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Eucaristia de encerramento peregrinação dos Catequistas em Roma

Disponibilizamos a homília do Papa Francisco proferida esta manhã em São Pedro no encerramento da Peregrinação Mundial dos catequistas. Ao todo mais de 100 mil pessoas participaram na missa sendo 20 mil catequistas que aqui viram professar a fé junto o túmulo do apóstolo Pedro e confirmá-la junto ao seu sucessor na Terra, o papa Francisco.

 

Homilia do papa Francisco

 

Praça de São Pedro
29,setembro de 2013
 

1. " Ai daqueles que estão comodamente em Sião, deitados em camas de marfim " (Am 6,1.4), comer, beber, cantar, divertem-se e não se preocupam com os problemas dos outros.

São palavras duras do profeta Amós, mas alertam-nos para um perigo que todos corremos. O que é que denuncia este mensageiro de Deus, o que coloca diante dos olhos dos seus contemporâneos e também diante de nós hoje? O risco de encostar-se, do conforto, da vida e de um coração mundanos, de nos concentrarmos no nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, vestidos de roupas luxuosas e banqueteando cada dia com a abundancia; isso é o mais importante para ele. E o pobre que estava á sua porta e não tinha o que comer? Não lhe dizia respostei, não tinha a ver com ele. Se as coisas, o dinheiro, o mundo se convertem no centro da vida, prendem-nos, apoderam-se d nós, perdemos a nossa própria identidade como Homens. Observa que o rico evangelho não tem nome, é simplesmente "um rico". As coisas, o que possui, são o seu rosto, não tem outro.

Mas tentemos perguntar-nos: Por que é que isto acontece? Como é possível que os homens, talvez nós também, caiamos no perigo de fecharmo-nos, de por a nossa segurança nas coisas, que no fim de tudo nos roubam o rosto, o nosso próprio rosto humano?

Se perdemos a memória de Deus, também nós perdemos a consistência, também nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto como o rico do evangelho. " Aí daqueles que estão receosos de Sião ", dizia o profeta. Se falta a memória de Deus, tudo fica reduzido, tudo permanece no eu, no meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, e não contam para nada, tudo se reduz a uma só dimensão: ter coisas. Se perdemos a memória de Deus também perdemos a nossa consistência, também nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto como o rico do Evangelho. Quem corre atrás de nada, converte-se, ele mesmo, em nada, diz-nos outro grande profeta, o profeta Jeremias (CF: Jer 2,5). Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, e não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos.

2. Então, olhando para vocês, pergunto-me: Quem é o catequista? É que o que guarda e alimenta a memória de Deus; a custodia em sim mesmo e sala desperta-la nos outros. Que belo isto é: fazer memória de Deus, como a virgem Maria que, perante a obra maravilhosa de Deus na sua vida, no pensa em honras, prestigio, riqueza, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de receber o anuncio do anjo e ter concebido o filho de Deus, o que faz? Poe-se a caminho, vai à terra da sua parente Isabel, já idosa, para a ajudar; e ao encontrar-se com ela, o seu primeiro gesto é fazer memória da obra de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “a minha alma engrandece o Senhor... ele olhou para a humildade de sua serva ... a sua misericórdia é sobre aqueles que o temem , de geração em geração "(Lc 1,46.48.50 ) . Maria tem memória de Deus.

Neste canto de Maria está também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiencia de fé. E assim é para cada um de nós, para todo o cristão: A fé contém precisamente a memória da história de Deus connosco, a memória do encontro com Deus, que é o primeiro a vir ao nosso encontro, o criador e o que salva, que nos transforma: a fé é memória da sua Palavra que inflama o coração das suas obras de salvação com as quais nos dá a vida, purifica-nos, cura e alimenta. O catequista é o cristão que põe esta memória ao serviço do anúncio; não para exibir-se, não para falar de si mesmo, mas para falar de Deus, do seu amor e da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou é o mesmo que falar da doutrina na sua totalidade, sem esquecer ou retirar nada.

São Paulo encoraja Timóteo seu discípulo e colaborador principalmente uma coisa: Lembra-te, lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dos mortos, a quem anuncio e por quem sofro (Tm, 28-9). Mas o apóstolo pode dizer isso porque ele é o primeiro a lembrar-se de Cristo, que o chamou quando ele era um perseguidor dos cristãos, o conquistou e transformou pela sua graça.

O catequista, então, é um cristão que carrega a memória de Deus, que se deixa guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e a sabe despertar no coração dos outros. Isto requer esforço. Compromete toda a vida. Mesmo o Catecismo: o que é senão memória de Deus, memória do seu atuar na história, de ter-se feito próximo de nós em Cristo, presente na sua Palavra, nos sacramentos, na sua igreja, no seu amor? Caros catequistas pergunto-vos: Somos nós memória de Deus? Somos verdadeiramente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus que inflama o coração?

3. “Ai daqueles que estão comodamente em Sião" , diz o profeta. Qual o caminho a seguir não é para ser "superficial", como aqueles que põem a sua confiança em si mesmos e nas coisas, mas os homens e mulheres da memória de Deus? Na segunda leitura, São Paulo, dirigindo-se de novo a Timóteo, dá algumas indicações que podem marcar também o caminho do catequista, o nosso caminho: Procurar a justiça, a piedade, a fé, a caridade, paciência, a mansidão (cf. 1 Tm 6,11) .

O catequista é um homem da memória de Deus, se tens um relacionamento constante e vital com Ele e com os outros; se és homem de fé, que realmente confia em Deus e nele coloca sua segurança; se és um homem de caridade, amor que vê a todos como irmãos; se és um homem de " hypomoné"[ndr: termo grego, já antes usado pelo Papa para definir a paciência capaz de se preocupar e de ir ao encontro do outro], perseverança, que fazer frentes às dificuldades, das provas e fracassos, com serenidade e esperança no Senhor; se és um homem amável, capaz da compreensão e da misericórdia.

Peçamos ao Senhor que sejamos todos são todos homens e mulheres que guardam e cultivar a memória de Deus na própria vida e sabem despertar o coração dos outros. Ámen




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