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«Não tenhais medo de ser fermento, de sujar as mãos», Papa Francisco

Pontífice fechou «Economia de Francisco» com desafios a um “pacto global” que a todos envolva e coloque “no centro os pobres e a terra”

O Papa Francisco pediu hoje aos jovens para “não terem medo” de “sujar as mãos” e serem “protagonistas do hoje e do amanhã” de modo a que “o sonho de Deus” se torne real na terra.

“Um novo futuro está em gestação. Cada um de vós pode fazer muito nos locais onde habita. Não escolhais atalhos, mas caminhos que vos tornem fermento, capazes de sujar as mãos e d influenciar decisões macroeconómicas onde todos possam ter um lugar”, apelou.

No final da iniciativa «Economia de Francisco», que juntou participantes de mais de 112 países de todo o Mundo o papa lembrou que “ninguém se salva sozinho” e desafiou os mais jovens a não terem medo de “se envolverem nas questões e tocarem a alma das cidades com o olhar de Jesus”.

“Não tenhais medo de vos envolverdes e tocardes as almas das cidades com o olhar de Jesus. Precisamos uns dos outros para dar vida a esta cultura económica que seja lugar do florescimento da esperança”, apontou.

Num retrato que partiu “da vocação de Assis” o papa denunciou “a doce tristeza de quem vive só para si” e sustentou que o encontro não é ponto de chegada, mas impulso inicial de um processo que somos convidados a viver”.

“É urgente criar uma narrativa económica diferente. É urgente reconhecer, com responsabilidade, de que o atual sistema mundial é insustentável, de vários modos, e afeta a nossa irmã terra e os mais pobres”, denunciou.

Atuar ou ser esquecido pela história

Num momento de pandemia que “apenas agravou as desigualdades” Francisco pediu “uma consciência responsável aos mais novos” e considerou que estes “tem um papel primordial”.

“As nossas decisões de hoje vão atingir-vos. Não podeis ficar fora das decisões onde se gera o presente e o futuro. Ou estais envolvidos ou a história esquecer-vos-á”, lembrou.

O papa pediu aos participantes para “atuarem onde são construídas as novas histórias e paradigmas” e apontou a “uma mudança, uma nova cultura” que tenha em consideração “a política, a economia, a educação e a espiritualidade” para que se iniciem processos de mudança.

“Todos os esforços para melhorar, administrar, cuidar da nossa casa comum requerem a alteração dos estilos de vida, modelos de produção e consumo, e estruturas de poder que regem a sociedade. Se não fizermos isso não mudamos nada”, sustentou.

Voltar à mística do Bem Comum

Citando o papa emérito Bento XVI o papa argentino lembrou que hoje o problema da fome “não depende tanto de uma escassez material, mas da escassez de recursos sociais dos quais o mais importante é de natureza institucional” e desafiou: “Se fordes capazes de resolver isto tereis uma via aberta de futuro”.

Apelando a uma capacidade de “ouvir diferentes perspetivas e interlocutores” Francisco considerou que “a atual crise económica e social deve levar-nos de volta à mística do bem comum” que conduza a “uma revolução saudável dos conflitos” baseada “na cultura do encontro que é o oposto da cultura do descarte”.

“Não é suficiente procurar paliativos ou simples respostas filantrópicas. É urgente perceber que o pobre tem dignidade suficiente para estar nas nossas discussões e levar o pão para a sua casa. Isto é mais do que assistencialismo. É um novo paradigma acerca do lugar do outro”, admitiu.

O Pacto de Assis: O papel da Doutrina Social da Igreja

No final da sua intervenção o Papa Francisco considerou ter chegado o momento de assumir “o risco de encorajar e desenvolver modelos de desenvolvimento e sustentabilidade onde os excluídos, os pobres, a terra, deixam de ser uma presença nominal para serem protagonistas das suas vidas e do tecido social”.

“Devemos pensar com eles. Pensemos com eles porque o foco será determinado pelo desenvolvimento humano integral tão bem elaborado pela Doutrina Social da Igreja. A política e a economia não podem submeter-se à tecnocracia, mas estar ao serviço da vida”.

Citando São Paulo VI o papa terminou lembrando que o desenvolvimento não se reduz a um simples crescimento económico. "Para ser autêntico deve ser integral. Deve promover todos os homens e o homem todo. O económico não se pode separar do humano”, disse.

 “Precisamos uns dos outros para dar vida a esta cultura económica onde floresça a esperança. Estimular a esperança, fechar feridas e ressuscitar uma aurora de esperança e criar um imaginário positivo que aqueça os corações e inspire os jovens, a todos, a uma visão de futuro repleto da alegria do evangelho", concluiu.

Educris|21.11.2020






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