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Audiência-geral: «Reconhecer que cada vida é única», Papa Francisco

Na manhã desta quarta-feira o Papa Francisco deu continuidade às catequeses sobre as Bem-Aventuranças. Na sua reflexão o Papa lembrou a importância "do dom das lágrimas" para que o crente se "compreenda na sua condição" e valorize a "sua vida e a dos outros como única".

Leia, na íntegra, a alocução do Santo Padre

Catequese sobre as bem-aventuranças: 3. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados (Mt 5,4)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia

Começámos já a viagem pelas bem-aventuranças e hoje refletiremos sobre a segunda: Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Na língua grega em que o Evangelho está escrito, esta bem-aventurança expressa-se com um verbo que não é passivo - de facto, os bem-aventurados não sucumbem a este choro -, mas são ativos: "eles afligem-se"; choram, mas por dentro. É uma atitude que se tornou central na espiritualidade cristã e que os pais do deserto, os primeiros monges da história, apelidavam de "penthos", isto é, uma dor interior que se abre para um relacionamento com o Senhor e com o próximo; a um relacionamento renovado com o Senhor e com os outros.

Este choro, nas escrituras, pode ter dois aspetos: o primeiro por causa da morte ou do sofrimento de alguém. O outro aspeto são as lágrimas pelo pecado - pelo próprio pecado - quando o coração sangra pela dor de ter ofendido a Deus e ao próximo.

Trata-se, portanto, de amar o outro de modo a vincularmos a ele ou a ela, a fim de compartilhar a sua dor. Há pessoas que permanecem distantes, um passo atrás; por vezes é importante que os outros abram uma brecha no nosso coração.

Falo sempre do dom das lagrimas, e de como isso é precioso[1]. Pode amar-se de maneira fria? Podemos amar por dever? Certamente que não. Há pessoas aflitas para consolar, mas às vezes também há consulados para afligir, despertar, que têm um coração de pedra e se esqueceram de chorar. Também é necessário despertar as pessoas que não podem ser movidas pela dor dos outros.

O luto, por exemplo, é um caminho amargo, mas pode ser útil para abrir os olhos à vida e ao valor sagrado e insubstituível de cada pessoa, e neste momento apercebermo-nos o quão breve é o tempo.

Há um segundo significado nesta bem aventurança paradoxal: chorar pelo pecado.

Aqui devemos distinguir: existem aqueles que ficam com raiva porque cometeram um erro. Mas isso é orgulho. Em vez disso, existem aqueles que choram pelo mal feito, pelo bem omitido, pela traição do relacionamento com Deus, que é o clamor por não ter amado, que nasce de ter a vida dos outros no coração. Aqui choramos porque não correspondemos ao Senhor que nos ama tanto e ficamos tristes com o pensamento do bem não feito; esse é o sentido do pecado. Eles dizem: "Eu feri aquele que amo", e isto faz-nos chorar. Deus seja abençoado se estas lágrimas vierem!

Este é o tema dos erros próprios a afrontar, difícil, mas vital. Pensemos no choro de São Pedro, que o levará a um amor novo e muito mais verdadeiro: é um choro que purifica, que renova. Pedro olhou para Jesus e chorou: o seu coração foi renovado. Ao contrário de Judas, que não aceitou que cometera um erro e, coitado, se suicidará. Compreender o pecado é um presente de Deus, é uma obra do Espírito Santo. Por nós mesmos, sozinhos, não podemos perceber o pecado. É uma graça que devemos pedir. Senhor, que eu entenda o mal que fiz ou posso fazer. Este é um presente muito grande e, depois de entender isto, chega o choro de arrependimento.

Um dos primeiros monges, Efrém, o sírio, diz que um rosto lavado com lágrimas é indescritivelmente belo (cfr. Discurso Ascético). A beleza do arrependimento, a beleza das lágrimas, a beleza da contrição! Como sempre, a vida cristã tem a sua melhor expressão na misericórdia. Sábio e abençoado é aquele que aceita a dor ligada ao amor, porque receberá a consolação do Espírito Santo, que é a ternura de Deus que perdoa e corrige. Deus perdoa sempre: esqueçamos isto. Deus perdoa sempre, mesmo os pecados mais feios, sempre. O problema está em nós, que nos cansamos de pedir perdão, nos fechamos em nós mesmos e não pedimos perdão. Este é o problema; mas Ele está lá para perdoar.

Se tivermos sempre presente que Deus «não nos trata de acordo com os nossos pecados e não nos retribui de acordo com as nossas faltas» (Sl 103, 10), vivemos em misericórdia e compaixão, e o amor aparece em nós. Que o Senhor nos conceda amar em abundância, amar com um sorriso, com proximidade, com o serviço e também com lágrimas.


[1] Ver Exortação. ap. postsin. Christus vivit, 76; Discurso aos jovens da Universidade S. Tomas, Manila, 18 de janeiro de 2015; Homilia na quarta-feira de cinzas, 18 de fevereiro de 2015.

Tradução Educris a partir do original em italiano

 



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