Audiência-geral: «A expetativa vigilante»

Disponibilizamos, na íntegra, a catequese do Papa Francisco subordinada ao tema «Esperança cristã - 36. A espetativa vigilante», proferida nesta manhã de quarta-feira na praça de São Pedro, no Vaticano 

 

Caros Irmãos e Irmãs, Bom dia!

Hoje vou debruçar-me sobre aquela dimensão da esperança, que é a espetativa vigilante. O tema da vigilância é um dos fios condutores do Novo Testamento. Jesus ensina aos discípulos: "Permanecei em traje de trabalho e guardai as vossas lâmpadas acesas. E sede como quem espera o seu Senhor voltar das núpcias, a fim de lhe abrir logo que ele chegar e bater "(Lc 12, 35-36). Neste tempo que vivemos após a ressurreição de Jesus, no qual se alteram continuamente os momentos serenos com outros mais agitados e angustiantes, os cristãos nunca desistem. O Evangelho recomenda a ser como servos que nunca vão dormir até que o seu patrão tenha voltado. Este mundo exige a nossa responsabilidade, e que a assumamos completamente com amor. Jesus quer que a nossa existência seja laboriosa, que nunca baixemos a guarda, para acolhermos com gratidão e espanto cada novo dia que nos é dado por Deus. Cada manhã é uma página branca que o cristão começa a escrever com as obras do bem. Nós já fomos salvos pela redenção de Jesus, mas agora aguardamos a manifestação completa do seu reino: quando finalmente Deus será tudo em todos (1 Cor 15:28). Nada é mais certo na fé dos cristãos do que este "compromisso", este encontro com o Senhor quando Ele vier. E quando esse dia chegar, nós, cristãos, queremos ser como aqueles servos que passaram a noite com os quadris cingidos e as lâmpadas iluminadas: é necessário estar pronto para a salvação que chega, prontos para o encontro. Haveis pensado, vós, como será aquele encontro com Jesus, quando Ele vier? Mas, será um abraço, uma grande alegria, uma grande alegria! Temos de viver em expetativa este encontro!

O cristão não é feito pelo tédio; mas pela paciência. Ele sabe que mesmo na monotonia de certos dias existe sempre oculto um mistério de graça. Há pessoas que com a perseverança do seu amor se tornam como poços que irrigam o deserto. Nada acontece em vão, e nenhuma situação em que um cristão esteja imerso é completamente refratária ao amor. Nenhuma noite é tão longa para esquecer a alegria do amanhecer. E quanto mais escura a noite, mais perto está o amanhecer. Se permanecermos unidos a Jesus, o frio dos momentos difíceis não nos paralisa; e se o mundo inteiro pregasse contra a esperança, se dissessem que o futuro apenas traria nuvens escuras, o cristão sabe que nesse mesmo futuro há o retorno de Cristo. Quando isto acontece, ninguém sabe senão o pensamento de que, no final da nossa história, há Jesus misericordioso, o bastante para ter confiança e não maldizer a vida. Tudo será salvo. Tudo. Sofreremos, haverá momentos de raiva e indignação, mas a doce e poderosa memória de Cristo afastará a tentação de pensar que esta vida está errada.

Depois de conhecer Jesus, não podemos fazer mais nada além de examinar a história com confiança e esperança. Jesus é como uma casa, e nós estamos dentro, e das janelas desta casa nós olhamos para o mundo. Então, nós não nos fechamos em nós mesmos, não ansiamos melancolicamente um passado que se presume dourado, mas olhamos sempre para a frente para um futuro que não é apenas o trabalho das nossas mãos, mas que acima de tudo é uma preocupação constante da providência de Deus. Tudo o que é opaco um dia verá a luz.

E pensemos que Deus não se nega a si mesmo. Nunca. Deus nunca dececiona. A Sua vontade sobre nós não é uma nebulosa, mas é um plano de salvação bem delineado: "Deus quer que todos os homens sejam salvos e conheçam a verdade" (1 Tm 2,4). Por isso não nos abandonamos, ao fruir dos acontecimentos com pessimismo, como se a história fosse um comboio que perdeu o controlo. A resignação não é uma virtude cristã. Como não é próprio dos cristãos levantarem os ombros ou vergar as suas cabeças diante de um destino que parece inevitável.

Aqueles que dão esperança ao mundo nunca são pessoas subservientes. Jesus recomenda a esperá-lo sem estar de braços cruzados: "Bem-aventurados os servos que o mestre encontrar acordados no seu retorno" (Lc 12,37). Não há construtor de paz que no final de contas não tenha comprometido a sua paz pessoal, assumindo os problemas dos outros. A pessoa subserviente, não é um construtor da paz mas um preguiçoso, um que se quer sentir confortável, cómodo. Ao passo que um cristão é um construtor de paz quando corre riscos, quando tem a coragem de arriscar para trazer o bem, o bem que Jesus nos deu, nos deu como um tesouro.

Em cada dia das nossas vidas, repetimos esta invocação que os primeiros discípulos expressaram na sua língua aramaica com a palavra Maranatha, e que encontramos no último versículo da Bíblia: "Vem, Senhor Jesus!" (Atos 22,20). É o refrão de toda a existência cristã: no nosso mundo não precisamos senão de uma carícia de Cristo. Que é graça, na oração, nos dias difíceis desta vida, ouvimos a sua voz que nos responde e nos tranquiliza: "Eis que eu venho em breve" (Atos 22, 7)!

Tradução Educris a partir do original em italiano

Educris|11.10.2017






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