CEI/Budapeste: «Deus revela-Se em diferentes ocasiões», padre Pedro Manuel

Todos dos dias o padre Pedro Manuel, da Diocese do Algarve apresenta, aos leitores do site da Educação Cristã (EDUCRIS), um resumo dos trabalhos do Congresso Eucarístico Internacional, que decorre em Budapeste, em chave catequética

O Cardeal Josip Bonasi?, arcebispo de Zagreb, presidiu hoje à oração de laudes e deixou-nos algumas intuições que quero partilhar. Em Budapeste viveu-se hoje o “dia da Fé”. Toda a nossa vida de Fé deve ler-se na lógica da cruz. O Senhor escolhe sempre “o que é fraco para confundir os fortes” (1Cor 1, 27) porque a Sua força divina manifesta-se na debilidade de quem reconhece a Deus e O segue. São os pequenos que confiam em Deus em todas as situações e que descobrem a eucaristia como “remédio e não como premio” (Papa Francisco). A Santa Eucaristia une os pobres que tal como as primeiras comunidades “acreditaram no amor” (1Jo 4, 16).

O Cardeal Dominik Duka, arcebispo de Praga, fez um apanhado da história dos congressos eucarísticos internacionais relacionando o estado do mundo na primeira hora e hoje também. Esta importante iniciativa eclesial não nasce da hierarquia mas do povo de Deus, em França, e as manifestações presenciais desde a primeira hora até aos nossos dias manifestam a catolicidade do evento e a profundidade do mistério eucarístico. “Jesus é a salvação da humanidade, por isso, o nosso trabalho missionário deve olhar o passado como esperança e o futuro que é o próprio Cristo”. “A Eucaristia é a fonte de onde mana o potencial evangelizador e o modo de ser de Jesus passa pelo cristão e pelo seu testemunho”. Como disse S. Paulo VI: “o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas que que os mestres ou então se escuta os mestres, é porque são testemunhas”. Muitos santos “nascem” assim.

Deus ama a Sua criatura sem condições porque o amor vence o ódio e o cristianismo deriva da opção de amor de Deus, deriva da cruz que é objetivamente o encontro do vertical com o horizontal.

“A Eucaristia é um acto de amor cósmico que abraça e penetra o mundo”.

A conversão eucarística é o começo da conversão a que está destinada a criação. Afirmando que “ a Eucaristia é impensável sem a comunhão da Igreja, exortou os presentes a fazermos a Igreja a partir da Eucaristia”… grande desafio, este!

O testemunho desta manhã veio da parte do Presidente da República, János Ader. Teve um tripé de apoio. Em primeiro lugar a sua ida ao Vaticano. Revestida de um conjunto de “acasos” percebeu que toda a coordenação e vivência não era fruto de coincidências, mas da mão de Deus que guia a história e a sua missão presidencial.” Descobriu o valor de cada coisa para nisso alentar o exercício da justiça pelo amor e pela paz”. A segunda ideia parte da “logopedia”. Importa educar a voz, ouvir para não falar aceleradamente mas com a consciência de que a voz que reza é a mesma que descobre que “Deus está junto de cada um, mesmo quando não nos levantamos percebemos que Ele nos pode levantar”… isto é a Fé. Por fim, o terceiro aspecto. O que pode unir numa obra o pintor e o poeta? O que pode unir a Fé e a ciência? - O conhecimento do bem e do mal. Jesus abraça o mundo na cruz antes de regressar ao Pai, no momento em que entrega o Espírito aos Seus e fica no meio deles pela Sua Palavra. A busca de Deus é uma busca activa. Mesmo quando todos nos deixam e ninguém chega ao nosso pranto, aí chega o Senhor que por meio de sinais e não por obras casuais anima e alenta aquele que vive segundo a Sua lei e administra bem os Seus dons.

A eucaristia de hoje foi presidida pelo arcebispo do Luxemburgo, o cardeal Jean-Claude Hollerich, que na homilia nos exortou e contextualizou dizendo que “o medo apoderou-se, nos últimos tempos, do coração de muitas pessoas devido ao fracasso económico, às hospitalizações, à morte… Ainda assim a alguns chegou a assistência sacramental e comunhão espiritual: a esperança! A Fé em Cristo que vive na Igreja e no meio do mundo e que no nosso continente corre o risco de se extinguir resulta do contacto com o Deus vivo - tem uma dinâmica missionária: partilhar a Fé levará à descoberta de Jesus, novamente, na Europa. A Fé necessita de madeira e ar para se manter viva pois tem uma dimensão de eternidade. No deserto das nossas vidas corremos o risco de reduzi-la. Por isso a Eucaristia é a melhor forma de a viver e de a alimentar. Rezemos pela nossa Fé, pela Igreja, por uma Fé com Esperança e Caridade. Uma Fé sem trabalho está morta. - Que a Fé nos abra ao Deus vivo!

Agora é o caminho da sinodalidade confiantes de que Jesus, Pão de Vida Eterna, vem resgatar as nossas debilidades”.

No workshop da tarde acompanhamos hoje duas perspetivas.

A primeira foi com o Cardeal Soo-jung, arcebispo de Seul e administrador apostólico de Pyonggyang. Tendo presente o drama que se vive actualmente na Coreia antevemos que esta partilha terá de ser balizada pela verdade e pelo bom senso. A igreja florescente do Sul não corresponde à igreja clandestina do Norte, mas ambas nasceram do sangue de muitos milhares de mártires que ao longo da história têm feito erguer e acontecer a Fé na península. Ainda nos dias de hoje encontramos os limites da Fé vivida a Norte, e o entusiasmo do sul, sabendo que em nenhuma circunstância o Senhor os abandonou. Esta jovem igreja não teve tempo de maturar e reconstruir os escombros de uma história devastada pelas invasões, pela guerra civil e pela divisão e ódio fratricida em que ainda vive. Impeliu-nos o cardeal a que com ele e a sua igreja rezássemos pela reunificação e liberdade da Fé nas duas Coreias e que diante de todos os retrocessos civilizacionais de âmbito moral fossem capazes de alegremente propor a Fé como caminho e especialmente como forma de vida.

A segunda partilha da tarde passou pela temática da “Eucaristia como medicina da liberdade”. A partir de testemunhos reais de toxicodependentes, D. Andrea Dellatorre, George Sxhwartz e a comunidade Cenáculo partilharam que Jesus é a Luz neste corações feridos e que a partir da libertação de cada um, se tornam anunciadores de uma vida que quer ser cada vez mais grata. “Deus nunca Se esquece de amar os Seus filhos”. Os jovens destruídos pelo mal são abraçados por Deus na Eucaristia uma vez que depois das lágrimas chega a alegria ((Sl 30, 5) do regresso a casa” (Lc 15). Cada jovem se descobre como criado e amado por Deus e é essa dinâmica que o reconstrói. Uma vez reconstruídos tornam-se “loucos de amor” tal como o enamorado é capaz de amar loucamente. A concluir os testemunhos evidenciaram que a primeira busca é a da felicidade fácil, depois é a da dependência e, por fim, o estado de cura é a maturidade interior de tudo entregar ao Senhor”.

Diante de tudo isto só podemos dizer com Fé: Bendito seja Deus!

Padre Pedro Manuel, delegado da Diocese do Algarve ao CEI - Budapeste 2020 (em 2021)

Educris|11.09.2021

O padre Pedro Manuel escreve com a grafia anterior ao acordo ortográfico



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