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Diretório2020: «Um acontecimento feliz para a vida da Igreja», D. Rino Fisichella

Presidente apresentou novo documento para o setor da Catequese num momento de “profundas mutações culturais” e apelou à “capacidade de inculturação da catequese”

“A publicação de um Diretório para a Catequese representa um acontecimento feliz para a vida da Igreja. Com efeito, pode constituir um desafio positivo para todos os que se dedicam ao grande empenho da catequese, uma vez que permite experimentar a dinâmica do movimento catequético que sempre teve uma presença significativa na vida da comunidade cristã”, começou por afirmar o arcebispo D. Rino Fisichella.

Na apresentação do novo Diretório para a Catequese, que vem substituir o Diretório geral da Catequese escrito em 1997 pela Congregação para o Clero, o presidente do Conselho para a Promoção da Nova Evangelização explicou que o presente Diretório resulta de “muito tempo e trabalho, e chega até nós como conclusão de uma vasta consulta internacional” ao longo de vários anos.

Recorde-se que o setor da Catequese passou a estar a cargo do Conselho para a Promoção da Nova Evangelização por decisão do Papa Bento XVI a 3 de março de 2013.

Sustentando que o Diretório se dirige, “diretamente aos bispos, aos sacerdotes e diáconos”, D. Rino Fisichella lembrou os “milhões de catequistas que, todos os dias, desempenham o seu ministério com gratuidade, esforço e esperança nas diferentes comunidades”.

“A dedicação com que trabalham, sobretudo num momento de transição cultural como este, é sinal palpável de quanto o encontro com o Senhor pode transformar um catequista num genuíno evangelizador”, agradeceu.

O Arcebispo sustentou que o documento se dirige “às Conferências Episcopais e serviços de catequese e se constitui como um desafio a “partilhar e elaborar um desejável projeto nacional que apoie o caminho de cada diocese”.

Atenção à cultura global e digital

Fazendo “memória histórica” dos dois anteriores documentos, “o primeiro de 1971, Diretório catequístico geral, e o segundo de 1997, Diretório geral da catequese”, como “marcos dos últimos cinquenta anos de história da catequese”, o responsável justificou a necessidade do novo documento com o processo de inculturação digital.

“O Diretório apresenta não apenas as problemáticas inerentes à cultura digital, mas sugere também os percursos a realizar para que a catequese se torne uma proposta que encontra o interlocutor que seja capaz de a compreender e de ver como se adequa ao seu mundo”, sustentou.

Evangelização: Lugar central da vida da Igreja

O novo Diretório realça a “dimensão missionária” da Igreja, do qual não “se pode prescindir sob pena de nos tornamos uma associação benemérita”.

“A evangelização ocupa o primeiro lugar na vida da Igreja e no magistério quotidiano do Papa Francisco. Não poderia ser de outro modo. A evangelização é a tarefa que o Senhor Ressuscitado confiou à sua Igreja para ser no mundo de cada tempo o anúncio fiel do seu Evangelho. Prescindir deste pressuposto equivaleria a transformar a comunidade cristã numa das muitas associações beneméritas, orgulhosa dos seus dois mil anos de história, mas não a Igreja de Cristo”.

Assim a catequese “coração da catequese é o anúncio da pessoa de Jesus Cristo, que ultrapassa os limites de espaço e de tempo para se apresentar a cada geração como a novidade oferecida para alcançar o sentido da vida” através da “nota fundamental” que é a “misericordia”.

Uma conversão pastoral para a Catequese

D. Rino sustentou a necessidade de abandonar alguns “pressupostos que permanecem ligados à catequese” para abraçar “um caminho que leve ao discipulado missionário” e a uma “conversão pastoral”.

“É urgente levar a cabo a “conversão pastoral” para libertar a catequese de algumas armadilhas que impedem a sua eficácia. Em primeiro lugar a ideia segundo a qual a catequese de iniciação cristã é vivida no paradigma da escola. […] Em segundo lugar a da mentalidade segundo a qual a catequese é feita em vista da receção de um sacramento. É óbvio que, quando a iniciação tiver terminado, se venha a criar um vazio para a catequese. Um terceiro é a instrumentalização do sacramento por parte da pastoral, pelo que os tempos do sacramento da Confirmação são estabelecidos pela estratégia pastoral de não perder o pequeno rebanho de jovens que ficou na paróquia e não pelo significado que o sacramento possui em si mesmo na economia da vida cristã”, denunciou.

O primado do «Querigma» no ato catequético

O novo Diretório “apresenta a catequese querigmática não como uma teoria abstrata, mas como um instrumento com forte valor existencial”.

Para D. Rino uma catequese assim “tem o seu ponto de força no encontro que permite que se experimente a presença de Deus na vida de cada um”.

“O Diretório assume a centralidade do querigma que se exprime em sentido trinitário como compromisso de toda a Igreja. A catequese, tal como é expressa pelo Diretório, caracteriza-se por esta dimensão e pelas implicações que confere à vida das pessoas”.

A escolha da fé como ato de Liberdade

No final da apresentação do documento D. Rino lembrou a importância de perceber a catequese como “um ato de adesão livre ao mistério”.

“Uma catequese deste modo permite descobrir o encontro com uma pessoa e não uma questão moral”.

“A catequese que dá o primado ao querigma está nos antípodas de qualquer imposição, nem que fosse a de uma evidência sem qualquer possibilidade de fuga. Com efeito, a escolha de fé, ainda antes de considerar os conteúdos aos quais aderir com o assentimento de cada um, é um ato de liberdade, na medida em que se descobre que se é amado”, considerou.

“Durante demasiado tempo a catequese centrou os seus esforços em dar a conhecer os conteúdos da fé e na pedagogia com a qual os devia transmitir, descurando infelizmente o momento mais determinante que é o ato de cada um escolher a fé e dar o seu assentimento”, concluiu.

Para Portugal a edição está a cargo do Secretariado Nacional da Educação Cristã. A partir do dia 26 de junho, no canal Educris no Youtube, acompanhe a análise do documento na rubrica «Diretório em Análise: Desafios e caminhos para a Catequese» com a participação de especialistas em catequese.

Educris|25.06.2020



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