Eles tinham visto que um homem, que não fazia parte do grupo de seguidores de Jesus, expulsou demónios em nome de Jesus e, portanto, queriam proibi-lo. João, com o entusiasmo zeloso típico dos jovens, remete a questão para o Mestre procurando o seu apoio; mas Jesus, ao contrário do previsto, responde: «Não impeçais, porque não há ninguém que faça um milagre em meu nome que possa falar mal de mim. Quem não é contra nós é por nós» (vv. 39-40 ).

João e os outros discípulos manifestam uma atitude de fechamento diante de um acontecimento que não se encaixa nos seus esquemas, neste caso a ação, embora boa, de uma pessoa "externa" ao círculo de seguidores. Em vez disso, Jesus parece muito livre, totalmente aberto à liberdade do Espírito de Deus, que na sua ação não é limitado por nenhum limite e por qualquer recinto. Jesus quer educar os seus discípulos, ainda hoje, para esta liberdade interior.

É bom refletir sobre este episódio e fazer um exame pessoal. A atitude dos discípulos de Jesus é muito humana, muito comum, e podemos encontrá-la nas comunidades cristãs de todos os tempos, provavelmente também em nós mesmos. De boa fé, de facto, com zelo, gostaríamos de proteger a autenticidade de uma certa experiência, protegendo o fundador ou o líder de falsos imitadores. Mas, ao mesmo tempo que há o medo da "concorrência" - e isso é mau: o medo da concorrência - que alguém possa roubar novos seguidores, não permite apreciar o bem que os outros fazem: não é bom porque "não é nosso", diziam eles. É uma forma de autorreferencialidade. De facto, aqui está a raiz do proselitismo. E a Igreja - disse o Papa Bento XVI - não cresce por proselitismo, cresce pela atração, isto é, cresce pelo testemunho dado aos outros pelo poder do Espírito Santo.

A grande liberdade de Deus em entregar-se a nós é um desafio e uma exortação para mudar as nossas atitudes e os nossos relacionamentos. É o convite que Jesus nos dirige hoje. Ele convida-nos não pensar nas categorias de "amigo / inimigo", "nós / eles", "quem está dentro/ quem está fora", "meu / teu", mas a ir além, para abrir o coração a fim de reconhecer a sua presença e a ação de Deus, mesmo em âmbitos incomuns e imprevisíveis e em pessoas que não fazem parte do nosso círculo. É uma questão de estar mais atento à genuinidade do bem, do belo e do verdadeiro que é realizado, mais do que no nome e procedência daqueles que o fazem. E - como o resto do Evangelho de hoje sugere - em vez de julgar os outros, devemos examinar-nos a nós e a "cortar" sem comprometer tudo o que pode escandalizar as pessoas mais debilitadas na fé.

A Virgem Maria, modelo de aceitação dócil das surpresas de Deus, nos ajude a reconhecer os sinais da presença do Senhor no meio de nós, descobrindo-O onde ele se manifesta, mesmo nas situações mais inesperadas e incomuns. Nos ensine a amar a nossa comunidade sem ciúmes e fechamentos, sempre abertos ao vasto horizonte da ação do Espírito Santo.

Tradução Educris a partir do original em Italiano

Educris|30.09.2018

 



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