Comissão Justiça e Paz pede «políticas de inclusão social» para portugueses ciganos

Organismo da Conferência Episcopal Portuguesa pede «cidadania plena» para cidadãos alvo de constantes “afirmações injustas e incorretas”

A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) lamentou hoje a existência de “estereótipias e preconceitos” que se continuam a fazer sentir sobre os portugueses ciganos e denunciou a existência de “pobreza e miséria” que persiste em cerca de metade da comunidade.

“Sabemos que aproximadamente metade, permanece numa situação de pobreza extrema e exclusão, fruto do desconhecimento acerca de uma realidade que é múltipla, complexa e diversificada, e que permanece fechada num quase gueto de isolamento e discriminação”, lê-se na nota da organização católica hoje enviada ao EDUCRIS.

Na «Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz sobre os cidadãos portugueses ciganos», o organismo da CEP considera que a “Estratégia Nacional para a Integração das Comunidades Ciganas” teve “alguns impactos positivos”, mas sustenta a necessidade de reforçar “a implementação das políticas públicas de inclusão social a elas dirigidas, nomeadamente nas áreas da habitação, da educação e do emprego”.

“As políticas públicas, destinadas a todos, tardam a ser integralmente aplicadas a este grupo de cidadãos. Basta pensar em decisões, institucionais que permitiram que o direito à educação das meninas ciganas não se realizasse em nome da ‘identidade cultural’”, lê-se.

A missiva faz eco do novo quadro estratégico para a igualdade, a inclusão e a participação dos ciganos, aprovado em outubro de 2020 pela União Europeia, e onde se considera que a aposta deve estar em sete domínios principais: igualdade, inclusão, participação, educação, emprego, saúde e habitação.

Lembrando a declaração de Abu Dhabi, entre Papa Francisco e o grande Imã de Al-Azhar, assinada em 2019, a Comissão Nacional Justiça e Paz apela “ao reconhecimento e implementação deste conceito de cidadania plena, inclusivo, que recusa estigmas e práticas discriminatórias e excludentes, que exige o conhecimento de cada parte e a sua aproximação, que é promotor da igualdade e da justiça”.

“Assim, para que ninguém fique para trás, e tal como é proclamado na declaração Abu Dhabi, consideramos urgente «a adoção de uma cultura de diálogo, a cooperação mútua como código de conduta, a compreensão recíproca como método padrão»”, conclui.

Educris|02.02.2021

Imagem: Quino al| Unsplash



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