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Educação: Desafios à Escola de hoje (c/vídeo)

«Ensinar o ofício de aprender» foi tema da formação que reuniu em Fátima mais de duas centenas e meia de professores de vinte sete instituições de ensino católico

Na iniciativa Miguel Santos Guerra, pedagogo espanhol com mais de setenta obras publicadas, apresentou propostas de melhoria de práticas pedagógicas e apontou duas finalidades para a escola.

“A escola tem duas finalidades principais. Tem de ensinar a pensar. Tem de ajudar a desenvolver o sentido crítico. De tal maneira que uma pessoa que tem educação, que esteve na escola é capaz de perceber as causas e os efeitos”, considerou.

Para o autor de «ensinar o ofício de aprender» a escola deve hoje “repensar o seu lugar e o centro do seu trabalho”:

“Para que serve a escola hoje? Para ensinar a conviver. É muito importante que a escola desenvolva instrumentos de solidariedade que nos ajude a construir um mundo mais habitável, mais justo, mais compassivo. Isto, a mim, parece-me de tal forma importante que insisto que se distinga educação de instrução, de socialização, e por isso, se distinga de um mero e doutrinamento”, clarificou.

Numa sociedade onde a influência neoliberal “contradiz os alicerces da própria instituição escolar” Miguel Santos Guerra propôs um “repensar de funções que levem a criar cidadãos com pensamento crítico”.

“A escola tem de repensar algumas das suas funções. Quando se desenvolvia apenas o currículo era importante transmitir bem o conhecimento. Hoje a escola tem de dar critérios para que o aluno possa discernir se esse conhecimento é rigoroso ou adulterado por interesses políticos, comerciais ou publicitários”, apontou.

No final de mais um ano letivo em que a avaliação dos alunos voltou a ocupar lugar de destaque o autor de «uma seta no alvo», sobre os processos avaliativos dos alunos, alertou para a urgência de procurar “uma dimensão ética da avaliação” para bem do futuro da sociedade.

“O tema da avaliação mostra a perversidade da cultura neoliberal. Na avaliação atual cada um tem de atingir do seu próprio objetivo sem pensar no que se passa com os demais. Não basta ser a melhor versão de si mesmo, mas ser melhor que todos os outros com um substrato que é tremendo: O Relativismo moral. Para conseguir o êxito, para ganhar aos outros vale tudo. Hoje a avaliação tem de ter em consideração a convicção de que ela tem em si dimensões éticas e não apenas técnicas

A formação «Ensinar o ofício de aprender» foi uma iniciativa da Associação Portuguesa de Escolas Católicas com o apoio do Secretariado Nacional da Educação Cristã.

Educris|03.07.2019



Recursos:
APEC: «Ensinar o ofício de aprender»:


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