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Moçambique: Missionário denuncia «Muitas mortes» em Cabo Delgado

Situação deteriora-se no norte do país onde existem relatos de mais de cinco dezenas de decapitações

Os missionários que trabalham na região de Cabo Delgado, na região massacrada por grupos armados que afirmam pertencer ao grupo Daesh, dão conta da uma situação “caótica” cm “muitas mortes, pessoas decapitadas e outras raptadas”.

Padre Edegard, brasileiro da congregação de La Salette, em Muidumbe, deu conta de um novo ataque à missão, no passado dia 30 de outubro e do desespero das populações.

“Os últimos dias são assustadores. Os insurgentes continuam em Muidumbe, há mais de dez dias, e continuam a queimar muitas casas, e a matar. A destruição é imensa”, lamenta em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

O missionário saletino fala num “sofrimento que dura já há três anos” e estende-se “por toda a zona de Cabo Delgado”.

“O cenário é desolador. Nas aldeias não existe mais ninguém. Todos têm medo e os terroristas, estão muito violentos nestes ataques. Então, as pessoas estão ou no mato ou já conseguiram chegar a alguma cidade. Há muitas mortes, pessoas decapitadas, pessoas raptadas”.

Também a irmã Blanca Nubia Zapata, religiosa da Congregação das Carmelitas Teresas de São José faz um relato semelhante de violência, morte e pessoas em fuga.

“Nas últimas duas semanas, chegaram aqui mais de 12 mil pessoas. Não aguentamos. Estão a chegar mulheres e crianças, e pessoas mais velhas que andam há dias. Alguns morreram no caminho, nas estradas e nos trilhos florestais”, lamenta.

“Impotente perante esta tragédia” a Igreja continua “presente e a tentar minorar as perdas possíveis”.

“Estamos a fazer tudo o que podemos. Muitas vezes não podemos fazer mais do que ouvir, perguntar como se sentem e ouvi-las. Deixaram tudo para trás, na esperança de escapar com as suas vidas. Tudo o que querem fazer é fugir de lá… estão simplesmente aterrorizados.”

Desde que os ataques tiveram início, em outubro de 2017 até hoje, calcula-se que terão já morrido mais de duas mil pessoas e haverá, segundo a estimativa do Padre Edegard, cerca de “400 mil deslocados internos”.

Há cerca de uma semana, o Bispo de Pemba, D. Luiz Lisboa, acompanhou uma ação da Caritas na praia de Paquitequete, um subúrbio da cidade. A praia passou a ser ancoradouro dos barcos que transportam os deslocados. Em poucos dias, chegaram mais de 10 mil pessoas.

A Fundação AIS decidiu apoiar as dioceses envolvidas no acolhimento aos deslocados com uma ajuda de emergência no valor de 100 mil euros.

Educris|12.11.2020



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