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O «Discernimento é vital para o futuro da Igreja», Luís Miguel Rodrigues (C\vídeo)

Especialista em catequética foi o convidado da iniciativa «pequenas conversas», um podcast da Livraria Diário do Minho

«O sinal das igrejas vazias – para um Cristianismo que volta a partir», de Tomáš Halík serviu de ‘pano de fundo’ à conversa entre o padre Tiago Freitas, diretor da Livraria diário do Minho, e cónego Luís Miguel Rodrigues, Diretor-Adjunto da Faculdade de Teologia, da Universidade Católica Portuguesa, em Braga, com vasta obras na área da catequese.

Durante cerca de 40 minutos a obra foi ‘dissecada’ a partir da ideia do autor que “considera que nada mais será como dantes depois da pandemia” e estabeleceram-se ligações à catequese, à fé e à transmissão da fé.

Nos problemas da Igreja estão as soluções: A Sinodalidade e o Discernimento

Convidado a apontar “os problemas e as soluções” para “as igrejas vazias” o professor da UCP afirmou que “onde identificamos o problema da Igreja encontramos, também, a sua solução”.

“a primeira ‘coisa’ que nos falta é fazermos caminho juntos. Em termos técnicos chamar-lhe-íamos sinodalidade. Fomos habituados, durante muito tempo, a que uns façam e a maioria usufrua. Como se alguém pudesse arrogar-se do direito de que detém a verdade”, considerou.

Fazendo uso da expressão de Tomáš Halík que distingue na fé os ‘buscadores e os acomodados’ o cónego considera que “se estamos a fazer permanente discernimento” temos “que o partilhar”.

“Enquanto não tivermos um hábito sério de discernimento eclesial, nos conselhos pastorais, em grupos de pessoas que rezam juntas e que rezam o mundo procurando para ele resposta à luz da palavra de Deus continuaremos a experiência da fé para um tempo que não o nosso”, insistiu.

Para o padre Tiago Freitas a questão “do consumo da fé”, exposto no livro de Halík, faz com que “permaneçamos cristãos apaticamente consumidores o que nos foi transmitindo sem nunca termos refletindo criticamente sobre esse processo.

Como dizer por palavras minhas a alegria que me habita

O cónego Luís Miguel Rodrigues chamou a atenção para toda uma geração onde “a palavra nunca encarnou”.

“Pela nossa educação, pelo ambiente em que vivemos, crescemos em ambiente de cristandade. Deram-nos as respostas e mais tarde percebemos as perguntas”, lamentou.

Para o catequeta o desafio passa por “dizermos por palavras nossas a alegria de estarmos unidos a Jesus Cristo” procurando “fugir aos uns clichés “e às “formulações que aprendemos e nos limitamos a repetir”, constatou.

O perfil do cristão de hoje: uma abordagem

Num “desafio sempre incompleto e relativo” de traçar “um perfil do cristão de hoje em Portugal” o sacerdote apontou “aqueles que se esforçam por viver de acordo com aquilo que lhe ensinaram ser correto”.

“No entanto nunca fizeram um retiro, nunca fizeram a experiência de Deus, pessoal, de encontro. Nunca lhe falaram desta possibilidade! Temos muita gente sedenta de Deus. Temos um cristão com sede que sofre adiamentos porque a Igreja não consegue dar resposta à sua sede de plenitude”.

O padre Tiago Freitas considerou que o “cristianismo popular” tem uma componente “verdadeira se bem que nem sempre esclarecida”.

“Criticamos muito este tipo de cristianismo, próximos dos atos mágicos, mas não somos capazes de criar uma linguagem atual, clara, de fácil acesso e que permita às pessoas acolher o mistério e aprofundar o encontro com Ele”, constatou.

Uma educação Cristã que forme adultos e não os formate

“Na educação da fé socorremo-nos, muitas vezes ainda, da imagem de um Deus castigador. Como é que nós, adultos, assumimos as nossas feridas, e nos apoiamos no balsamo que é Deus que nos cura?”, questionou o cónego Luis Miguel Rodrigues.

Numa dinâmica de discernimento o também responsável pela Educação Cristã na Arquidiocese de Braga sustentou a necessidade “fazermos caminho” e de “ajudarmos os outros a serem eles próprios”.

“Mesmo na educação cristã ainda subsiste uma espécie de ‘forma’ que é o modelo de cristão e que formata as pessoas como se a forma de cada um não fosse perfeita porque criada à imagem e semelhança de Deus”, disse.

Para o cónego Luís Miguel “a igreja ainda tende a infantilizar as pessoas” porque continuamos “a dizer o que está certo ou errado”.

“Isto não é cristão, sequer. A formação cristã para adultos tem de dar ao adulto, desde o início, um respeito muito grande pelas suas características”.

Temos que “pensar que quando estamos diante de um adulto temos uma enciclopédia’ e que o quero ajudar a descobrir jesus tenho que partir da sua própria experiência para lermos os rastos que Deus foi deixando”.

Isto “é uma mudança muito grande de perspetiva”, considera.

Catequese inter-geracional e familiar

Olhando para a catequese da infância e adolescência o responsável sustentou que ainda “estamos a fazer uma educação da fé muito artificial pois usamos o método da revolução industrial e sentamo-los por idade”.

Para o também professor na UCP a edução da fé deve tender para um caminho “mais inter-geracional”, e aí “a família, sendo muito ajudada, tem um papel central para que todos juntos possam ser ‘buscadores de Deus’”, considerou.

Toda a conversa está disponível na página do facebook da Livraria Diário do Minho

Educris|22.05.2020

 



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