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Ângelus: «Regenerar o Mundo para a Vida Nova»

Neste X Domingo do Tempo Comum o Papa Francisco rezou a oração do Ângelus na praça de São Pedro, no Vaticano. Na sua alocusão Francisco lembrou o perigo de "dizer mal dos outros" e convidou os crentes a perceberem que "a família de Jesus vai além dos laços naturais".

Leia, na íntegra, a intervenção do Papa Francisco

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste domingo (cf. Mc 3,20-35) mostra-nos dois tipos de incompreensões que Jesus teve de enfrentar: a incompreensão dos escribas e a dos próprios familiares.

A primeira incompreensão. A dos escribas que eram homens instruídos nas Sagradas Escrituras e encarregados de as explicar ao povo. Alguns deles foram enviados de Jerusalém para a Galileia, onde a fama de Jesus se começou a espalhar, para o desacreditar aos olhos do povo: para montar um clima de tagarelas, desacreditando o outro, retirando a autoridade, esta coisa má. E eles haviam sido enviados para fazer isto. E estes escribas vêm com a acusação precisa e terrível - eles não poupam meios, vão para o centro e dizem assim: «Ele está possuído por Belzebu, e expulsa os demónios pelo príncipe dos demónios» (v 22). Isto vem da cabeça dos demónios pois é ela que o conduz; o que equivale a dizer mais ou menos: "Este é um demonizado». De facto, Jesus curou muitas pessoas doentes, e eles querem fazer crer que ele não o faz com o Espírito de Deus - como Jesus fez - mas com o do Maligno, com o poder do diabo. Jesus reage com palavras fortes e claras, não vai tolerar isto, porque estes escribas, talvez sem perceberem, estão a cair num pecado maior: negar e blasfemar do amor de Deus que está presente e ativo em Jesus. E a blasfémia, o pecado contra o Espirito Santo, é o único  pecado imperdoável - assim diz Jesus - porque começa pelo fechar do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus.

Mas este episódio contém um aviso que serve a todos nós. De facto, pode acontecer que uma forte inveja pela bondade e pelas boas obras de uma pessoa possa levar a acusá-la falsamente. Aqui há um verdadeiro veneno mortal: a malícia com a qual, de uma maneira premeditada, se quer destruir a boa reputação do outro. Deus nos liberte desta terrível tentação! E se, ao examinar a nossa consciência, percebermos que este mal está a brotar dentro de nós, vamos rapidamente confessá-lo no Sacramento da Penitência, antes que ele se desenvolva e produza os seus efeitos malignos, que são incuráveis. Tenham cuidado, porque esta atitude destrói famílias, amizades, comunidades e até a sociedade.

O Evangelho de hoje também nos fala de outra incompreensão muito diferente em relação a Jesus: a da sua família. Eles estavam preocupados porque a sua nova vida itinerante parecia louca para eles (cfr. V.21). De facto, Ele mostrou-se tão disponível para as pessoas, especialmente para os doentes e pecadores, a ponto de não ter mais tempo para comer. Jesus era assim: as pessoas primeiro, servindo as pessoas, ajudando as pessoas, ensinando as pessoas, curando as pessoas. Era para as gentes. Ele nem sequer tinha tempo para comer. A sua família, portanto, decide trazê-lo de volta a Nazaré, para casa. Eles vêm ao lugar onde Jesus está a pregar e mandam-no chamar. É-lhe dito: «Eis que a tua mãe, os teus irmãos e as irmãs estão do lado de fora e chamam-te» (v. 32). Ele responde: «Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?». E olhando para as pessoas ao seu redor, acrescenta: «Eis a minha mãe e os meus irmãos! Porque quem faz a vontade de Deus, é irmão, irmã e mãe para mim» (v. 33-34). Jesus formou uma nova família, que não era mais baseada nos laços naturais, mas na fé nele, no amor que nos acolhe e nos une entre nós, no Espírito Santo. Todos os que aceitam a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre si. Acolher a palavra de Jesus torna-nos irmãos entre nós, faz de nós a família de Jesus. Falar mal dos outros, destruindo a fama dos outros, torna-nos a família do diabo.

A resposta de Jesus não é uma falta de respeito pela sua mãe e pela sua família. De facto, para Maria é o maior reconhecimento, por que ela é a discípula perfeita que obedeceu toda à vontade de Deus. Peçamos ajuda à Virgem Mãe para viver sempre em comunhão com Jesus, reconhecendo a obra do Espírito Santo que age  n’Ele e na Igreja, regenerando o mundo para uma nova vida.

Educris a partir do original em italiano



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