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Cáritas (C/áudio): «Nas mãos de Deus a Migração é uma parte da história da salvação»

Sessão de apresentação da nova exposição da Caritas portuguesa decorreu em Leiria e contou com a presença do cardeal Luis Antonio Tagle, Presidente da Caritas Internationalis

«Migrações e Desenvolvimento» a exposição que ontem a Caritas Portuguesa apresentou em Leiria vai percorrer o país para “formar e informar os cidadãos” sobre o fenómeno “migratório” e o contributo dos migrantes no desenvolvimento social, político, cultural, económico e religioso dos povos.

Presente na sessão de apresentação, que ontem decorreu em Leiria, o cardeal Luis Antonio Tagle, presidente da Caritas Internacionalis recordou que “o fenómeno das migrações não é novo” e que os processos migratórios “existem como parte da história da humanidade”.

Para o responsável “nas mãos de Deus a migração é uma parte da história da salvação. Nas mãos dos Homens ela é olhada como um problema, com soluções ideológicas, mas, a visão da Bíblia este é um fenómeno humano nas mãos de Deus”.

Apresentando várias passagens bíblicas os o fenómeno está presente e é desempenhado por “personagens como Abraão, Israel ou próprio Jesus”, o prelado demonstrou como até no tráfico humano, presente no caso de José do Egito”  se pede um olhar “de fé” para se perceber, mais tarde que “este mesmos José é o escolhido para salvar o povo da fome”.

“Hoje desejo também que a Caritas “seja uma das mãos de Deus e da Igreja no desenvolvimento da humanidade”.

O responsável internacional do organismo católico pediu que o fenómeno não seja lido a partir de uma macro visão mas se entenda que “a migração é sobre pessoas” sustentando, por isso, a necessidade de se falar “de migrantes, pessoas que tem história, sonhos, fomes, desejos para si e para os seus filhos” e não “na impessoalidade do termo migração”.

 

Tenho ADN de Migrante

Visivelmente emocionado, por estar presente e poder abordar o tema com os presentes, D. Luis Antonio Tagle revelou que é neto de chineses, “pobres e que não sabiam como garantir o futuro dos seus filhos”.

“A mãe do meu avô, na China, deu-o a um tio que viajava em comércio pelo extremo oriente. O meu avô cresceu nas Filipinas, vendendo tabaco e nunca mais voltou à sua terra. Converteu-se ao cristianismo e teve nove filhos. Todos estudaram na universidade e tornaram-se cidadãos válidos na sociedade filipina”, afirmou.

 O cardeal sustentou que o tema dos migrantes e das migrações não é “para mim uma questão teórica ligada à sociologia ou à antropologia, mas uma questão existencial”.

“Tenho ADN de migrante. De migrante! E o meu avô não poderia imaginar que este migrante iria contribuir para as filipinas como sacerdotes e agora como bispo. Nas mãos de Deus a pobreza da sua família é um chamamento à vocação”, garantiu.

Nacionalismos e populismos: O medo provocado pelo desconhecimento e um défice de educação

Presente na sessão de apresentação, Fernando Moita, coordenador do departamento da Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) no SNEC e diretor indigitado da FSNEC abordou o tema das migrações a partir da educação e de três afirmações do Papa que desafia os educadores a darem atenção “à mente, coração e mãos” dos mais novos.

“O papa Francisco afirma-nos que toda a educação tem de chegar à mente. Aí radica o princípio do descodificar. Ora os nossos medos nascem do desconhecimento. É através da educação que me torno um ex-animal, já não procurando apenas a sobrevivência, mas capaz de dar a própria vida.”

Para o responsável o papel da educação escolar passa “por ajudar as crianças e os jovens a refletir e a pensar” sobre “a realidade multicultural em que vivem com todos os desafios de hoje”.

“O ato educativo, em qualquer lugar tem o dever de ajudar os jovens a perceber a multiculturalidade em que vivem. O migrante é riqueza para nós”, garantiu.

Fernando Moita lembrou, ainda, que a educação deve “ter em atenção o coração” pois é “pelo amor que sou capaz “de perceber o outro, de o abordar, e perdoar. Reconhecer o outro e a sua riqueza. Queremos que a educação seja multicultural. Estar aberto ao outro para ser enriquecido”, reforçou.

Por fim, e como educador cristão, o professor de EMRC lembrou o desafio da educação cristã que na proposta do papa Francisco “também se deve dirigir às mãos. O Outro, do ponto de vista cristão, não é apenas uma categoria sociológica ou antropológica. Para nós cristãos o outro é salvação porque nele vejo o rosto de Cristo. O outro é presença de Deus e eu preciso dele para me salvar”, concluiu.

Olhar para os migrantes como pessoas e o perigo da Xenofobia

O Cardeal António Marto, bispo de Leiria-Fátima, afirmou o tema como “um problema e um desafio de carácter mundial que deve envolver a humanidade como um todo na sua resolução”.

O prelado constatou “o crescimento da xenofobia no ocidente” que olha para os “migrantes como ameaça” e lembrou os “nove países que não assinaram o pacto das migrações”.

“Hoje precisamos de uma mudança cultural tendo por base a cultura do encontro, a dignidade humana e a promoção da identidade a partir dos quatro verbos que o papa Francisco pediu para serem levados à ação.

“Temos que olhar o dever de olhar os igrantes não como coletivo para como pessoas concretas com histórias de vida e como oportunidade de desenvolvimento económico e cultural dos povos que os integram”, sustentou.

A exposição itinerante «Migrações e Desenvolvimento» vai percorrer o país numa iniciativa da Caritas Portuguesa em parceria com a Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã (FSNEC), Alto Comissariado para a Migrações e Obra Católica Portuguesa das Migrações.


 
D. António Marto e D. Luis Tagle



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