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Angelus: Comunidades à "imagem da Santíssima Trindade"

Na manhã desta Domingo, solenidade da Santíssima Trindade, o Papa Francisco rezou a oraçao mariana do Angelus com milhares de peregrinos na praça de São Pedro, no Vaticano.

Na sua reflexão Francisco meditou sobre o mistério da Trindade divina e afirmou que com atitudes de perdão também as "comunidades cristãs" podem entrar "no mistério de amor da Trindade".

 

Leia, na íntegra, a alocução do Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

 

As leituras bíblicas deste domingo, Solenidade da Santíssima Trindade, ajudam-nos a entrar no mistério da identidade de Deus. A segunda leitura apresenta as palavras de saudação que São Paulo dirige à comunidade de Corinto: "A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2 Cor 13, 13). Esta - digamos – “bênção” do Apóstolo é fruto da sua experiência pessoal do amor de Deus, aquele amor que Cristo ressuscitado lhe revelou, que transformou a sua vida e que o “inspirou” a levar o Evangelho aos gentios. A partir da sua própria experiencia da graça, Paulo pode exortar os cristãos com estas palavras: “sede alegres. Procurai a perfeição e animai-vos. Tende os mesmos sentimentos, vivei em paz e o Deus do amor e da paz estará convosco” (v. 11).  A comunidade cristã, apesar de todas as limitações humanas, pode tornar-se num reflexo da comunhão da Trindade, da sua bondade, da sua beleza. Mas isto - como o próprio Paulo testifica - depende da experiência da misericórdia de Deus, do seu perdão.

Isto mesmo é o que acontece com os hebreus no caminho do êxodo. Quando o povo quebra a aliança, Deus apresenta-se a Moisés na nuvem para renovar este pacto proclamando o seu próprio nome e o seu significado. Assim diz: “O Senhor, Deus misericordioso e compassivo, lento para a ira e cheio de amor e fidelidade” (Ex 34,6). Este nome exprime que Deus não está longe e fechado em si mesmo, mas é vida que se quer comunicar, é abertura, é Amor que redime o homem da infidelidade. Deus é “misericordioso”, “compassivo” e “cheio de graça”, porque se oferece a nós para superar as nossas limitações e as nossas falhas, para perdoar os nossos erros, para nos trazer de volta ao caminho da justiça e da verdade. Esta revelação de Deus teve o seu cumprimento no Novo Testamento pela palavra de Cristo e a sua missão de salvação. Jesus mostrou-nos o rosto de Deus, um em substância e três em pessoas; Deus é tudo e só amor, numa relação subsistente que tudo cria, redime e santifica: Pai, Filho e Espírito Santo.

O Evangelho de hoje “coloca em cena” Nicodemos, que, embora ocupando um lugar importante na comunidade civil e religiosa da época, não deixou nunca de procurar Deus. Não pensou: “Cheguei”, não deixou de procurar Deus; e agora percebeu o eco da sua voz em Jesus. No diálogo noturno com o nazareno, Nicodemos compreende finalmente o que é estar cercado e junto a Deus, de ser por Ele amado pessoalmente. Deus sempre nos procura em primeiro lugar, antes de nós, ama-nos primeiro. É como a flor de amêndoa; de modo que o Profeta diz: "Ela floresce antes" (cf. Jer 1,11-12). Deste modo fala-nos de Jesus:  “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o Filho, o Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). O que é esta a vida eterna? É o amor imenso e gratuito do Pai que Jesus deu na cruz, oferecendo a sua vida para a nossa salvação. E este amor com a ação do Espírito Santo, que irradiou uma luz nova sobre a Terra e em cada coração humano que o recebe; uma luz que revela os cantos escuros, as dificuldades que nos impedem de trazer os bons frutos de caridade e de misericórdia.

Que com a ajuda da Virgem Maria entremos sempre mais, com todo o nosso ser, na Comunhão Trinitária, para viver e testemunhar o amor que dá sentido à nossa existência.

Tradução: Educris a partir do texto original em italiano



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