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Ângelus: Quaresma é tempo de fazer «experiência de perdão, acolhimento e caridade»

Perante milhares de fiéis que hoje a ele se juntaram na Praça de São Pedro para a recitação do Ângelus o Papa apontou a Quaresma como uma viagem de esperança.

Leia, na íntegra, a alocução do Papa após o Ângelus.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Neste quarto domingo da Quaresma, chamado Domingo "laetare", isto é "alegrar-se", porque assim está escrito na antífona de entrada da liturgia eucarística e que nos convida à alegria: "Alegra-te, Jerusalém [...]. - então, é um apelo à alegria - Exultar e alegrar-se, vós que estáveis tristes». Assim, começa a Missa. Qual é o motivo desta alegria? A razão é o grande amor de Deus pela humanidade, como o Evangelho de hoje nos diz: «Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Estas palavras, pronunciadas por Jesus durante a conversa com Nicodemos, resumem um tema que está no centro do anúncio cristão: mesmo quando a situação parece desesperada, Deus intervém, oferecendo ao homem a salvação e a alegria. Deus, de facto, não se afasta, mas entra na história da humanidade, se "imiscui" na nossa vida, entra, para animá-la com a sua graça e salvá-la.

Somos chamados a prestar atenção a este anúncio, rejeitando a tentação de nos considerarmos seguros de nós mesmos, de querermos fazer sem Deus, reivindicando a liberdade absoluta dele e da sua Palavra. Quando temos a coragem de nos reconhecer pelo que somos - é preciso coragem para isto! - Percebemos que somos pessoas chamadas a lidar com a nossa fragilidade e os nossos limites. Então pode acontecer sermos tomados pela angústia, pela inquietude do amanhã, pelo medo de doenças ou da morte. Isto explica por que muitas pessoas, procurando uma saída, adotam por vezes atalhos perigosos, como o túnel da droga ou o das superstições ou rituais mágicos ruinosos. É bom conhecer os limites, as próprias fragilidades, devemos conhecê-los, não para desesperar, mas para os oferecer ao Senhor; e Ele ajuda-nos no caminho da cura, leva-nos pela mão e nunca nos deixa sós, nunca! Deus está connosco e por isso "alegro-me", nos "regozijamos" hoje: "Alegra-te, Jerusalém", afirma-se, porque Deus está connosco.

E nós temos a verdadeira e a grande esperança em Deus Pai, rico em misericórdia, que nos deu o seu Filho para nos salvar, e esta é a nossa alegria. Nós também temos tantas tristezas, mas quando somos verdadeiros cristãos, há esta esperança que é uma pequena alegria que cresce e te dá segurança. Não devemos desanimar quando vemos as nossas limitações, os nossos pecados, as nossas fraquezas: Deus está próximo, Jesus está na cruz para nos curar. Este é o amor de Deus. Olhar o Crucifixo e dizer cá dentro: "Deus ama-me”. É verdade, existem estes limites, estas fraquezas, estes pecados, mas Ele é maior do que os limites, fraquezas e pecados. Não vos esqueçais disto: Deus é maior do que as nossas fraquezas, as nossas infidelidades, os nossos pecados. E tomemos o Senhor pela mão, contemplemos o Crucifixo e avancemos.

Maria, Mãe da Misericórdia, coloca no coração a certeza de que somos amados por Deus. Ela fica perto de nós quando nos sentimos sozinhos, quando somos tentados a nos render às dificuldades da vida. Que nos comunique os sentimentos do seu Filho Jesus, para que a nossa viagem de Quaresma se torne uma experiência de perdão, acolhimento e caridade.

Tradução Educris a partir do original em italiano






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