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Darfur: ONU denuncia «violência generalizada»

Região do Darfur, no oeste do Sudão, é referida em relatório da ONU como lugar de "violência generalizada". Organização internacional pede intervenção governamental.

 

Recentemente haviam sido os Estados Unidos a pedir ao governo de Cartum para acabar “imediatamente” com as  demolições de Igrejas, como denunciado pela Fundação Católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). Desta vez foi a própria ONU a solicitar ao governo do Sudão "uma maior atenção na questão dos deslocados internos".

Em comunicado divulgado esta semana, o Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu ao Governo do Sudão para procurar materializar em “políticas efetivas, transparentes e duráveis”, formas que permitam aos cerca de 2,6 milhões deslocados pelo conflito em Darfur o regresso a “suas casas de forma voluntária” ou sejam integrados nas “comunidades anfitriãs”.

No referido comunicado, o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, lança um apelo ao executivo sudanês para agir de forma a que as populações deslocadas possam, efectivamente, regressar a suas casas.

Zeid Al Hussein afirma que, entre os motivos que têm impedido estas populações de regressar, está a “violência contínua”, incluindo a que é praticada por “milícias armadas”.

O alerta das Nações Unidas é resultado do clima de “violência generalizada” contra os “deslocados internos”, que resulta do clima de “impunidade” com que as “violações dos direitos humanos” são encarados nos campos existentes no Sudão.

Segundo a ONU, registam-se com frequência “na maioria dos 66 campos” existentes na região de Darfur, “casos de tiroteios aleatórios durante a noite, assédio a deslocados e violência sexual”.


Este alerta das Nações Unidas  surge poucos dias depois de John Sullivan, vice-secretário de Estado do governo norte-americano, ter pedido ao governo de Cartum para parar com demolições de “mesquitas e igrejas” no país, corroborando assim denuncias de grupos de defesa dos direitos humanos.

Sullivan, que falava na Universidade Al-Koran Al-Karim, em Omdurman, afirmou então que a forma como o governo do Sudão tem lidado com a questão dos direitos humanos e da liberdade religiosa será fundamental para a evolução das relações entre os dois países.

“À medida que avançamos no nosso relacionamento, os Estados Unidos não ignorarão as violações dos direitos humanos, incluindo o direito à liberdade religiosa”, afirmou Sullivan.

O Sudão é um país maioritariamente muçulmano – cerca de 90% da população –, em que a comunidade cristã não ultrapassa os 5,4%.

Desde que se verificou a secessão do Sudão do Sul, em relação ao Norte, em 2011, configurando as fronteiras dos dois países tal como se encontram actualmente, tem havido um aumento de violência contra os cristãos.

No último relatório sobre a liberdade religiosa no Mundo, a fundação pontifícia AIS havia reconhecido como um dos problemas o facto de no Sudão se considerar a lei da ‘sharia’ como fonte legislativa.

Sinal disso, são referidos diversos incidentes reveladores do clima de perseguição em relação à comunidade cristã nos últimos anos.

No referido relatório, afirma-se, em jeito de conclusão, que “a médio e longo prazo”, a não ser que ocorram mudanças profundas, “é provável” que o Sudão “se mantenha como país de especial preocupação, no que diz respeito às liberdades civis e à liberdade religiosa”.

Nesse sentido, pode ler-se no documento, que se prevê que “as minorias religiosas vão continuar a sofrer de perseguição, violência e maus-tratos”.

Educris com AIS



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