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Ângelus: Advento é tempo de “sair de si e abrir o coração"

No início do Advento o Papa Francisco pediu "oração e vigilância" aos crentes para não se perderem "no consumismo" da época e a voltando a "abrir o coração às necessidades dos mais abandonados" na esperança "do encontro com o Senhor".

Leia, na íntegra, a meditação do Santo Padre.

 

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje começa o Advento, o tempo litúrgicos que nos prepara para o Natal, convidando-nos a olhar para cima e a abrir os nossos corações a acolher a Jesus. No Advento, não vivemos apenas a espera do Natal; também somos convidados a despertar a expectativa do retorno glorioso de Cristo - quando no final dos tempos ele voltar -, preparando-nos para o encontro final com ele com escolhas coerentes e corajosas. Lembremo-nos do Natal, aguardamos o retorno glorioso de Cristo e também o nosso encontro pessoal: o dia em que o Senhor nos chamará. Nestas quatro semanas, somos chamados a sair de um modo de vida resignado e habitual, e a sair para alimentar esperanças, alimentar sonhos para um novo futuro. O Evangelho deste domingo (cf. Lc 21,25-28.34-36) vai neste sentido e adverte contra a opressão como um estilo de vida egocêntrico ditado pelo ritmo frenético dos dias. As palavras de Jesus são particularmente incisivas: «Tende cuidado convosco: que os vossos corações não se tornem pesados com a devassidão, a embriaguez e as preocupações da vida, e que esse dia não caia sobre vós subitamente. […] Velai, pois, orando continuamente.» ( vv 34.36).

Estar vigilante e rezar: é assim que se vive este tempo desde hoje até ao Natal. Estar vigilante e orar. O sono interior surge sempre de do movimento de nos enrolarmos sobre nós mesmos e de estarmos bloqueados na fechadura da própria vida com os seus problemas, as suas alegrias e tristezas, mas sempre à volta de si mesmos. E isso cansa, isso entedia, isso fecha a esperança. Aqui está a raiz do torpor e da preguiça de que o Evangelho fala. O Advento convida-nos a um compromisso vigilante, olhando para fora de nós mesmos, ampliando a nossa mente e o nosso coração para nos abrirmos às necessidades das pessoas, dos irmãos, ao desejo de um novo mundo. É o desejo de tantos povos atormentados pela fome, injustiça, guerra; é o desejo dos pobres, dos fracos e dos abandonados. Desta vez é apropriado abrir os nossos corações, para nos fazermos perguntas concretas sobre como e para quem despendemos as nossas vidas.

A segunda atitude para viver bem o tempo de espera pelo Senhor é a oração. «Cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima» (v. 28), adverte o Evangelho de Lucas. É uma questão de se levantar e orar, voltando os nossos pensamentos e nossos corações para Jesus que está para vir. Levantamo-nos quando esperamos por algo ou alguém. Esperamos por Jesus, queremos encontra-lo na oração, que está intimamente ligada à vigilância. Rezar, esperar por Jesus, abrir-se aos outros, estar desperto, não fechado em nós mesmos. Mas se pensarmos no Natal numa atmosfera de consumismo, de ver o que posso comprar para fazer isto e aquilo, de festival mundano, Jesus passará e não o encontraremos. Esperamos por Jesus e desejamos encontra-lo na oração, que está intimamente ligada à vigilância.

Mas qual é o horizonte da nossa espera em oração? Indica-nos a Bíblia, sobretudo a voz dos profetas. Hoje é a voz de Jeremias, que fala ao povo severamente provado pelo exílio e que corre o risco de perder a sua identidade. Mesmo nós cristãos, que somos também o povo de Deus, arriscamo-nos a nos misturar e perder a nossa identidade, antes de mais, de "paganizar" o estilo cristão. Por isso, precisamos da Palavra de Deus que, por meio do profeta, proclama: «Dias virão, em que cumprirei a promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá [...]. farei germinar para David um rebento de justiça que exercerá o direito e a justiça na terra» (33: 14-15). E essa semente é justamente Jesus, é Jesus que vem e que nós esperamos.

Que a Virgem Maria, que nos traz Jesus, mulher de expectativa e oração, nos ajude a fortalecer a nossa esperança nas promessas do seu Filho Jesus, para nos fazer experimentar que, através do trabalho da história, Deus permanece sempre fiel e serve-se também dos erros humanos para mostrar a sua misericórdia.

Tradução Educris a partir do original em italiano

2.12.2018






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