Audiência-geral:«Liturgia da Palavra. III. Credo e Oração Universal»

Na manhã desta quarta-feira o Papa Francisco encontrou-se na praça de São Pedro, no Vaticano, com milhares de peregrinos para a tradicional audiência-geral das quartas-feiras.

A décima catequese sobre a eucaristia teve como tema «A Santa Missa - 10. Liturgia da Palavra. III. Credo e Oração Universal»

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Bom dia, mesmo se o dia está um pouco para o mau. Mas se a alma está em alegria é sempre um bom dia. Então, bom dia! Hoje, a audiência far-se-á em dois lugares: um pequeno grupo de pacientes está na sala Paulo VI, por causa do tempo e nós que estamos aqui. Mas nós vemo-los e eles vêem-nos no ecrã grande. Saudemo-los com um aplauso.

Continuamos com a Catequese sobre a Missa. Ouvir as Leituras bíblicas, prolongadas na homilia, responde ao quê? Responde a um responde a um direito: o direito espiritual do povo de Deus a receber com abundância o tesouro da Palavra de Deus (cfr Intr. Lecc, 45). Cada um de nós, quando vai à Missa, tem o direito de receber abundantemente a Palavra de Deus bem lida, bem dita e então, bem explicado na homilia. É um direito! E quando a Palavra de Deus não é lida corretamente, não bem anunciada com fervor pelo diácono, o sacerdote ou o bispo, falta um direito aos fiéis. Temos o direito de ouvir a Palavra de Deus. O Senhor fala para todos, Pastores e fiéis. Ele bate no coração daqueles que participam da Missa, cada um na sua condição de vida, idade, situação. O Senhor consola, chama, desperta brotos de vida nova e reconciliada. E isto por meio da sua Palavra. Sua Palavra toca no coração e muda os corações!

Portanto, após a homilia, um tempo de silêncio permite que a semente recebida seja sedimentada na alma, de modo a que os propósitos de aderir ao que o Espírito sugeriu a cada possa nascer. O silêncio após a homilia. Um lindo silêncio deve ser feito ali e todos devem pensar sobre o que acabaram de escutar.

Depois deste silêncio, como continua a Missa? A resposta pessoal da fé faz parte da profissão de fé da Igreja, expressa no "Credo". Todos nós recitamos o "Credo" na Missa. Recitado por toda a assembleia, o Símbolo manifesta a resposta comum ao que foi ouvido da Palavra de Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica, 185-197). Existe uma ligação vital entre a escuta e a fé. Estão unidas. Esta - a fé - na verdade, não vem da imaginação das mentes humanas, mas, como ressalta São Paulo, «a fé surge da pregação, e a pregação surge pela palavra de Cristo» (Rm 10,17). A fé alimenta-se, portanto, da escuta que leva ao Sacramento. Assim, a recitação do "Credo" significa que a assembleia litúrgica «volta a meditar e a professar os grandes mistérios da fé, antes da celebração destes na Liturgia Eucarística» (Instrução Geral do Missal Romano, 67).

O Símbolo da fé vincula a Eucaristia ao batismo, recebido «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo», e lembra-nos que os sacramentos são compreensíveis à luz da fé da Igreja.

A resposta à Palavra de Deus aceite com fé é então exprime-se pois na suplica comum, denominada de Oração Universal, porque engloba as necessidades da Igreja e do mundo (cfr: IGMR, 69-71; Introdução ao Lecionário, 30-31). É também chamada de Oração dos fiéis.

Os Padres do Vaticano II queriam restabelecer esta oração após o Evangelho e a homilia, «especialmente nos domingos e festas de preceito, a “oração comum” ou “oração dos fiéis”, recitada após o Evangelho e a homilia, para que, com a participação do povo, se façam preces pela santa Igreja, pelos que nos governam, por aqueles a quem a necessidade oprime, por todos os homens e pela salvação de todo o mundo» (Constituição Sacrosanctum Concilium, 53; cfr 1 Tim 2, 1-2). Portanto, sob a orientação do sacerdote que apresenta e conclui «o povo, exercendo o seu sacerdócio batismal, oferece orações a Deus para a salvação de todos» (IGMR, 69). E depois das intenções individuais, propostas pelo diácono ou por um leitor, a assembleia une a sua voz invocando: «Ouvi-nos, Senhor».

De facto, lembremos o que o Senhor Jesus nos disse: "Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, tudo o que pedirdes vos será concedido (Jo 15, 7). "Mas não acreditamos nisto, porque temos pouca fé". Mas se tivéssemos fé - diz Jesus - como o trigo com mostarda, teríamos recebido tudo. “Pedi o que quiserdes que vos será dado”. E neste momento de oração universal após o Credo, é a altura de pedir ao Senhor as coisas mais fortes da Missa, as coisas que mais necessitamos, que mais desejamos. "Será concedido"; de uma forma ou de outra, mas "Será realizado". "Tudo é possível para quem crê", disse o Senhor. O que respondeu aquele homem a quem o Senhor se dirigiu para dizer esta palavra - tudo é possível ao que ele acredita? Ele disse: "Creio Senhor. Aumenta a minha pouca fé”. Podemos também dizer: "Senhor, eu acredito. Mas ajuda a minha pouca fé”. E devemos orar com este espírito de fé: "Eu creio Senhor, ajuda a minha pouca fé". As preces que partem da lógica mundana, por outro lado, não descolam até ao céu, assim como as preces autorreferenciais permanecem sem resposta (cfr Gc 4,2-3). As intenções pelas quais os fiéis são convidados a rezar devem dar voz às necessidades concretas da comunidade eclesial e do mundo, evitando o uso de fórmulas convencionais e míopes. A oração "universal", que conclui a liturgia da Palavra, exorta-nos a fazer nosso o próprio olhar de Deus, que cuida de todos os seus filhos.

 

Tradução Educris a partir do original em italiano

Educris|14.02.2018

 

 






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