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Moçambique: «Há um pânico total» de novos ataques, afirma padre Kwiriwi Fonseca

Responsável pela comunicação da diocese de Pemba é urgente ajudar as populações a superarem o medo

O padre Kwiriwi Fonseca, sacerdote de Pemba responsável pela comunicação da diocese do norte de Moçambique, afirma haver “um pânico generalizado nas populações face ao receio de novos ataques por parte dos grupos terroristas”.

“Basta ver a reação das pessoas sempre que se escutam tiros, mesmo que provenientes de zonas onde soldados das Forças de Segurança de Moçambique estão acantonados e a realizar treinos militares, ou face aos boatos que circulam inevitavelmente numa região em ambiente de guerra”, afirma em entrevista à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O sacerdote considera ser urgente “ajudar as pessoas a superarem este desassossego”, e desafia a “Igreja, as organizações não-governamentais e o governo” a agir de modo a regresse “a confiança e a segurança” perdidas.

 Atualmente, e sem ataques desde dia 27 de abril, as populações vivem em “estado de alerta permanente” o que “requer muita coragem”, numa altura em que estão desaparecidas centenas de pessoas.

“Fala-se que terão fugido cerca de 25 mil pessoas. Mas saber o número exato dos que foram raptados é difícil porque [é um processo] que leva muito tempo. Há relatos de crianças desaparecidos, de jovens mulheres, homens… desaparecidos. E desses não sabemos o seu paradeiro, não sabemos se estão todos nas mãos dos terroristas ou perdidos em algum lugar. A nossa oração é que estejam seguros em algum lugar. Pois há vários lugares de refúgio que essas pessoas estão a usar, sim”, explica.

A Igreja tem procurado colocar todos os seus meios ao serviço da procura de familiares separados e o número de crianças sem família cresce diariamente.

 “Nós, como Rádio sem Fronteiras, quando aparece alguém que não consegue [saber dos seus familiares] dá-nos os nomes e nós tentamos localizar… a pessoa tal, a criança tal… temos feito esse trabalho. Temos feito esse trabalho e nós temos presenciado esse trabalho bonito de localização de desaparecidos”, diz.

Numa região devastada pela violência desde 2017 o padre passa a ser “uma espécie de pronto-socorro. É estar num plantão 24 horas por dia. Nós estamos nesta luta animados pois no final do dia podemos dizer que estamos vivos, não é?”, conclui.

Educris|01.05.2021

Imagem: AIS



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