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Papa lembra papel comum de pais e professores na educação dos mais novos

Francisco recebeu, na Sala Paulo VI, no Vaticano, a Associação Italiana de Pais (AEG) no 50º aniversário desta instituição. O papa pediu respeito para com a escola e os professores e lembrou a importância "da colaboração mútua entre familia e escola" para a formação e instrução dos mais novos.

Leia, na íntegra, o discurso do papa Francisco.

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Tenho o prazer de vos dar as boas-vindas a vós, representantes da Associação Italiana de Pais (AEG), que este ano completa 50 anos. Um belo marco! É uma preciosa oportunidade para confirmar as motivações do vosso compromisso com a família e a educação: um compromisso que é realizado de acordo com os princípios da ética cristã, para que a família seja um sujeito cada vez mais reconhecido e protagonista na vida social.

Muitas das vossas energias são dedicadas a apoiar os pais na sua tarefa educativa, especialmente no que se refere à escola, que sempre foi o principal parceiro da família na educação de crianças. O que vocês fazem neste campo é realmente meritório. De facto, quando falamos de uma aliança educativa entre escola e família, estamos a falar sobre isso sobretudo para denunciar o seu declínio: o pacto educativo está em rutura. A família não mostra mais o seu apreço pelo trabalho de professores - muitas vezes mal remunerados - como acontecia antigamente, e eles sentem a presença dos pais nas escolas como uma intromissão irritante, acabando por os manter à margem ou considerando-os adversários.

Para mudar esta situação, alguém deve dar o primeiro passo, vencendo o medo do outro e estendendo as mãos generosamente. Por esta razão convido-vos a cultivar e nutrir sempre a confiança na escola e nos professores: sem eles, arriscam-se a permanecer sozinhos na vossa atividade educativa e a ser menos capazes de enfrentar os novos desafios educativos que vêm da cultura contemporânea, da sociedade, dos meios de comunicação em massa, das novas tecnologias. Os professores estão como vós embrenhados todos os dias no serviço educativo dos vossos filhos. Se é justo lamentar-se sobre os possíveis limites da sua ação, é nosso dever estimá-los como os aliados mais preciosos do empreendimento educativo que juntos empreendem. Permito-me contar uma anedota. Tinha eu dez anos e disse algo mau a uma professora. A professora ligou para a minha mãe. No dia seguinte, a minha mãe veio e a professora foi recebê-la; elas conversaram, fui chamado pela minha mãe que, em frente à professora, reprovou o que lhe havia dito: "Peça desculpas à professora". E eu assim o fiz. "Beije a professora", disse-me em seguida a minha mãe. E eu fiz, e depois voltei para a sala de aula, feliz, e a história acabou. Não, não acabou ... O segundo capítulo aconteceu quando cheguei em casa ... Isto é o que se chama de "colaboração" na educação de uma criança: entre a família e os professores.

A vossa presença responsável e disponível, um sinal de amor não apenas para os vossos filhos, mas para o bem de tudo que é escola, ajudará a superar muitas divisões e desentendimentos nesta área e a assegurar que as famílias sejam reconhecidas no principal papel na educação e na instrução de crianças e jovens. De facto, se vós os pais necessitais de professores, também a escola precisa de vós e não pode alcançar os seus objetivos sem construir um diálogo construtivo com aqueles que têm a responsabilidade primeira pelo crescimento dos seus alunos. Como indica a Exortação Amoris laetitia, «a escola não substitui os pais, mas é complementar a eles». Este é um princípio básico: qualquer outro colaborador no processo educativo deve agir em nome dos pais, com o seu consentimento e, em certa medida, também em seu nome» (No. 84).

A vossa experiência associativa certamente vos ensinou a confiar na ajuda mútua. Lembramos o sábio provérbio africano: «Para educar uma criança é necessária uma aldeia». Portanto, na educação escolar, a colaboração entre os vários componentes da comunidade educativa nunca deve faltar. Sem comunicação frequente e sem confiança mútua, a comunidade não é construída e sem uma comunidade não é possível educar.

Ajudar a eliminar a solidão educativa das famílias é também tarefa da Igreja, convidando-vos a sentirem-na sempre ao vosso lado na missão de educar os vossos filhos e fazer de toda a sociedade um lugar familiar, para que cada pessoa seja acolhida, acompanhada, orientada para valores verdadeiros e capaz de dar o melhor de si para o crescimento comum. Então vós tendes uma dupla força: aquela que vem de ser associação, isto é, pessoas que não se unem contra alguém, mas pelo bem de todos, e a força que vós recebeis advém do vosso vínculo com a comunidade cristã, onde buscais inspiração, confiança, apoio.

Queridos pais, as crianças são o presente mais precioso que recebeste. Saber guardá-lo com empenho e generosidade, deixando-lhes a liberdade necessária para crescer e amadurecer como pessoas que, por sua vez, poderão um dia abrir-se ao dom da vida. A atenção com que, como uma associação, vigiamos os perigos que ameaçam a vida das crianças, não o impede de olhar com confiança para o mundo, sabendo escolher e indicar aos seus filhos as melhores oportunidades para o crescimento humano, civil e cristão. Ensinar aos vossos filhos o discernimento moral, o discernimento ético: isto é bom, isto não é tão bom, e isso é mau. Que eles possam distinguir. Mas isso é aprendido em casa e aprendido na escola: juntos, ambos.

Agradeço-vos esta reunião e abençoo-vos de todo o coração, as vossas famílias e toda a associação. Garanto-vos a minha memória em oração. E vós também, por favor, não vos esqueçais de orar por mim. Obrigado!

Tradução Educris a partir do original em italiano



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