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Sri Lanka: Atentados são «crimes contra a humanidade»

D. Devsritha Valence Mendis condena atentados no Sri Lanka que provocaram pelo menos 207 mortos.

O bispo de Chilaw, no Sri Lanka, D. Devsritha Valence Mendis considerou verdadeiros "crimes contra a humanidade" os atentados do passado domingo cujo balanço provisório ascende a 207 mortos e de mais 450 feridos.

D. Valence Mendis explicou que “todo o país está em estado de choque e surpreendido por este ataque brutal contra pessoas inocentes”. E acrescentou: “É algo que não se consegue compreender ou explicar. É violência pura. É uma tragédia", afirmou em declarações divulgadas pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

No dia de ontem pelo menos três igrejas estiveram na mira dos terroristas durante as celebrações da manhã do Domingo de Páscoa. As explosões, que se repetiram em alguns hotéis, ocorreram num espaço de tempo relativamente curto o que levou de imediato as autoridades a concluírem que se tratou de um atentado bem coordenado.

As igrejas atingidas, a de Sião de Batticaloa, a Igreja de Santo António de Kochchikade – extremamente popular no país e visitada todos os anos por milhares de pessoas – e a Igreja de São Sebastião de Negombo, estavam cheias de féis que assinalavam o Domingo de Ressurreição.

Para o Bispo de Chilaw não há dúvida de que os autores dos atentados procuraram atingir o maior número possível de pessoas. "Nas três Igrejas estavam a decorrer as missas da manhã e todas estavam cheias de fiéis", explicou, ao telefone, o prelado.

A violência dos ataques apanhou todo o país de surpresa. “Estes ataques foram totalmente inesperados. Vivemos tempos calmos, especialmente nos últimos sete, oito anos”, disse ainda D. Valence Mendis, acrescentando que “as pessoas estão a chorar os seus ente-queridos”.

Por causa dos ataques, “as igrejas suspenderam os serviços litúrgicos”, havendo em todo o país “um estado geral de alerta”, sendo necessário cuidar da segurança das populações. “Tem-se pedido às pessoas para dispersarem para não estarem em grupos, de forma a se evitar novos desastres.”

O prelado de Chilaw classificou o conjunto de ataques ocorridos no Sri Lanka – no total explodiram oito bombas – como “um crime contra a Humanidade”, e expressou neste momento tão duro a solidariedade dos cristãos do seu país para com todos os que, “em todo o mundo, sofrem por causa da fé”.

Os atentados no Sri Lanka foram repudiados de imediato a nível internacional, desde os vizinhos India e Paquistão, pelos principais líderes europeus, o presidente dos Estados Unidos e o Santo Padre.

No final da mensagem Urbi et Orbi o Papa Francisco afirmou que recebeu “com tristeza e dor a notícia”, manifestando a sua  “afectuosa proximidade à comunidade cristã, atingida enquanto estava reunida em oração e a todas as vítimas de tão cruel violência”. Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou os ataques e apelou a que os agressores sejam “rapidamente levados à justiça”.

No Sri Lanka, um país maioritariamente budista, o cristianismo é uma religião minoritária, com apenas cerca de 9% da população do país. Os católicos representam cerca de 7%. No entanto, essa percentagem é mais elevada em diversas regiões, como a capital, Colombo, ou a área costeira ocidental.

Educris|22.04.2019

Imagem:bbc

 

 



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