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Audiência-geral: «Peçamos um novo Pentecostes»

Na audiência-geral desta quarta feira o Papa Francisco continuou a sua reflexão sobre o livros dos Atos dos Apóstolos analisando a passagem da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. 

Leia, na íntegra e em português, a catequese do papa

Catequese sobre os Atos dos Apóstolos: 3. «Como línguas de fogo» (Atos 2: 3). O Pentecostes e a dinâmica do Espírito que inflama a palavra humana e faz dela Evangelho

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Cinquenta dias depois da Páscoa, naquele cenáculo que é agora a sua casa e onde a presença de Maria, mãe do Senhor, é o elemento de coesão, os Apóstolos vivem um acontecimento que excede as suas expectativas. Reunidos em oração - a oração é o "pulmão" que dá fôlego aos discípulos de todos os tempos; sem oração não se pode ser discípulo de Jesus; sem oração não podemos ser cristãos! É ar, é o pulmão da vida cristã - surpreendem-se com a irrupção de Deus, é uma irrupção que não tolera o fechamento: abre as portas pela força de um vento que lembra o Ruah, a respiração primordial e cumpre a promessa da "força" feita pelo Ressuscitado antes de se ausentar (ver Atos 1,8). De repente, vindo do alto, «um rugido, quase como um vento que desaba e enche toda a casa onde se encontravam» (At 2,2).

Ao vento junta-se o fogo que lembra a sarça ardente e o Sinai com o dom dos dez mandamentos (ver Ex 19,16-19). Na tradição bíblica, o fogo acompanha a manifestação de Deus: no fogo, Deus dá a sua palavra viva e energética (ver Hebreus 4:12), que se abre para o futuro; o fogo expressa simbolicamente o seu trabalho de aquecer, iluminar e testar corações, o seu cuidado em provar a resistência das obras humanas, em purificá-las e revitalizá-las. Enquanto no Sinai se ouve a voz de Deus, em Jerusalém, na festa de Pentecostes, é Pedro quem fala, a rocha sobre a qual Cristo escolheu construir a sua Igreja. A sua palavra, fraca e até capaz de negar o Senhor, atravessada pelo fogo do Espírito, ganha força, torna-se capaz de penetrar nos corações e movê-los para a conversão. Deus, de facto, escolhe o que é fraco no mundo para confundir os fortes (ver 1 Coríntios 1, 27).

A Igreja nasce assim do fogo do amor e do "incêndio" que se inflama no Pentecostes e que manifesta a força da Palavra do Ressuscitado, imbuída do Espírito Santo. O novo e definitivo Pacto é fundado não mais numa lei escrita em tábuas de pedra, mas na ação do Espírito de Deus que torna todas as coisas novas e está gravado nos corações de carne.

A palavra dos Apóstolos é imbuída do Espírito do Ressuscitado e  transforma-se numa palavra nova e diferente, que pode ser entendida como se fosse traduzida simultaneamente em todas as línguas: «todos os escutavam na sua própria língua» (Atos 2, 6). É a linguagem da verdade e do amor, que é a linguagem universal: até os analfabetos podem entendê-la. Todos entendem a linguagem da verdade e do amor. Se vais com a verdade do teu coração, com sinceridade, e vais com amor, todo mundo te vai entender. Mesmo que não possas falar, mas com caridade, isto é verdadeiro e amoroso.

O Espírito Santo não se manifesta apenas através de uma sinfonia de sons que une e harmonicamente compõe as diferenças, mas apresenta-se como o maestro da orquestra que desempenha as partituras dos louvores pelas "grandes obras" de Deus. O Espírito Santo é o criador da comunhão, é o artista da reconciliação que sabe remover as barreiras entre judeus e gregos, entre escravos e livres, para formar um só corpo. Ele constrói a comunidade de crentes harmonizando a unidade do corpo e a multiplicidade dos membros. Faz a Igreja crescer, ajudando-a a ir além dos limites humanos, pecados e de qualquer escândalo.

A maravilha é tão grande, que alguns se perguntam se estes homens estão embriagados. Então Pedro intervém em nome de todos os Apóstolos e relê este evento à luz de Joel 3, onde um novo derramamento do Espírito Santo é anunciado. Os seguidores de Jesus não estão embriagados, mas vivem o que Santo Ambrósio chama de "a sóbria embriaguez do Espírito", que acende no meio do povo de Deus a profecia através de sonhos e visões. Este dom profético não é reservado apenas a alguns, mas para todos aqueles que invocam o nome do Senhor.

A partir de então, a partir daquele momento, o Espírito de Deus move os corações para acolher a salvação que passa por uma Pessoa, Jesus Cristo, Aquele que os homens pregaram na madeira da cruz e a quem Deus ressuscitou dos mortos «libertando-o das dores da morte» (Atos 2, 24). É Ele que derramou o Espírito que orquestra a polifonia de louvor e que todos podem ouvir. Como disse Bento XVI, «este é o Pentecostes: Jesus, e por Ele o próprio Deus vem a nós e atrai-nos para si» (Homilia, 3 de junho de 2006). O Espírito opera a atração divina: Deus seduz-nos com o seu amor e assim nos envolve, para mover a história e iniciar processos através dos quais a nova vida é filtrada. Somente o Espírito de Deus tem, de facto, o poder de humanizar e tornar fraterno todo o contexto, a partir daqueles que o acolhem.

Peçamos ao Senhor que nos deixe experimentar um novo Pentecostes, que expanda os nossos corações e sintonize os nossos sentimentos com os de Cristo, para que possamos sem vergonha anunciar a sua palavra transformadora e testemunhar o poder do amor que traz à vida tudo o que encontra.

Tradução Educris a partir do original em italiano

20.06.2019



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