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Angelus: «Uma radiografia espiritual» da terra que somos nós

Na manhã deste Domingo milhares de peregrinos juntaram-se, na praça de São Pedro, no Vaticano, ao Papa Francisco na recitação da oração mariana do Angelus. O Papa centrou a sua alocução na parábola do bom semeador e explicou "os vários tipos de terras" apontando Jesus como "o semeador que não se impor mas propoe numa doação de si mesmo". em tempo de férias o Papa convidou os crentes a "pensarem sobre qual terra somos" procurando, através da "confissão e da oração", "melhorar a terra onde ainda não cabe a semente da Palavra".

 

Leia, na íntegra, a reflexão do Papa Francisco.

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Jesus, quando falava, usava uma linguagem simples e servia-se também de imagens, que eram exemplos da vida quotidiana, de modo a ser facilmente compreendido por todos. Por isso todos os escutavam e a sua mensagem era apreciada porque a mesma ia diretamente aos corações: não era uma linguagem difícil de compreender, como a que era usada pelos doutores da lei do tempo, que não se percebia bem e que estava cheia de rigidez e colocando longe as pessoas. Com esta linguagem simples Jesus fazia entender o mistério do Reino de Deus; não era uma teologia complicada. Hoje o evangelho mostra-nos mais um destes exemplos: a parábola do bom semeador.

O semeador é Jesus. Notemos que com esta imagem Ele apresenta-se como alguém que não se impõe mas se propõe; não se trata de conquista mas de uma doação de si mesmo: colocar a semente. Ele espalha com paciência e generosidade a sua Palavra, que não é uma gaiola ou uma armadilha, mas uma semente que pode dar frutos. E como pode ela ter frutos? Se nós a acolhermos.

Por isso a parábola centra-se sobretudo em nós: Fala, de facto, do terreno mais do que do semeador. Com ela Jesus realiza, por assim dizer, uma “radiografia espiritual” do nosso coração, que é o terreno sobre o qual cai a semente da Palavra. O nosso coração, como uma terra, pode ser bom e, deste modo a Palavra dá fruto – e muito - mas pode ser também duro, impermeável. Isto acontece quando sentimos a Palavra, mas essa permanece no exterior, como acontece com o caminho: não entra.

Entre o bom solo e o caminho, a estrada - se colocarmos uma semente sobre as “pedras” nada cresce – existem, no entanto, dois terrenos intermédios que, em misturas diferentes, poderemos ter em nós. O primeiro, diz-nos Jesus, é o terreno rochoso. Podemos imaginá-lo: Um terreno rochoso «onde não há muita terra» (cf. v. 5), de modo a que a semente germina, mas não pode aprofundar as raízes. Assim é a superfície do coração, que acolhe o Senhor quer rezar, amar e testemunhar, mas não persevera, fica cansado e não \"descola” mais. É um coração sem profundidade, onde as pedras preguiçosas prevalecem em boa terra, onde o amor é inconstante e passageiro. Mas aqueles que acolhem o Senhor somente quando lhe apetece, não dá fruto.

Depois, há o último solo, o espinhoso, cheio de silvas que sufocam as boas plantas. O que representam estes espinhos? «Os cuidados do mundo e a sedução da riqueza» (v. 22), assim Jesus diz explicitamente. As silvas são vícios que estão em desacordo com Deus, que sufocam a presença: o primeiro de todos os ídolos das riquezas do mundo, o viver avidamente, para si mesmo, para o ter e para o poder. Se cultivarmos estes espinhos, suprimimos o crescimento de Deus em nós. Cada um pode reconhecer os seus grandes ou pequenos espinhos, os defeitos que moram no seu coração, estes arbustos mais ou menos enraizados que não gostam de Deus e nos impedem de ter um coração limpo. Deve levá-los para longe, caso contrário, a palavra não dá fruto, a semente não vai crescer.

Queridos irmãos e irmãs, Jesus convida-nos hoje a olhar para ele: para dar graças pelo nosso terreno bom e a cultivar o terreno que ainda não é bom. Perguntemo-nos se os nossos corações estão abertos a acolher com fé a semente da Palavra de Deus.- Perguntemo-nos se as nossas pedras de preguiça continuam numerosas e grandes; identifiquemos e chamemos pelo nome os espinhos e os vícios. Tenhamos a coragem de fazer uma bela sementeira no terreno, uma bela sementeira no nosso coração, buscando o Senhor na confissão e na oração levando as nossas pedras e as nossas silvas. Assim fazendo, Jesus, o bom semeador, ficará feliz ao fazer um trabalho adicional: purificar o nosso coração, removendo as pedras e espinhos que sufocam a Palavra.

A Mãe de Deus, que hoje recordamos com o título de Beata Virgem do Monte Carmelo, insuperável no acolher a Palavra de Deus e a pôr em prática (cf. Lc 8,21), nos ajude a purificar os nossos corações e a custodiar a presença do Senhor.

Tradução: Educris a partir do original italiano

Educris|16.07.2017



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