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«Economia de Francisco»: Vaticano desafia a dar «uma alma à Economia do Futuro»

Jovens e economistas de 120 países iniciaram hoje conferência global que analisa novos modelos económicos

 

São mais de 2 mil, de todo o mundo. Jovens, economistas, empresários e ativistas, prémios nobel e empreendedores, aqueles que a partir de hoje e até ao próximo sábado debatem um novo modelo económico que coloque o ser humano no centro das preocupações económicas.

Na sessão de abertura, que decorreu esta tarde na web a partir da cidade italiana de Assis, o cardeal Peter Turkson desafiou os jovens a dar “uma alma à Economia do futuro”, para que esta seja “inclusiva, sustentável”, fraterna e ecológica” e apelidou-os de “rede global de jovens líderes e promotores de mudança”.

Na sua intervenção a partir de Roma o prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, considerou essencial a passagem de um “modelo centrado no lucro e especulação” para uma “economia social que investe nas pessoas” e empresas, capaz de “reconhecer a dignidade de cada indivíduo, independentemente do seu papel”.

Citando o Papa Francisco o cardeal do Gana pediu uma economia diferente que olhe o outro como irmão e irmã no mesmo mundo. Se queremos mudar a sociedade temos de criar trabalhos dignos e bem pagos, especialmente para as novas gerações. Isto requer o aparecimento de modelos económicos mais equitativos que não beneficiem uns poucos em detrimento de outros, mas que tenham em conta as pessoas normais e a sociedade com um todo saindo de uma economia líquida para uma economia social”.

“Não é por acaso que este acontecimento acontece em Assis. São Francisco é uma inspiração para trabalho social e para a fraternidade num mundo dividido”, sustentou.

“Estamos aqui para perceber o que é necessário para curar o mundo. Precisamos de perceber o significado de companhia, ou corporação. Temos de reconhecer a dignidade de cada individuo e o seu papel, os seus talentos, para o bem de todos”, considerou.

Inicialmente marcada para março, e adiada em virtude da crise pandémica mundial, a «Economia de Francisco» realiza-se até ao próximo sábado em versão online.

Também Stefano Zamagni, presidente da Academia Pontifícia das Ciências Sociais, da Santa Sé, se dirigiu aos participantes e reforçou a necessidade de uma “aliança” capaz de mudar a economia e combater a “mentalidade do descarte e a globalização da indiferença” que o Papa tem denunciado.

O responsável do organismo da Santa Sé questionou os critérios atuais para definir “valor” que apenas valoriza “o preço de mercado” que reduz a verdadeira profundidade dos termos.

“As companhias precisam de requalificar os seus propósitos os objetivos simplistas de lucro. Qual o seu impacto social e a longo termo? É urgente um novo sistema financeiro, mais humano, que inclua critérios financeiros, sociais e ambientais, a partir dos pilares da fraternidade e que queira saber do ambiente”.

“O lucro não é o problema em si mas é um ciclo incompleto”, completou.

No início dos trabalhos os organizadores mostraram a mensagem do Papa na sua conta no Twitter: “A terra e os seus pobres têm urgente necessidade de uma economia saudável e de um desenvolvimento sustentável. Por isso, somos chamados a rever os nossos esquemas mentais e morais, para que estejam em conformidade com os mandamentos de Deus e com as exigências do bem comum”.

Até sábado é possível acompanhar os trabalhos em www.francescoeconomy.org, com temas que “vão da alegria de viver melhor às finanças e à Inteligência Artificial”, e que contam com intervenções de Muhammad Yunus (Bangladesh), Michael Spence e outros economistas influentes como o Jeffrey Sachs e a Mariana Mazzucato”.

Portugal presente na iniciativa

Em Portugal a preparação do encontro envolveu as escolas e associações de negócios portuguesas, nomeadamente a ACEGE-Associação Cristã de Empregados e Gestores; as faculdades de economia e gestão da Nova e da Universidade Católica Portuguesa e a AESE Business School; o projeto “Economia de Comunhão”, do Movimento dos Focolares; e a Comissão Nacional Justiça e Paz que criaram "uma rede de pessoas que se movem por este novo paradigma, que procuram desafiar, fazer refletir e questionar o que precisa de ser transformado na economia estabelecida, em prol de uma economia mais centrada no amor e no cuidado pelo que nos rodeia”.

Educris|19.11.2020



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