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Ângelus: «Receber Jesus como se fosse a 1ª comunhão»

Na celebração do Corpus Christi em Itália o Papa Francisco recordou o "memorial da eucaristia" e desafiou os crentes a "abeirarem-se da comunhão" não por costume mas conscientes de que "ali Jesus está vivo" e convidou-os a participar no momento como se fosse sempre a "primeira comunhão".

Leia, na íntegra, a alocusão do Papa antes da recitação do Ângelus.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, na Itália e noutras nações, celebra-se a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, Corpus Domini. O Evangelho apresenta o episódio do milagre dos pães (cf. Lc 9, 11-17) que ocorre nas margens do lago da Galileia. Jesus pretende falar a milhares de pessoas, e faz curas. Ao anoitecer, os discípulos aproximam-se do Senhor e dizem-lhe: «deixa ir a multidão de modo a que vá às aldeias e às povoações circundantes, para se alojar e encontrar comida» (v. 12). Até os discípulos estavam cansados. Na verdade, eles estavam num lugar isolado, e as pessoas tinham que andar e ir às aldeias para comprar comida. Jesus vê isto e responde: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (v. 13). Estas palavras provocam o espanto dos discípulos. Eles não entenderam, talvez também estivessem zangados, e responderam: «Temos apenas cinco pães e dois peixes, a menos que que queiras que vamos comprar comida para todas estas pessoas» (ibid.).

Em vez disto, Jesus convida os seus discípulos a fazer uma verdadeira conversão da lógica de "cada um por si" para o do compartilhar, a partir do pouco que a Providência nos disponibiliza. E imediatamente mostra que para ele é claro aquilo que se deve fazer. Diz-lhes: Fazei-os sentar em grupos de cinquenta» (v. 14). Então pega nas suas mãos os cinco pães e os dois peixes, volta-se para o Pai celestial e pronuncia a oração de bênção. Portanto, ele começa a quebrar os pães, dividindo os peixes e entrega-os aos discípulos, que os distribuem à multidão. E essa comida não termina até que todos estejam saciados.

Este milagre - muito importante, tão verdadeiro que é dito por todos os evangelistas - manifesta o poder do Messias e, ao mesmo tempo, a sua compaixão: Jesus tem compaixão do povo. Este gesto prodigioso não só permanece como um dos grandes sinais da vida pública de Jesus, mas antecipa o que acabará por ser o memorial do seu sacrifício, ou seja, a Eucaristia, o sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, dado para a salvação do mundo.

A Eucaristia é a síntese de toda a existência de Jesus, que foi um ato único de amor pelo Pai e pelos irmãos. Lá também, como no milagre da multiplicação dos pães, Jesus pegou o pão nas suas mãos, elevou a oração de bênção ao Pai, partiu o pão e deu-o aos discípulos; e depois fez o mesmo com o copo de vinho. Mas naquele momento, na véspera da sua paixão, ele queria deixar naquele gesto o Testamento da nova e eterna aliança, um memorial perpétuo da sua Páscoa de morte e ressurreição. Todos os anos a festa do Corpus Christi convida-nos a renovar a maravilha e a alegria por este maravilhoso dom do Senhor, que é a Eucaristia. Vamos recebê-lo com gratidão, não de maneira passiva e habitual. Não devemos acostumar-nos à Eucaristia e participar nela por hábito: não! Sempre que nos aproximamos do altar para receber a Eucaristia, devemos verdadeiramente renovar o nosso "amém" para com o Corpo de Cristo. Quando o padre nos diz "o Corpo de Cristo", dizemos "amém": mas é um "amém" que vem do coração, convencido. É Jesus, é Jesus quem me salvou, é Jesus quem vem dar-me força para viver. É Jesus, Jesus vivo. Mas não devemos habituarmo-nos: Todas as vezes como se fosse a primeira comunhão.

A Expressão da fé eucarística do povo santo de Deus são as procissões com o Santíssimo Sacramento, que acontecem em toda a Igreja Católica nesta Solenidade. Esta noite, no bairro de Casal Bertone, em Roma, celebrarei a missa, seguida de uma procissão. Convido todos a participar, mesmo espiritualmente, através do rádio e da televisão. Que Nossa Senhora nos ajude a seguir Jesus com fé e amor a quem adoramos na Eucaristia.

Educris|23.06.2019



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