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Porto: As valências e aplicações da Inteligência Espiritual

Na tarde do passado dia 12 de julho Francesc Torralba, especialista em Inteligência Espiritual, explicou a mais de 150 professores, as valências e as aplicações práticas da Inteligência Espiritual.

Numa iniciativa da Fundação Manuel Leão, em parceria com algumas escolas católicas do Porto, o professor catedrático de ética apresentou a Inteligência Espiritual como uma ferramenta “multiusos” e sublinhou “quatro valências desta inteligência em dezassete que desenvolve na sua ultima obra «Inteligencia espiritual en los ninos».

A primeira valência é a que “é gerada pela interrogação acerca do sentido da própria existência. Como educamos isto na escola? Ou será que o tapamos?”, questionou.

A segunda valência é a capacidade de “tomarmos distância de nós mesmos numa atitude e autoanálise, de exame de consciência” que permite “melhorar no dia seguinte a minha ação. Sem esta capacidade bem arrigada em nós não somos verdadeiramente livres”, sustentou o autor.

A terceira valência prende-se com a “capacidade de transcender, de ir mais além de entrar em terrenos desconhecidos”.

A quarta valência tem a ver com a “capacidade de maravilhar-se. Deixar-se interrogar pela realidade”:

“ É o que nos acontece perante uma paisagem natural. As crianças deixam-se maravilhar. Isto porque a realidade é nova. Hoje temos crianças que sofreram um sequestro da inocência. Antes de se maravilharem já viram tudo pela internet. Tem epiderme de elefante. São insensíveis perante o sofrimento e a dor. Quando alguém se maravilha começam as perguntas. Se não nos maravilhamos estamos espiritualmente mortos. Por detrás de um físico ou de um químico está alguém espiritualmente ativo”.

Um dos problemas da escola ocidental atual é, no dizer de Francesc Torralba, a tentação de “darmos respostas sem ter sequer surgido a pergunta. Queremos alunos que se maravilhem mas enchemo-los com respostas que não precisam naquele momento. O poder de deixar-nos assombrar é da área da inteligência espiritual”, sustentou.

Educar para a Inteligência Espiritual em contesto escolar

No final da sua palestra o professor de ética na universidade Ramón Llull apresentou cinco focos práticos sobre “como desenvolver a inteligência espiritual das novas gerações em contexto escolar”.

O silêncio surge como primeiro foco numa “geração que não tolera o silêncio”:

“O que observamos em todas as tradições religiosas é que o silêncio desempenha um lugar central no desenvolvimento da espiritualidade. O silêncio é uma ocasião para o desenvolvimento da Inteligência Espiritual”. O autor sustentou que a prática do silêncio traz benefícios ao “nível da concentração e no rendimento escolar”.

Um segundo foco prende-se com a introdução de pequenas “narrativas, histórias e parábolas que tragam à reflexão os temas da morte, do sentido, da formação ética e estética” e que “obriguem os mais novos a pensar”.

Como terceiro foco Francesc Torralba lembrou a importância da “música que é, em muitos países o parente pobre da escola”:

“A música e a inteligência espiritual têm paralelos. A música traz consigo a nostalgia e a recordação sendo um contributo essencial para o suscitar emoções e provocar libertação”.

Os dois últimos focos apontados pelo autor situam-se em fazer os alunos experimentar “situações de fragilidade” que passa por sair “do seu conforto existencial e experimentar quem me sustenta de facto em situação limite” e o uso de “produtos audiovisuais que estimulem o debate espiritual”.

Educris|14.07.2017



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