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«Economia de Francisco»: Prémio nobel questiona conceito atual de «prosperidade»

Muhammad Yunus desafiou jovens a lutarem contra o desemprego e a concentração da riqueza

O prémio Nobel da Paz em 2006, Muhammad Yunus, do Bangladesh, disse hoje aos participantes da «A Economia de Francisco», que devem questionar o atual sistema financeiro que apenas se preocupa com a concentração do “lucro que faz com que uns sejam cada vez mais ricos e outros cada vez mais pobres”.

“Quando falamos em prosperidade, falamos na prosperidade de quem? De 1% da população mundial que detém 99% dar riqueza do mundo. Este é um caminho de morte”, denunciou.

Economista e banqueiro, Yunus ficou conhecido pela criação do microcrédito. Aos jovens considera que “a pandemia foi uma ótima oportunidade para perceber o que acontece no mundo”.

“A pandemia mostrou as fraquezas do sistema atual. Percebemos que quem estava à margem, quem vivia em trabalho informal, ficou, ainda mais, marginalizado e sem quaisquer direitos. Em poucas semanas o sistema colapsou. Isto acontece porque criámos um sistema que se preocupa apenas com a maximização do lucro que passou a ser a nova religião”, denunciou.

“Não se pensa no mundo, no bem do planeta, nada. Apenas importa a maximização dos lucros”, lamentou.

Mesmo em época de pandemia Muhammad Yunus convidou os participantes a olharem para o modo como as grandes farmacêuticas estão a tentar apresentar uma vacina contra a Covid-19.

“Todos andam a correr, cada um para seu lado, com o intuito de conseguir chegar primeiro a uma vacina. Não estão preocupados com o bem, mas em concorrer para oferecer um produto. Não lhes interessa se todos a vão poder receber”, denunciou.

Refletindo sobre o tema «Finanças e Humanidade: um caminho rumo a uma ecologia integral», o prémio nobel considerou que é tempo de promover a recuperação do papel central do “interesse coletivo” e uma economia social, que vise “resolver os problemas dos outros” oferendo um serviço às pessoas mais pobres, como acontece com o microcrédito.

Para o especialista existem hoje “algumas oportunidades” que hoje existem.

“Queremos concentrarmo-nos nos métodos, no caminho da beleza. A Doutrina Social di-lo de uma maneira sábia: Ver julgar e agir”, apontou apresentado casos de estudo com bons resultados.

Para Yunus esta visão da economia nasce “de uma ideia muito simples” que é preciso combater com novos ideais mais holísticos sobre o ser humano.

“Esta ideia da maximização do lucro parte do pressuposto de que o ser humano apenas age em interesse próprio. Isto é tudo um modo individualista de viver. Isto gera o problema hoje. O ser humano não é apenas guiado apenas pelo interesse individual. Existe uma outra parte que é a do interesse comum, que todos compartilhamos. Temos de nos focar neste ponto”, denunciou.

O segundo dia da «Economia de Francisco» contou, ainda, com uma ‘maratona’ que deu voz a jovens participantes de 20 países (Portugal, Reino Unido, Brasil, Argentina, Estados Unidos, Chile, Peru, Colômbia, México, Filipinas, Coreia do Sul, Índia, Sri Lanka, Ucrânia, Croácia, Nigéria, Camarões, Costa do Marfim, Espanha e Itália) que apresentaram os seus projetos e desafios. para que eles apresentem os seus territórios, culturas, experiências, projetos locais e apelos.

Para amanhã, sábado, os trabalhos terminam com a intervenção do Papa Francisco que vai dirigir-se aos mais de quatro mil e quinhentos participantes.

Educris|20.11.2020






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